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BRUXA FANTASIOSA



					    
RUBEMAR ALVES Professora de português e literatura, ELA lidava quase todo dia com os encantadores e maravilhosos contos de fada dos Irmãos Grimm. Intertextualidade. Era assim: Todo mundo conhece as estórias de Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Rapunzel e outras. Daí, repetia oralmente a estória para os aluninhos estreantes na 5ª série (6º ano em nova nomenclatura) e o trabalho de redação era contar algo parecido, podendo modificar à vontade, permanecendo a idéia básica para leitor reconhecer ali os personagens originais. Tudo muito simples (plágio é outra coisa, ELA explicou direitinho). A garotada gostava, incluíam assuntos de casa e os familiares que logo viravam personagens, faziam desenhos, as meninas davam gritinhos de entusiasmo, improvisavam maquilagens exóticas, os mais corajosos e as “valentinas” (da telenovela global ETERNA MAGIA) faziam dobraduras de chapéu pontudo, aulas sempre alegres e divertidas, não aquele fatídica aula de “redação-sob-tema-horroroso-desagradável-e-geralmente-difícil-de-executar- com-um-mínimo-de-15-linhas”. O dilema era algumas vezes a figura da misteriosa bruxa de quem a garotada não gostava muito (boa, só a fadinha da Maria Clara Machado, mas garotada pobre de periferia não vai a teatro!). Por acaso, a professora viu reportagens sérias sobre bruxas modernas, diversificadas sociedades femininas e feministas em várias cidades brasileiras, atualíssimas - leu, amou, recortou e arquivou! Em outras oportunidades, melhores esclarecimentos aos alunos sobre origem da figura da bruxa maléfica na vida real (Inquisição medieval braba!) e que se estendeu na ficção. A vizinha era muitíssimo mais velha, implicante, esse tipo de pessoa que briga teoricamente com a rua inteira e ameaça todo mundo. Uma gripezinha à toa, febre em criança, escorregão e tombo de adulto na casca de banana, falta de luz ou de água, até cartas que não chegavam nunca, pronto: “Foi ela, a bruxa que cria um urubu na gaiola!” Porque se dizia bruxa capaz de destruir qualquer um, independente de cor, sexo, idade, profissão etc. Minha amiga sabia destas fantasias, do medo tolo de muita gente e jurou derrubar esta bruxa fantasiosa - com respeito a muitas religiões, porém nenhum ser humano tem poderes ilimitados... Improvisou um assunto longo, quase imbecil, deu uma volta “diplomática” (ELA, criativíssima Geminiana autêntica) para conquistar o território e sussurrou bem baixinho, um “segredo secreto secretíssimo”: “Ninguém pode saber, mas eu também sou bruxa...................” Grande suspense. Impacto. Lançou a semente da curiosidade tipicamente feminina (se fosse bruxo-homem, teria que usar outra tática, sem interrupção, falando direta o início, o meio e o fim da invencionice), saiu andando sem olhar para trás, vagamente rebolativa em vestido longo vermelho, descalça (“Para sentir a energia do chão” - costumava “explicar”...), raminho com pitangas verdadeiras e jasmim perfumado no cabelo, a vizinha chamou de volta. ELA começou a dizer que era descendente secular (ih, ou milenar?) de mulheres plantadoras de ervas mágicas. Pensou em *mandrágora, uso muito antigo da raiz, planta citada até mesmo em textos bíblicos, fruto parecido com maçã (desviou por segundos o pensamento: torta de maçã com mel, ah, que delícia!) porém com odor forte e fétido... teve pequenas dúvidas, desistiu. O jeito era apelar para o que a mulher não conhecia, baixa escolaridade, tadinha. Não se humilha ninguém por nada desse mundo, fora educada assim, mas os vizinhos estavam muito assustados, em especial as crianças a quem a louca não permitia subir em árvores da praça, correr na calçada, andar de bicicletinha ou gritar: rogava “pragas”.............. Assim, ELA, a “nova bruxa do século XXI”, falou de antigo paganismo celta (?), equinócios (?), solstício de verão no dia mais longo do ano (vizinha perguntou se tinha 30 horas como em certo anúncio bancário), celtas (?), druidismo (vizinha se atrapalhou nas sílabas), Irlanda e País de Gales (onde ficam?), inconsciente coletivo (coletivo de quê? lobos, alcatéia, ilhas, arquipélago, abelhas, colméia? é isso?) da humanidade, arquétipos (?) presentes em lendas e mitos, sagas, pentagrama, incensos (igual a defumador?), ervas, Luz x Sombra, Bem x Mal... O mais divertido foi a criação do ritual (sacrossanta e poderosa imaginação!) - noite de lua cheia, fogueira, canja de galinha roxa ou cor- de-rosa (onde conseguir?) a ser cozida em caldeirão preto, 77 velas (muita vela! - até acender a última, a primeira certamente já teria se consumido...), a presença de 7 moças virgens e 3 mulheres idosas não virgens, todas de mãos dadas ao redor da iniciada, manto roxo de iniciação a ser 3 dias depois afogado no mar revolto meia-noi te em ponto. E daí que ELA deixou a tal vizinha um tanto enlouquecida e baratinada que nem cascuda tonta, cheia de interrogações................. Falava sem parar, agora, não saciando dúvida alguma. Foi lindo. Para quem lê, parece piada, mas não para uma mulher doida que acreditava em suas próprias mentiras. Em três “eternos” meses, vizinha foi morar em outro bairro bem distante. --------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: *Na verdade, a MANDRÁGORA tem propriedades medicinais: afrodisíaca, alucinógena, analgésica e narcótica. Segundo lendas medievais, deviam colher as raízes em noite de lua cheia, puxadas da terra por uma corda presa a um cão preto ou a planta “gritaria” até levar outro invasor à morte. Em lenda, a semente da mandrágora teria sido o sêmen de um enforcado. (Judas?) A MANDRÁGORA - peça escrita em 1503 pelo italiano Nicolau Maquiavel (1469- 1527), considerada um marco inovador do teatro ocidental. PROVÉRBIO (?) ESPANHOL - “Yo non credo em brujas pero que lãs hay las hay.” F I M
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Comentários dos leitores

Já fiz estas divertidas pesquisas... Adoro pessoas imaginativas, criativas, fantasiosas. E para uma bruxa falsa, nada como uma lição inesquecível. Gostei. Bruxos e bruxas se casam? Parabéns!

Postado por lucia maria em 23-06-2013

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