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PAULISTANO PERDIDO NA CIDADE MARAVILHOSA-PARTE II



					    
RUBEMAR ALVES Segunda viagem. Era finalmente o momento de conhecer outros lugares tradicionais no Rio de Janeiro. Escolheu em primeiro lugar o bairro do Catete, início da zona sul. RESTAURANTE LAMAS - Fundado em 1874 (ano da invenção do bonde elétrico, ainda longe de nós), no local onde o bonde viria fazer a curva no (futuro) largo do... Machado. “O melhor filé da cidade”, citado até em músicas, como “Rio Antigo”, na voz da maranhense ALCIONE. Ah, e também os bolinhos de bacalhau... Ali, o presidente GETÚLIO VARGAS tomava o chá das 5 num intervalo palaciano. Clientes (freguês nem sempre é constante)? Tantos... MACHADO DE ASSIS (o bruxo do Cosme Velho), RUI BARBOSA (o Águia de Haia), JOÃO DO RIO (jornalista, cronista, teatrólogo), MONTEIRO LOBATO (advogado, fazendeiro e escritor), a nata da intelectualidade carioca - refeição, licor, charuto. Paulistano, agora se achando um tanto cariocado, deixou de lado os arremedos de traje antigo, entrou de bermuda desbotada, camisa de malha sem desenho algum, sandália em tiras largas de couro. Encarou um filé ao molho madeira, arroz com gemas, salada de palmito e... pudim de leite condensado. (Pediu para embrulhar torta ‘diet’ de amora e três profiteroles, para lanche na hora do futebol noturno pela tevê.) Para beber? “Ah, vai um refrigerante zero, de cola. Copo de vidro, por favor. Uma latinha para levar.” Licor (pensou na palavra ‘digestivo’, sorriu sozinho), ainda aceitou uma dose de cacau. Nem ousou citar charuto - ririam dele, por certo. Um transeunte resmungão, meio velhote, olhou para ele, tirou o boné, falou “Boníssima tarde!” - paulistano se sentiu ante Bentinho fundido a José Dias, ressuscitados. Arrepiou-se. Voltou no espaço urbano e desta vez achou o RESTAURANTE COSMOPOLITA. Fundado em 1926 por espanhóis, na Lapa, quase centro da cidade, próximo ao antigo Palácio Monroe, sede do Senado Federal, daí o apelido “Senadinho”, frequentado por políticos e diplomatas, como o embaixador OSWALDO ARANHA, então senador e cliente assíduo da casa, que pedia sempre a mesma coisa na hora do almoço: filé alto (inovação é o contrafilé fatiado), mal passado e temperado com muito alho frito, servido com arroz, farofa de ovos e batatas fritas portuguesas. O prato ganhou nome: FILÉ À OSVALDO ARANHA. Até hoje a culinária passeia entre Portugal, Espanha e Brasil. (Morador das proximidades, no Cosme Velho, instruiu também o cozinheiro do LAMAS sobre a sua predileção alimentar.) Ah, e como sempre os bolinhos de bacalhau... Necessária respeitosa gravata para comer filé idealizado por diplomata? (Ih, até rimou.) Do nada, bateu no paulistano uma dúvida terrível. Com aquela camisa pra lá de esportiva, não poderia exibir gravata borboleta (ou poderia?) à imitação de gente mais antiga. Pesquisara, vira dois homens famosos com a tal gravata e sua memória vacilou e ntre o diplomata do Rio Grande do Sul e o escritor de Minas Gerais. Além disso, o tal acessório tinha ficado dentro da mala, no hotel. Missão comprida cumprida, entrou numa loja da SAARA, mistura pacífica de árabes-judeus-orientais-outros, comprou uma sunga preta e... mergulhou no mar. Após SÃO PAULO X FLAMENGO, quem sabe um gostoso samba e a companhia de uma... carioca?! Nunca mais perdido! Desta vez, ELE se “achou”! ---------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: 1859 - Início do bonde puxado a burro no Rio de Janeiro; 1892 - Agora bonde elétrico! Leiam O BONDE DE BURROS, genial conto do não menos genial MACHADO DE ASSIS. OSWALDO ARANHA - Gaúcho, 1894/1960 - advogado, político, diplomata, morador do Cosme Velho, um dos articuladores do Estado de Israel: como homenagem, rua com o seu nome em Tel-Aviv e Bersebá, Israel, e no bairro do Bonfim, de muitos judeus, em Porto Alegre. JOÃO GUIMARÃES ROSA - Mineiro, 1908/1967 - médico, diplomata, escritor - coleção de suas gravatas expostas em Museu Guimarães Rosa, em Cordisburgo, sua terra natal. F I M
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Comentários dos leitores

Cadê o Paulistano I? Adorei este passeio II. "Ele" foi nos lugares certos e lembrou, talvez, uma encarnação anterior num Rio intelectual e mais calmo. Meu coração carioca agradece. Boa literatura!

Postado por lucia maria em 24-05-2013

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