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CURTAS FÉRIAS ESCOLARES: MEMÓRIAS...



					    
RUBEMAR ALVES Incrível! No dia exato do aniversário da “OUTRA”, início de setembro, quase sessenta anos depois, minha tia a viu, corpo de mocinha, vestida no traje típico de normalista (retrato colorido neste primeiro dia), segurando uma rosa vermelha, devoção à Santa Teresinha de Lisieux - quando conscientizou, “GICELDA!”, a figura de ratinha miúda desapareceu. ----------------------------------------------------------------------------- A casa era mais ou menos perto da praia. A amiga da minha tia apenas oito meses mais velha. No verão de 1954, UMA 15, OUTRA 14 anos. Ora, aparentada com essa gente, exigiu que o homem fosse buscar minha tia em casa para... “estudarem” José de Alencar, Bilac, colonização portuguesa na África, l a t i m, análise sintática, equações do ... (de que grau mesmo?), estas coisas todas. Leitor vai fazer de conta que acredita piamente em DUAS garotas, UMA a caminho do curso Normal, OUTRA finalista Ginasiana, “bonitinhas e nada ordinárias”. Ave, Nelson Rodrigues! Poucos dias para não desesperarem os hospedeiros. Os donos da casa eram uma mistura de povos. Marido português; mulher brasileira descendente de ingleses, alemães e espanhóis. Casaram tardiamente e o filho demorou a chegar. Super protegido. Rebelde por natureza, doido para se libertar da redoma, de tudo e de todos. Muito mais velho que as meninas hóspedes. AMBAS não tinham maiô. Para UMA, dona da casa recortou e diminuiu na máquina de costura seu próprio antigo que perdera a elasticidade; a OUTRA ganhou um, “novinho”, costurado de velha toalha de mesa aveludada. Feios, esquisitos, mas no mínimo originais. Improvisaram provérbio: “Quem não tem cão, que roa o osso!” A mãe oferecia moedas para vigiarem o filho na praia. “Ele tem um colega japonês que ensina lutas e eu não gosto.” No outro dia era “o colega baiano, aquele da capoeira e do berimbau”. O filho, num barco a remo com duas ou três garotas, oferecia moedas para dizerem que não o viram. As DUAS somavam o dinheiro e gastavam parte em picolé na beira da praia, parte em doces no armazém do grego, localidade com muitos estrangeiros comerciantes no térreo e moradores no primeiro andar. Sem problema . Esse grego fechava a loja num “almoço mediterrâneo” de quatro horas, ELAS tocavam a campainha e as gulodices desciam por uma cordinha. A mesma coisa: “Viram meu filho? Tem dois bombons de graça para VOCÊS!” DUAS nada sherloquianas que “nunca” viam nada nem ninguém, duplamente gratifi cadas. Mordiam um cachimbo de chocolate e diziam-se mutuamente: “Elementar, meu caro Watson! Com este fog londrino, minha visão fica tão ofuscaaaaada...” Aprenderam dança grega coletiva e também quebraram pratos. Conheceram açaí, graviola e umbu, que vizinha deu de presente. Desmentiram com muita franqueza e naturalidade marido desta vizinha, vereador faroleiro, contando estória de ter alugado carro “legítimo europeu” na Europa (ué, queria o quê?) e atravessado a “fronteira” Portugal - França. Evitaram um seqüestro (já naquele tempo). Casal separado, marido iria fugir com o filho bebê para o Sul do país, amordaçou e trancou a mulher no porão de uma casa abandonada. Viram. Ambas no terreno da tal casa - GI no alto da árvore e minha tia aparando as mangas com a saia. Viram em que casa ele entrou. Foram corajosamente e sozinhas à delegacia, o inspetor de polícia disse que deviam estar vendo filmes demais; em todo caso, foi conferir - cidadão preso em casa, fazendo as malas. Ganharam duas bandeiri nhas um tanto rasgadas que enfeitavam uma parede. Guardaram por décadas como troféu. Aprenderam a cortar bonequinhos de jornal dobrado - meninos e meninas de mãos dadas. A dona da casa só tomava chá preto de marca bastante cara, importado, ou alguém trazia direto da Inglaterra, numa “chávena” (falava assim mesmo) de *porcelana-não-sei-de-onde com açúcar de tablete e 3 gotas de legítimo uísque escocês. Nossas personagens da vida real passaram a comer, dentro da garagem, pão francês, pequeno, com 3 gotas também. Se desse “bode”, fácil deixarem a acusação cair no marido que descaradamente mexia na garrafa também; se houvesse flagrante, era só simular uma cena de sonambulismo. Ajudaram o padre a vender, de porta em porta, ingressos baratinhos para um filme no salão paroquial - LUZES DA RIBALTA, com Charles Chaplin, inédito, antes mesmo da apresentação pública nos cinemas. Final triste: choraram abraçadinhas. Às escondidas (quem não se esconde?), aprenderam com uma beata a rezar o Pai-Nosso de trás para a frente: amansar inimigos e afugentar olho-grande. Havia um pote de um café quase solúvel (que talvez ainda não existisse no Brasil), finíssimo, e conseguiram quebrar o pote, misturando pó e cacos miúdos. Ah, compraram pote igual no bazar ali perto. Mas e o pó? Arranjaram pó comum, bateram no liquidificador da vizinha argentina (alegaram a dona da casa fazendo a sesta, não queriam incomodar), pouco se desfez, não deu certo, o rapaz da casa assumiu a culpa, não era assim tão grande quantidade, misturou açúcar, ainda não deu certo, juntaram ovos batidos, manteiga, fubá e fermento - colher de pau: bolo mal feito, mas bolo. Minha tia argumentou ser “bolo de milho com café - índia mulher de bandeirante paulista fazia.” Bandeirante? Ramalho ou Caramuru? Deram palpite de borboleta para o jogo do bicho: grupo 4, dezena 16: filho da casa ganhou. Em cinco dias (porque não viram antes), esvaziaram uma garrafa inteira (um litro) de mel de abelhas, trazido de São Lourenço, Minas Gerais, porque GI simulou estar lendo um romance onde a protagonista tinha olhos cor de mel e queriam ver como era. Flagrante literário: “Que livro?” GI ficou nervosa: “A Moreninha, aquele do autor médico Alencar de Assis.........” Era revista de quadrinhos oculto dentro do livro de matemática. Viram de pertinho maestro Heitor Villa-Lobos com charuto, violão e a amada Arminda-Mindinha. A semana acabou depressa. --------------------------------------------------------------------------- Lá no futuro, marido trocaria GI por outra mais nova que o filho deles, acusando a esposa de ter “produzido” uma filha muito bonita, fisicamente toda delicadinha, porém diagnosticada com Síndrome de Down. A segunda apenas o escolheu reprodutor pelo aspecto físico e o chutou quando a criança nasceu, trocando-o por outro uns vinte anos mais novo. Pois é, “Papai do Céu”, pisca, cochila, tem terçol, conjuntivite, glaucoma, põe colírio todos os dias, mas não dorme nunca e enxerga até o interior de todo mundo - o *Olho da Providência. --------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *Porcelana da Companhia das Índias - na verdade, louça originária da China, cerâmica de massa muito fina, translúcida, quase transparente, comercializada atrás de empresas de navegação desde 1481. *Um olho cercado por raios de luz ou em glória, dentro ou em cima de um triângulo ou pirâmide. Símbolo da Maçonaria, pode se interpretado ou não com a representação do olho de Deus observando a humanidade. F I M
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Comentários dos leitores

Se alguém confidenciar algo no ouvido de Rubemarzinho, logo vira estória apenas "com cara" de ficção... Estas duas, na minha família, afirmam férias marrravilhosas e inesquecíveis na Ilha do Governador. Gostei!

Postado por lucia maria em 01-06-2013

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