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DOIS RAIOS CAINDO NO MESMO LUGAR



					    
RUBEMAR ALVES E por que não? Por incrível, aconteceu duas vezes na mesma casa e na mesma família! Apenas cerca de meio século depois. Desde a Primeira Guerra Mundial e em especial na Segunda com muito maior freqüência, as autoridades supremas dos países solicitavam a troca de cartas entre “madrinhas de guerra”, no papel de incentivadoras de coragem, e soldados no ‘front’ (linha de frente), ainda que jamais viessem a se conhecer: não exatamente cartas “para” namoro. Unidades militares se encarregavam da entrega dos envelopes. Mais tarde, criaram-se muitos clubes de correspondência, em revistas e clubes de estudantes, pessoas de diferentes cidades ou países trocando amistosamente cartas, fotos, postais, folhetos etc. Hoje usa-se a Internet em tempo real. Um AMIGO correspondente de Campinas, interior de São Paulo, iria ao Rio de Janeiro com o PAI, este em viagem de trabalho, conhecer determinada SENHORITA a quem escrevia desde o terceiro ano ginasial, ambos na época bem novinhos. Falou a semana, acertaram o dia exato. Ficariam em hotel. A AVÓ, setenta e poucos anos, estava sozinha em casa naquele momento. Meio-dia em ponto, bateram à porta: um homem de seus 50 anos e um rapaz regulando a idade da NETA, pele muito clara, alourados. A SENHORA não deu tempo que ELES falassem (não havia tantos assaltos, na época): mandou entrar, foi logo colocando almoço nos pratos, dizendo que a NETA tinha ido procurar um telefone público (ainda não existia o ‘orelhão’ de rua) e já devia estar chegando... Era ainda aquele telefone preto, grande, na parede das lojas, aparece em filmes antigos, hoje quase peça de museu; acontece que encontrou a caminho dois telefones enguiçados e foi muito longe para um terceiro. ELES comeram, agradeceram e saíram logo, o que a deixou muito decepcionada com a falta de educação dos “amigos da NETA”. Esqueceram um embrulho no sofá (as DUAS só viram algum tempo depois) e foram embora. ELA chegou com a notícia que o AMIGO e o PAI, atrasados desde as dez horas da manhã, só poderiam vir no dia seguinte. E quem almoçara ali? Abriram o tal embrulho e era “um conto do vigário” ou “do paco” (abreviatura de pacote) - duas notas verdadeiras do dinheiro corrente da época (valor não muito alto, mas num certo sentido ‘pagou’ as duas refeições) e o resto era tudo em pedaços de jornal que pretendiam trocar por um objeto de valor: de preferência jóia de ouro e pedra preciosa... com um ingênuo qualquer. Lá no futuro, ELA era a AVÓ. Professora aposentada de Português-Literatura. Estudara numa excelente faculdade federal - rompia madrugada com os livros. A NETA freqüentava com freqüência as diferentes salas de bate-papo (a AVÓ também!), conversando com as mais variadas pessoas, imprimindo as “cartinhas sem selo” quando se tratasse de e-mails. Cidades modernamente mostradas através de links e as pessoas se exibiam pela Web cam. Só que a AVÓ de agora não é a boazinha hospitaleira de antigamente... Desconfiada, braba - até se alguém tentar provar alguma coisa, ELA contesta a ver acidade legal de tudo ou declaração com aparente firma reconhecida. Geminiana comunicativa e super investigativa, não deixa escapar detalhes ínfimos. Omitir, ainda passa; mentir para ELA é gerar súbita guerra! Lema do “eu tenho razão até quando não tenho razão”; confiável, amiga sincera e fiel. A AVÓ estava sozinha em casa naquele momento. Meio-dia em ponto, tocaram a campainha: um homem de seus 50 anos e um rapaz regulando a idade da NETA, pele muito clara, alourados. A SENHORA deu tempo que ELES falassem (atendera pela janela com grade): amigos virtuais de outro bairro e tinham vindo conhecer. ELA, de super memória detalhista, lembrou estória semelhante de décadas passadas e serviu apenas, a pedido de AMBOS, dois copos com... água da bica. Mandou que esperassem na calçada, alegou estar procurando a chave (não perde nunca) e avisou a NETA pelo celular – bruta fila no supermercado, que a AVÓ os distraísse até ELA chegar......... Improvisou assunto moderno de faculdade, cercou daqui e dali, fez inúmeras perguntas, sufocou-os em confusão mental e os DOIS contaram que o PAI era professor de Direito e o FILHO ainda acadêmico na mesma faculdade. Possível. “Onde?” Danadíssima, ELA ‘a-di-vi-nhou’ a resposta fatídica. Prática de vida. “Largo de São Francisco, nas *Arcadas...” As legítimas Arcadas são sempre mencionadas em telenovelas de época, os filhos abolicionistas dos fazendeiros ricos questionando as eternas lutas raciais e das classes sociais etc. etc. etc. – ah, mas no Largo de São Francisco em... São Paulo. No Rio, também um largo com este mesmo nome (tem a Igreja de São Francisco de Paula) e o prédio da faculdade federal em arcos também. Vigarista não conhece, confunde e sempre se diz estudante de Direito, ali, nesse prédio antigão onde funcionara por muitos anos Engenharia, mudada para a Cidade Universitária, e o espaço estudantil – bem no centro da cidade – passou a alojar Ciências Sociais, até hoje. A NETA chegou com a notícia que o AMIGO e o PAI, atrasados desde as dez horas da manhã, só poderiam vir no dia seguinte. E quem seriam estes? A moça encarou a AVÓ de frente, apertou os olhos um tantinho de nada e numa simples troca de olhares as DUAS se comunicaram. Por sorte ia passando um AMIGO Gigante, moço chegado a pilates, esportes, lutas, capoeira, estas coisas todas... em traje de judô. Chamou e apresentou como namorado (o coitado, que é advogado e escritor, já se imaginou casado com a aprendiz de fera, set e filhos berrando e chorando em volta dele, 4 nomes iniciados em R, como o pai, e 3 em L, como a mãe - tai, bom assunto para um futuro conto). Os visitantes se sentiram confusos. “Ah, bom, se é assim...” Gaguejaram, se enrolaram e foram saindo apressados. Na verdade, a NETA esperava gente oriental, de São Paulo: um AMIGO jovem e o PAI químico (nada a ver com estes pilantras), que a orientaria sobre a fabricação de sabonetes e velas artesanais - AMIGO nissei por parte de MÃE, sansei por parte de PAI. Na pressa da fuga, os vigaristas deixaram cair na calçada um embrulho – duas notas verdadeiras......... (o leitor já sabe). ‘Pagaram’ a água e ainda deu para comprar alguns bombons de sakura, isto é, de cereja. Sayonara! ----------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *Faculdade de Direito da USP, a mais antiga do país, criada por uma lei imperial em 1827, com este apelido em alusão a sua arquitetura. Nela estudaram e lecionaram muitas figuras ilustres de nosso país. Sayonara - adeus no idioma japonês. F I M
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Comentários dos leitores

1-Pois é, o velho golpe sempre igual. 2-Esposa-fera, hein? Nada disso e sim uma doce Branca Adormecida com Sete Anõezinhos ao redor (belo conto!). 3-Gigante bonzinho é sempre amigo. Parabéns!

Postado por lucia maria em 21-05-2013

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