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NÃO MANGAS versus PILEQUE DE GUARANÁ



					    
Vai ver, existe, sei lá..................... Nunca me embebedei! Desisti de pesquisar Motivo EU não sei, mas em todos os cemitérios do Brasil há MANGUEIRAS seculares, dando muita sombra e frescor ao ambiente, ajudando a aplacar o calor intenso. Tá certo, caroço caído ao chão, planta cresce fácil, remetendo a Pero Vaz de Caminha, “Essa terra, senhor, é dadivosa e boa, em nela se plantando, tudo dá”. Mas todo mundo a princípio foi fazer piquenique no eufemisticamente falando ‘campo-santo’? Precoce Internet para comunicação geral: “EU plantarei, tu plantarás... eles plantarão”? O ‘crescei e multiplicai’ dos vegetais? O inconsciente coletivo de Karl Jung ou a aldeia global de McLuhan? Viajei e constatei em várias cidades brasileiras. Se adubadas com ossos queimados ou sangue de vampiro, não interessa... Nem vou questionar mil e uma simpatias de cunho popular - MANGUEIRA para atrair namorado, comprar casa, arrumar emprego etc. Não limpa alumínio (suponho!), mas tem também mil e uma utilidades. Tronco bom inclusive para os coraçõezinhos entrelaçados com juras de amor eterno ... tatuagem na casca da árvore que se faz aos 17 e se esquece aos 18... Com a minha letra R, muita árvore paulista!!! Modernamente, a titude antiecológica. Perdão, Mãe Natureza! Aos 45, juro que somente repetirei o amor... (Ou os amores?) E como são gostosos os frutos carnudos desta árvore! Há o lado medicinal que inclui o tratamento de muitas doenças (asma, anemia, problemas intestinais.............), mas essa garotada não tinha outro interesse além da terapia do desejo. E lá se foi aquele bando de meninas, a maioria na faixa dos 13 ou 14 anos, porém duas primas quase gêmeas porque nascidas com poucas horas de diferença, perigosas geminianas de 30 e 31 de maio, ainda a meio ano de completarem 12. Na guerra dos sexos que existe desde que o mundo é mundo, os meninos também gostavam de MANGAS. Nos fundos do cemitério, há longo tempo muro quebrado na parte de trás, havia uma chácara e entravam para um ou outro lugar por um portão largo que servia a ambos - cemitério virando à esquerda e chácara à direita. Não eram vândalos, a eles não interessava destruir plantações de couves, alfaces ou cenouras. Só queriam as MANGAS e pronto! Durante certas horas, o chacareiro, Gigante de 1.80, abrutalhado, peito geralmente nu exibindo a musculatura, dormia pontualmente após o almoço. Boato se espalha fácil. Quando ELES perceberam que ELAS estavam indo à “caça” das frutas perto de uma hora, correram para “avisar” que não fossem naquele horário, ao início da tarde, pois era o momento em que o chacareiro estava mais atento e não aceitava que ninguém atravessasse o tal portão. Fossem às quatro ou cinco horas, pois ele estranhamente já se deitava naquele período para dormir. “Cedo assim?” ELES juraram que era verdade. Olho vivo no relógio e o grupinho iludido foi pegar as MANGAS. Ocorre que era exatamente ao contrário, o chacareiro siciliano fazia a “siesta” e depois, acordava, como espalhava pela vizinhança, sedento de “sangue”, gritava no cantante sotaque da língua dele após mais um copo de bom “rosso” (vinho tinto). Apontou para as meninas o que ELAS chamaram “trabuco de mais um metro”, berrou que daria tiros de sal e todas saíram correndo. As quase gêmeas se deram as mãos, a pouquinho mais velha tropeçou numa pedra e caiu, logicamente levando a outra junto. Ficaram lá, caídas, as maiores olharam para trás, viram, não voltaram, lei do desamparo: “Salve-se quem puder.” “Maledetto”, ao longe, ficou rindo, beijando a arma: “Ah, Giuseppe Garibaldi, noi siamo guappi e coraggiosi, loro neanche sono Anita...” Conseguiram levantar do chão, mutuamente se amparando, a primeira com os joelhos bastante machucados, a outra com leves arranhões. Na esquina, os meninos rindo às gargalhadas. Daí que, festa de aniversário de uma do grupo “mais idoso”, à noite, a acidentadazinha quase não podia andar e alguém sugeriu sentar sob o toldo na frente da casa, um imenso quintal cimentado. Casa mal construída, havia um tanque e ELA, assim de repente, sem malícia, colocou a cadeira ao lado e se estabeleceu. Ainda hoje se usa isto: garrafas de bebida dentro de um tanque ou barril, enormes barras de gelo e muita serragem. Quando percebeu estar ao lado do ‘tesouro’, não quis sair dali nunca mais. Cada adulto que chegava perto, ‘ó-coitadinha-o-que-houve-com-seu-joelho-enfaixado?’ - e por consolo, ne m precisava pedir um copo de... guaraná. Ao final, talvez efeito psicológico, mas chamou a prima quase gêmea e confidenciou o que chemou “um segredo terrível”: “Estou todinha bêbada, ih, bebinha.....................” Impossível, mas já estava na hora de comer o bolo, foi embora para casa ali pertinho, adormeceu numa fração de segundo; boca amarga ao amanhecer, ressaca, muita sede de água mineral o dia todo. Passou. Uma bela bronca materna, outra vez um bom iodo e em dias o fato “parecia” esquecido. Muitas décadas depois, numa crise de nostalgia, uma das tais grandinhas resolveu recordar antigas tolas aventuras. “Uma vez nós fomos pegar MANGAS no cemitério, duas meninas menores caíram, uma se machucou bastante, mas não lembro quem foi...........” - o neto adulto da narradora rindo antecipadamente. A vítima interrompeu e apresentou sua versão. Sem ter combinado, em diferente casa, segunda falou igualzinho para a neta adulta, nova risada, por acaso ELA estava perto, a mesma narrativa de novo interrompida. Terceira ocasião. Outra daquelas antigas apareceu numa vis ita familiar coletiva, grupal, festa em que “todo mundo” é convidado. Trouxeram pela mão uma das algozes... Perguntaram: “Lembra dela?” Agrados daqui e dali, voltou a estória da “caça às MANGAS” e pela terceira vez a “vítima”, coitada, caíra no esquecimento. Agora ELA reside num sítio com muitas MANGUEIRAS produtivas, e são tantas MANGUEIRAS, tantas, tantas... que costuma deixar frutas na porta de casa, num banco de cimento, para a garotada do lugar. F I M
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Comentários dos leitores

É, árvore tem também a função de registrar nomes em corações. Você lembrou isto, só não lembrou o que escreveu. Conto da paz! Felicidades.

Postado por lucia maria em 10-05-2013

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