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ERA UMA VEZ...



					    
RUBEMAR ALVES ...uma mulher (tida por...) BRUXA. Ameaçava as pessoas sob qualquer pretexto e era criminosamente racista e todinha preconceituosa. Assumia-se, porém errando povos, geografia e tempo histórico. “Sou contra gregos e... ‘romanos’ do Reno que não concordem comigo. Só aceito adrianos puros. Viva a interrogação!”. (Provavelmente, ELA queria dizer arianos e Inquisição.) Como CENÁRIO, uma RUA qualquer suburbana, que pode ser no Rio de Janeiro, em São Paulo ou qualquer outra cidade do mundo. Bairro mais ou menos evoluído, ultimamente até com shopping, cinema e motel. ELA foi uma das primeiras pessoas a comprar terreno em rua ainda não asfaltada, primitivo paraíso de pequenos LAGARTOS e SAPOS, e se intitulava IMPERATRIZ. Cedia água para as casas que iam surgindo recém-construídas e com isso comprava amizades e boa fama. Ao longo das décadas, tinha sido AVE DE MAU AGOURO. Caso simpatizasse com duas pessoas, durante um tempo curto passava falsos recados elogiosos (com pratinho de doce...) como se uma admirasse a outra de longe, até que as apresentava e tornavam-se amigas, embora sem quaisquer afinidades. Ah, mas se não gostasse de uma delas em dupla já formada sem a sua “bênção”, a coisa tomava rumo inverso: o disse-me-disse num tempo recorde, menos que curto, as separava, fosse gente amiga, namorados, até mesmo marido e mulher, tolos que acreditavam em calúnias bem urdidas. Mania de respeitar a outra pessoa apenas porque “tem mais idade”... quase octogenária... Não pode ser assim se a outra pessoa é filha direta e predileta do DI... (Esqueça, caro leitor!) E como é preciso existirem os idiotas para os espertos se sobressaírem, ELA era consultada sobre tolices ingênuas, porque reduzia a inteligência de muitos a zero e estes iam espontaneamente colher “ensinamentos” facílimos – recortava os tais ensinamentos úteis (como tirar certas manchas, lua certa para cortar cabelo etc.) e receitas culinárias de jornais e revistas. Exibia- se que criou as FÓRMULAS e as POÇÕES MÁGICAS num momento de inspiração. Ahn, inventava falar francês fluente e traduzia “gateau” (pronúncia ‘gatô’) como “gato” em português. Para ELA, ‘petit gateau au chocolat’ era “gato marrom com apetite”. (Ria à vontade, caro leitor!) Os primeiros moradores que ali chegaram jovens, já tinham em casa netos jovens – moças, rapazes. Um deles, filho do médico local, pensou em roubar um esqueleto guardado no consultório herdado do avô (esta cena um tanto sinistra aparece no romance O ENCONTRO MARCADO, carro-chefe do mineiro FERNANDO SABINO), porém a chave enferrujara dentro da fechadura do armário de vidro. Rolaram outras idéias para assustar a BRUXA, sempre frustradas. Havia no lugar, num barraquinho pobre perto dali, um menino negro com uma perna só. O primeiríssimo aluno da escola pública e grande freqüentador de bibliotecas. Sofrera um acidente, longa temporada no hospital aguardando cirurgia simples num osso quebrado, acabou tendo a perna amputada. Estudou no hospital e em casa, fazia pesquisas sozinho, aprovado para a última série por mérito – um PRÍNCIPE, pode-se dizer. Toda a CORTE, isto é, a vizinhança se cotizou (a BRUXA não deu um tostão e ainda maldisse 1888!), pagaram perna mecânica, adaptou-se rapidinho e teve excelente apoio psicológico. A escola, prédio parecido com um CASTELO com duas torres (chaminés da cozinha), organizou uma excursão para os futuros formandos e justamente num mês de abril visitaram na cidade paulista de Taubaté o famoso SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, em terreno que MONTEIRO LOBATO herdara do avô. Recebidos na entrada por pequenos atores vestidos à caráter, nosso amiguinho quase chorou quando viu um rapazinho na mesma pele, idade e condições físicas dele. Brincalhão, talvez intuitivamente (segundo WILLIAM SHAKESPEARE, mistérios além da “nossa vã filosofia”...), ELE deixara a perna no ônibus interestadual. Primeiro AMBOS se espantaram juntos (não era um espelho e usavam trajes curtos diferentes), depois os DOIS caíram na gargalhada. Trocaram experiências sobre acidente e atendimento médico igualzinho. Pobre sofre! impressionante. Passaram a trocar e-mails. Lan house, grande solução. Na viagem de volta, a figura teatral do SACI-PERERÊ não lhe saía do pensamento. A rapaziada toda contribuiu. Compraram um tecido vermelho, cetim brilhoso, e a costureira local, também vítima de maledicências da BRUXA, fez uma calçola curta e uma carapuça. Peito nu é mais convincente (camisa do Flamengo de que jeito?). Escolheram uma noite de lua cheia, único medo da falsa BRUXA. A casa não é totalmente frente de rua. Há um jardinzinho mal cuidado, com pequenas árvores magras em que se enroscam certas trepadeiras de folhas largas e na mureta a dama-da-noite exala muito perfume. Um longo assobio agudo, no ar um cheiro de tabaco inglês legítimo. Nada. Ao terceiro assobio insistente, a mulher veio espiar. Abriu a porta da sala. Inesperado friozinho de outono, rua deserta. Num canto, ELA viu o fogo do cachimbo e uma parte do calção vermelho. Pois é! Tremer como vara verde é isso aí. Tremeu e em minutos se urinou toda. O aroma forte da flor num certo sentido fez com que o menino soltasse uma voz enrouquecida, irreconhecível para quem fosse íntimo dele, algum companheiro de pelada (bom e incrível goleiro: Papai do Céu sempre ajuda os bons meninos). Embaralhou um pouco o texto decorado e disse ter vindo... do além. “Mas além não é o mundo dos mortos, além-túmulo?” – ELE pensou. Foi em frente. Acusou a mulher de “levinha” (gorda daquele jeito?), pigarreou, emendou para leviana. Que seja... Aliás, empolgou-se e o discurso foi muito além da conta. Desabafou o pensamento geral da rua, do bairro................. Por conta própria, ELA se ajoelhou, as duas mãos numa Bíblia invisível (aí, SACI-PERERÊ já exagerando) e jurou mudança de comportamento. Fechou a casa com estrondo ante gargalhada sinistra do ‘ser do outro mundo’ e da rapaziada espalhada, encostada em muros. Tudo cronometrado, certinho. Um coro e tanto. Logo que amanheceu, sol ainda bocejando preguiçoso, a mulher correu para a igreja católica, dirigiu-se à casa paroquial nos fundos do terreno, bateu na porta do quarto do padre que a atendeu assustado, de pijama, antes das seis da manhã. “Por caridade, ponha a mão na minha cabeça. Ontem assombração perneta me visitou.” Não contou nada, foi embora literalmente correndo, levou um tombo violento na calçada, sem testemunhas. ELA mesma espalhou o assunto. Uns vizinhos até acharam que estaria bêbada ou iniciando Alzheimer. O vizinho advogado, proprietário do cachimbo e colaborador da trama, que lera MIGUEL DE CERVANTES em DOM QUIXOTE, passou a dizer a todo momento: “YO NO CREO EM BRUJAS, PERO QUE LAS HAY, LAS HAY.” Os rapazes se mostraram cinicamente ‘crédulos’: “Por que a senhora não pediu socorro? Viríamos unidos espantar o SACI...” Fizeram ‘vaquinha’ para o pagamento do artista que recebeu emocionado 500 reais, comprou roupas e três livros, por fora ainda um tênis novinho de loja. Improvisaram uma festa para o MISTER UTILIDADE PÚBLICA. Bandejas de petit gateau, pode? A louca nunca se curou totalmente da língua ferina, mas a partir daí os vizinhos ficaram mais espertos e passaram a dizer na cara que ELA tomasse cuidado com o SACI-PERERÊ, castigo brabo numa segunda visita. F I M
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Comentários dos leitores

Tive uma vizinha "parecida" com esta maledicente, ela não me aguentava e comandei um "susto" parecido com este. Parabéns!

Postado por lucia maria em 30-05-2013

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