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CONTO (GÓTICO?) DE...BRUXA-ESTÓRIA TRISTE



					    
RUBEMAR ALVES Verdade ou não, estou repassando o peixe pelo mesmo preço que paguei, isto é, escrevendo o que ouvi. Nascera na década de 30 de um parto não complicado e crescera como uma criança aparentemente normal, diferença era o gesto semelhante a bater asas, as mãos separadas de cada lado do peito, sem se tocarem, quando via um passarinho. Morava perto do centro da cidade, bairro de muito movimento, ainda existiam bondes e era o começo de muitos ônibus, fora automóveis, caminhões comerciais e patrulhas, presídio em rua próxima. Passarinhos foram escasseando até nos fios aéreos das ruas. Havia um cemitério próximo, de relevância histórica, bem no largo, muitas árvores e pássaros de várias espécies e cores. Não muito distante dos outros bairros da aristocracia carioca, boa parte da nobreza distribuída entre Santa Teresa, Andaraí e Tijuca, era a última morada de muitos barões, condes, duques, marqueses, viscondes, militares e estadistas, empresários burgueses, compositores musicais famosos... Menino ainda pequeno e bastante esperto, ELE se tornou uma espécie de guia turístico e “mostrava” o Duque de Caxias (militar e político, 1803/1880, exumado e trasladado para um pant eão em 1949), a Baronesa de Sorocaba (Maria Benedita de Castro Canto e Melo, irmã da Marquesa de Santos, Domitila, a amada de D. Pedro I) e o Marquês de Sapucaí ( senador e ex-ministro), entre outros. Sabia os nomes, as datas, a estória de cada “morador”.......... Ganhava muitas moedas sem precisar pedir, época do cofrinho de barro, porquinho redondo. Sim, partindo da imbecil convicção de que “criança esperta não se cria”, uma vizinha invejosa, do tipo que nem o diabo a deseja perto, pois “olho grande ainda é pior que macumba”, cismou com isto e sempre o perseguia com olhar malévolo. Coincidência ou não, a mãe mandou que ELE fosse comprar salsa para temperar a comida. Foi, voltou, salsa embrulhada em pedaço de jornal, educadamente cumprimentou a vizinha, que muitos acreditavam bruxa pois o que dizia de mal, acontecia... pior ainda. A mulher perguntou se ELE comprara mandrágora e estava mentind o para ELA; neste caso, adoeceria... para sempre. Mostrou a salsa. Depois disso, durante meses e anos, acusada de bruxaria, jurou para a rua inteira que “viu” mandrágora. Recusou-se a almoçar porque teve a sensação de “ver” pedaços do peixe ainda vivo no prato. Calor carioca acima de 40 graus, foi indo, foi indo, foi indo... o menino começou a sentir uma repentina dor de cabeça, desesperadora, muitos gritos, imediatamente corrida ao Pronto Socorro, mas não teve jeito. Exata doença não diagnosticada (vaga hipótese de meningite), transferência de hospital, nem os excelentes professores de neurologia da Santa Casa conseguiram ao menos suavizar. Emudeceu total. Rosto continuou sereno, bonito. Debatia-se nas paredes do quarto de casa, inteiramente esvaziado só para ele, como um pássaro engaiolado. Dormia numa esteira e acariciava devagarinho a palha do seu “ninho interior”. Sorria somente quando a mãe lhe dava comida na boca. Fez-se rapaz, fez-se homem, num desespero único, fazendo gestos incompreensíveis a todos. Aceitava o barbeiro semanal. Avançava com a boca para pessoas estranhas (um médico, às vezes) como quem vai “bicá-los”. Um dia, por acaso, um irmão entrou no ambiente com uma revista que apresentava, de página a página, o desenho de um enorme pássaro verde. ELE olhou, sorriu, apontou a pared e e traduziram que talvez quisesse a gravura. Não custava tentar. Colaram a estampa com esparadrapo e o homem demonstrou paz e felicidade. Era noite, luar lindo, céu estreladíssimo. Quando amanheceu, 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, o homem- pássaro já não pertencia ao mundo dos vivos, braços parados, no mesmo antigo gesto de asas. ---------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: CEMITÉRIO DO CATUMBI, pertencente a uma ordem religiosa católica - Uma das mais tradicionais necrópoles da cidade do Rio de Janeiro, inaugurada em meados do século XIX, 1850, quando o bairro do Catumbi era um arrabalde luxuoso da então corte imperial Foi o primeiro campo santo brasileiro destinado a enterros de não indigentes ou escravos. SALSA - Serve para tempero ou medicina caseira alternativa: diurética, expectorante, baixar pressão arterial, hemorragia nasal, infecção nos olhos, picada de insetos, dor de dente, dor de ouvido etc. Diminui o leite das nutrientes. Veneno violento para papagaios. MANDRÁGORA - Interesse folclórico, especialmente na Itália e na Espanha. Não apresenta caule e as folhas surgem do solo; raízes com formas bizarras que se assemelham ao esqueleto humano, daí prato cheio para feiticeiros, tarólogos e cartomantes. F I M
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Comentários dos leitores

triste caso verídico. Gente antiga da minha casa conheceu o menino e depois o rapaz. Você contou a estória muito bem contada. Parabens!

Postado por lucia maria em 11-05-2013

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