Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio Autores & Leitores

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


COMO ENROLAR UMA GRANDE PROFESSORA E TIRAR DEZ...



					    
RUBEMAR ALVES Minha PRIMA estava terminando o bacharelado de Letras numa faculdade federal e fez amizade com um geniozinho ambulante. Nada de ‘-inho’ fisicamente, pois ELE era alto e gordo, ELA um tanto baixinha e miúda. Lembravam personagens muito antigos: *O Gordo e O Magro, em especial porque ELE usava um chapéu redondo comprado em antiquário. Durante um ano, MARLENE trabalhara num projeto chamado Iniciação Científica na biblioteca da faculdade, fichar livros e atender usuários, e por mais dois anos executou o trabalho de fichas em outro ambiente – era íntima de todo mundo, indicava e localizava com facilidade os li vros adequados a este ou aquele trabalho... “Pena que só foi agora que nos cruzamos...” – dizia ELA. (Ainda ficariam mais um ano juntos para a licenciatura pedagógica.) O rapaz, muitíssimo inteligente, sabia tudo de literatura, mas nem com muito esforço aprendia o nome da companheira de aulas - combinaram que ELE seria sempre LUÍS EDMUNDO e a chamaria com qualquer nome tendo letra inicial M. Deixava recados com a faculdade inteira: “Se você encontrar a Marcela, não, EU quero dizer a Míriam... ou é Moema? Ah, sei lá, diga que...” Todos conheciam e ajudavam a procurá-la. Dizem que o verdadeiro gênio é assim alienado - só fixa assuntos culturais, e brilhantemente. A lenda fala de Einstein reprovado na adolescência, não sei. A professora de Literatura Hispano-Americana dividiu a turma em grupos e propositalmente separou LUÍS EDMUNDO de minha PRIMA, pois a intenção era um único aluno criativo como orientador de cada grupo. Turma muito grande, programação extensa para um único semestre - uns grupos apresentariam seminário, isto é, trabalho oral e outros entregariam por escrito. Quando muito, como disse a professora, ainda fez a concessão de dar o mesmo tema para os diferentes grupos de MARLENE e de LUÍS EDMUNDO, pois este alegou que estudariam juntos, visto que as residências eram “muito próximas” - super mentira, a mais de uma hora de distância em viagem de ônibus, a turma em gargalhada com o cinismo do aluno gênio. MARLENE rompia madrugada lendo, pesquisando, aplicando teorias literárias aos romances lidos, mania de perfeição. Brilhante, também. Só não era gênio alienado. Teriam que analisar a *novela DONA BÁRBARA, do venezuelano RÓMULO GALLEGOS, escrita em 1929. Fala de barbárie, campesinato, violência, expropriação de terras etc. Temática ‘bota-pesado-nisso’......... ELE trazia todo dia uma bolsa repleta de sucos, frutas e sanduíches, a mãe preocupada com uma doença que o levara a hospitalizar-se inúmeras vezes lá no “passado” da infância. Numa dessas distrações de distribuir comida excedente a outras pessoas (já era alienado...), não prestou atenção na data agendada para o grupo dele, quem eram os colegas, qual parte do livro e tema teórico a ser abordado. Os outros confiando e LUÊ totalmente fora de órbita, pisando na lua como astronauta que vai tomar chá turco em companhia de São Jorge e confunde o dragãozão com um verde iguanazinho mexicano... Por acaso, se encontraram ainda na rua. ELA perguntou sobre o seminário dele... não sabia de nada! Não lera a novela, não sabia tema, assunto, enredo, personagens, nada de nada............................... “É hoje, LUÊ. O seu grupo vai apresentar o seminário e o meu entregará por escrito.” LUÊ se apavorou em fração de minuto, pois seria um único trabalho valendo aprovação ou reprovação naquela matéria. Fracasso na vida dele?! Ah, não podia, não! As aulas de BELLA JOSEF eram concorridas, ocupando a maior sala da faculdade, lotada de cadeiras: judia, autora de muitos livros, crítica literária, vários prêmios nacionais e internacionais, inclusive da OEA, cultíssima e severíssima, porém muito amada: a maçã com mel do Rosh Hashaná (Ano Novo)! Os grupos não tinham estudado coisa alguma, confiantes em seus líderes. E ESTES bolaram juntos um plano altamente secreto e malicioso – maléfico, não. Entraram na sala com arzinho de santidade: DOIS “anjinhos”, encantos de candura. Ninguém ausente neste dia, muito mais por causa do famoso LUÍS EDMUNDO. Professora anunciou o primeiro grupo de......................... Leu os nomes. Esticou a mão para pegar a papelada. MARLENE com um trabalho de verdade e LUÍS EDMUNDO com um monte de folhas soltas que achara sei lá onde, mais rabiscadas que escritas. A turma toda assistindo, sem perceber ainda o que de fato acontecia no cenário estudantil. Nenhum dos DOIS entregou, recolheram as mãos, professora recuou a mão também, ELES esticaram. E ficaram nisso, a “coitada” esticava a mão para um, para outro, ELES bem calmos recolhiam os papéis, numa situação tensa e ridícula de poucos segundos. Mestra desistiu e já não sabia qual grupo era por escrito, e o outro oral. “E quem vai apresentar, ora bolas, finalmente?” A DUPLA de exóticos atores improvisou uma brigalhada. “EU!!! Esta bruaca (pediu desculpas depois – falou numa falsa agressão, nem sabia o que era bruaca: mulher desqualificada) é que roubou as minhas idéias quando o pessoal todo foi estudar na minha casa...” “Mentira, fessorinha, ELE quer é aparecer...” Só aí a platéia começou a desconfiar. A professora já estava, como se diz popularmente, de ‘saco cheio’, deu uns bons berros, mandou que fizessem como quisessem e resmungou talvez algum xingamento em ídiche ou hebraico, porque aos ouvidos deles foi uma única palavra em som totalmente desconhecido. MARLENE sorriu docemente, falou “Shalom!” em voz melosa, tranquilíssima, e com isso desmontou a catedrática vagamente enraivecida. Começou o “teatro”. Minha PRIMA trocou de cadeira, sentou-se de lado, ao mesmo tempo virada para o auditório e para o quadro-de-giz. Um olho no padre, outro na missa. Apresentava as ações dos personagens, ou seja, a estória propriamente dita e o ‘resumo resumido’ da teoria literária ensaiada pouco antes com o... sócio literário, digamos assim Ao mesmo tempo, LUÊ fazia em silêncio rápidos esquemas no quadro-de- giz; depois ELA ficava quieta e ELE dissecava oralmente os capítulos de uma teoria, resumo já exposto no quadro em complementação ao que a amiga falava (e quase todo mundo copiando nos cadernos...) - explicaram (“sem complicar”, foi o que MARLENE me contou) as diferenças entre tragédia e comédia, depois arquétipos, mitos, o mito dessa estória no contexto de determinad a estação do ano, tudo interligado. A super mestra sorria com as teses apresentadas e sacudia a cabeça em aprovação, fazendo gestos de bater palmas sem um único ruído. Ao final, pediu silêncio geral, disse que tinha sido “enganada” por uma brilhante DUPLA, que não teria tido este sucesso todo, caso um entregasse por escrito e outro apresentasse oralmente. “Foram complementares, excelentes, e a nota é A sem contestação. Parabéns!” Sorvete na cantina para comemorar! LUÈ desabafou: “Que sufoco, MARLENE (esqueceria o nome tempos depois)! Do livro?!... Ah, sim, EU sei apenas o nome da novela, do autor e o amarelo da capa do seu livro.” “Errou, LUÊZINHO. A capa é verde!” ----------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: *1 – O norte-americano OLIVER HARDY, o Gordo, e o britânico STAN LAUREL, o Magro, formaram de 1926 a 1950 a mais famosa dupla cômica do cinema; em 1927 realizaram 13 comédias de sucesso. Com um humor inteligente e visual, em 1929 a dupla entrou sem problemas no cinema falado, chegando a um total de 99 filmes. *2 - Novela, estilo literário (não confundir com telenovela, embora esta possa se basear no enredo daquela). Novela - ações individualizadas, um personagem em destaque, intriga menos complexa, narrativa mais breve. Romance - várias ações, vários acontecimentos, intriga mais complexa, maior profundidade do estudo psicológico dos personagens. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2013
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 402 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Chorei...de rir! Imaginei o "teatro" improvisado de dois alunos inteligentíssimos e... trapaceiros sadios. Veja que coincidência fenomenológica - há poucos minutos vi dentro de um livro recortezinhos com os rostos de Oliver e de Stan.

Postado por lucia maria em 15-05-2013

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.