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AMIGOS ESTRANHOS, ESTRANHOS AMIGOS: UM "CASAL?



					    
RUBEMAR ALVES Digitaram-se durante um ano e um mês inteiro, a partir de um dezembro qualquer, tagarelices geralmente inúteis, mas na maior parte do tempo vinha sendo divertido e agradável. Foi assim: ELA, 20 anos, estreando em chats de bate-papo, e de repente ELE apareceu com um nick masculino do barroco francês - talvez não haja ópera, aquela dos muitos quase gritos agudos em italiano, mas é comum opereta mais leve, cinema, teatro, televisão... a estória trágica de um rapaz narigudo tímido perante uma certa prima um tantinho idiota... Ah, ELE é todo culto e ELA não fica nada para trás! Muitos livros em casa. (O médico obstetra foi desagradavelmente interrompido numa leitura no minuto em que ELA resolveu nascer – GRANDE SERTÃO: VEREDAS, do J.G.Rosa. Botou o livro no bolso grande, levou para a sala de parto e sugeriu até o nome Diadorim... a mãe adorou, o pai não aceitou.) Difícil lembrar, porém mais parece que ELE se sentiu atraído, pelo nome dela, “iluminado”... porque ELA geralmente oferecia o nome para conversar e não chamava as outras pessoas – ELE seria talvez “macaco-velho- adorando-meter-a-mão-numa-boa-cumbuca”, sem assumir e confessar o antigo hábito. ELE se dizendo casado, muito mais velho, não chegava a avô dela, mas no mínimo um pai com mais de trinta anos de diferença. Citava ter filhos. Sem detalhe algum. Quantos, o sexo, idade, o que faziam. Ora, não iriam se ver e encontrar nunca mesmo, não custava descrever-se melhor. UM sabia a cidade do outro, “distância de 185 quilômetros, montanha no meio do caminho para atrapalhar”... - ELA pesquisou. Não o sabia gordo-magro, baixo-alto, desbotado-escurão, olhos, cabelos, nada! Fantasma escondidinho no porão... sem ópera! Mulher geralmente declara tudo e ELA falava de pai, mãe, irmão, avó, prima... até descrevia o quarto que nunca teve porta desde bebezinha (não criava bicho algum). A jovem secretariava uma advogada (conhecer a verdadeira luta pela vida: faculdade de letras podia muito bem esperar) – clientes em processo de divórcio atracavam-se, filhos pequenos choravam, ELA dava colo, ‘joaninha ternura’, mulheres querendo pensões altíssimas. Um recém- divorciado, para lá de bem passado em idade, quis casar com ELA no prazo máximo de uma semana... sugestão exótica de um juiz – devolveu as rosas, comeu os bombons. ELA até muito mais se divertia com o ambiente no centro da cidade do que trabalhava, propriamente. Nunca se entediava ou cansava. Professor de português e inglês, ELE escrevia bonito e todo certinho. ELA com três professoras de português ao redor – mãe, tia e avó. Janeiro, férias escolares, era bate-papo quase toda noite, horário esticado. Bom, se ELE algum dia propôs “apimentar” a conversa, EU – narrador – não sei (ou sei?) - se houve o tal sexo virtual, EU – narrador – não sei (ou sei?) - se a transa acabou às quatro da manhã, não sei (não uso relógio de pulso a esta hora e moro longe de ambos, não pude observar casas acesas) - se ninguém de ambas as famílias (cidades um tanto próximas, até...) acordou uma única vez durante a noite e perguntou sobre computador ainda em atividade, também não sei. Em situação semelhante, fosse minha mulher digitando, EU no mínimo desligaria o aparelho. ELA, aparentemente educada e toda delicadinha, no mínimo atiraria computador e marido pela janela - mora no térreo -, sorrisinho de anjo iluminado no rosto tranqüilo. Tranquilo?! Fera brabíssima... Mas a estória ficaria muito sem graça, monótona e rotineira eliminando-se esta parte nada virtuosa. ELE um tanto religioso, ELA eterna descompromissada. Se “pecaram”, o leitor que julgue sozinho. Aí, pode optar a favor ou contra o desejo sexual a tantos quilômetros de distância. Sem “pimenta”, será que ELE e ELA apenas escreveram só tagarelices até quase amanhecer? Inglês comum a AMBOS – não devem ter discutido sobre William Shakespeare: EU, narrador, não perderia tempo com ‘apenas’ literatura – pior, lá das ‘estranjas’ de idioma atravessado... Exatos sete dias depois da “pimenta”, ELE pediu exageradas desculpas, sem definir o assunto exato, frases em duplo sentido, mas embaralhou que tinha sido para ELE “a primeira vez” (sabia que ELA ainda não imprimia nada do bate-papo...) etc. etc. etc. e sumiu da telinha. Mais quatro noites, apareceu OUTRO cidadão com o mesmo nick charmoso (ELA se dirigiu ao fulano como sendo o ‘amigo fugitivo’), muitíssimas coincidências de idiomas e gostos com o tal professor - literatura, mitos e lendas, em especial da Grécia Clássica. Este ELE novo insistia que não era o primeiro cidadão, inclusive era de outro Estado, mais para baixo no mapa, e ELA se sentiu insultada, esquecida, abandonadinha, menosprezada, “como um rato seco esmagado na calçada” (ou na esquina?). Entretanto, vencidos certos obstáculos, havia diferenças na linguagem, chegaram a um acordo de trocarem e-mails, sendo que ELA agora imprimia e arquivava tudo, muito mais experimentada. Imprimia agora de UM e de OUTRO! Sim, porque o antigo reapareceu, voltou, computador enguiçara logo ao início de fevereiro, depois março... período exato em que ELA se acostumara ao novo amigo. Passou a chamá-los secretamente de C – 1 e C – 2. E comentava de 1 para 2, e vice-versa. Ambos reagiam, o antigo querendo primazia, quiçá exclusividade. As brigas rendiam e ELA, de signo bipolar, simplesmente adorava a confusão porque ELA é do tipo capaz de reunir cães e gatos no mesmo ambiente, sem precisar de hipnose. Mansinhos, cão passa a beber leite e gato ansiar por um osso – ELA orgulha-se de dar nó no raciocínio de todos que a cercam: inesquecível até mesmo para eventual inimigo. (Há um TERCEIRO internauta que já ria do primeiro, depois gracejava sobre o segundo, mas ESTE é segredo secretíssimo... nada em comum com ESSES que ainda hoje se dizem “fãs (amores?) incondicionais”...) No aniversário, ao final de maio, o número 1 enviou um longuíssimo poema, citando a rivalidade com o 2 (ELA achou o extremo da indelicadeza) e 9 cartões virtuais coloridos. O número 2 fez um gigantesco e nervoso e-mail antes das 6 da manhã, sincero, educado, sem irônicas citações a ninguém. ELA adora símbolos. Citou 12 pessoas à mesa do jantar, 13 com ELA sentada entre seis e seis, com peixe – pão – água e vinho. Adora testar a intelectualidade alheia. Somente alguns dias depois é que “traduziu”: vatapá de peixe leva pão ralado, sem querer um tanto salgado, água para desafogar, vinho para comemorar. Ahn! E bolo - 21 velas miúdas azuis. Lidar com ELA no dia a dia é complicado – altos vôos de imaginação desde pequena. A pessoa acompanha, ELA desce rapidinho – signo de ar – e o bobo fica lá em cima, eternamente esperando: ELA nunca volta... e ainda deseja que o fulano, sozinho na ilusão, ‘caia em parafuso’. Intervalo com C – 1, boa temporada de meses sem internet constante, foi o que ELE alegou, ligava da escola de raro em raro. Menores intervalos com C – 2, briguinhas quase destrutivas à noite, pouco depois reabilitados em e-mail ao nascer do sol. Mas a vida muda todo dia e ELA descobriu muito maiores afinidades com C...2, que nunca exigiu primazia ou exclusividade (ou apenas pensava, sem ousar escrever?) e viraram uma espécie de cúmplices ou sócios literários, juramentados pelo cérebro. Uma frase dela, ELE estica em três, quatro, cinco páginas... Às vezes até adivinhavam pensamentos, e-mails e assuntos empatados por minutos. Nisto, ELA “namorou” por somente seis curtos meses... (ora, “J. Pinto Fernandes”, que mais parece nome comercial de empório português (o famoso ‘secos-e-molhados’), segundo Drummond, só entrou na história ao final) ...e disse a C – 1 que casou. Geminianos são altamente imaginativos: Anne Frank, Camões, J.G.Rosa, Machado de Assis, Maysa, Sartre............... Mais uma vez, se é verdade, não sei. Bom, a ‘doença psicótica’ de C – 1 há longo tempo vinha sendo e crescendo cada vez pior, mostrando-se mandão, genioso, enérgico, ciumento, venenoso, egoísta, melodramático, didata, só faltou escravocrata para rimar. E ainda sem saber da união intelectual de C – 2 e ELA. Ah, se soubesse... A gota que faltava, como se diz popularmente, foi um acento agudo que ELA colocou a mais numa palavra - para ELE, erro “grave” de ortografia num e-mail muitíssimo bem redigido. Para que fez isto? ELA nitidamente enlouqueceu... Usou com ELE um atropelo de irônicas “farpas”... escreveu literalmente a palavra ‘farpas’. Não sei se inspirada nos folhetins mensais de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, publicados entre 1871 a 1882 – quando ELA pelo menos ouve falar, sai logo em frente, aplicando. ELA atrevidinha e ESTE revidava sempre. Aí, é que casou sem antecipar a notícia. Não disse “irei casar” e sim “casei”... Descreveu em detalhes casamento civil, num outro dezembro, um ano após terem iniciado a troca de e-mails: saia e casaquinho azuis, flor no cabelo, bolo pequeno, champanhe, alguns dias muito chuvosos em hotel perto de casa, mas às escondidas para ninguém chatear (não lê mistérios: prefere criá-los e sempre muito bem). Contudo, ELE a parabenizou pelo casamento, aconselhou (“Ai, que saco!” – ELA não dá nem aceita conselhos, além daqueles nas revistas femininas que orientam em certas lides domésticas) e sugeriu dias de trégua. Não. ELA , demoníaca em azul claro, odeia armistício, declarou guerra in-santa (existe essa palavra?) e que deletará sem ler qualquer possível e-mail em que ELE peça desculpas a ELA que sempre diz de si própria: “Tenho razão até quando não tenho razão!” ( Por favor, informem urgente se souberem a verdadeira origem desta frase, citada até em telenovelas.) Em e-mail curto, grosso e objetivo, solução drástica foi declarar-se inexistente como carne e osso reais, há mais de um ano fruto imaginário da cabeça de uma escritora, ELE usado como “laboratório”. Não comprometam aqui este narrador inocente: não sei de nada, tá? Se ELA não existe, C – 2 é sócio literário de quem? ELA será eternamente para o tal professor a jovem personagem dentro e fora iluminada de quem ELE nunca exigiu uma fotografia? Enciclopédica e envolvente senhorita L(3)M......... L(4)M pelo casamento! Sobre amor versus ódio: GABRIELA de Ilhéus foi inspirada numa cozinheira de verdade, mas até hoje o Brasil ama de fato é a linda mulata que foi pegar uma pipa lá no alto do telhado. AQUELA que para o ato do amor convidava: “Moço bonito!...” Talvez odeiem ODETE ROITMAN, porém ESTA jamais sairá da cabeça e da memória dos brasileiros. A termos inimiga, que seja uma admirável super poderosa! (Morreu num momento de santa inocência, tadinha!) Enciclopédicas ATRIZES maravilhosas! F I M
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Comentários dos leitores

Existia num tempo antigo a coroa de louros para os vitoriosos. Assim, este professor C-1 pode ter chegado antes, era a lebre, sentou, parou, veio o encantador C-2, tartaruga espertona, que depois venceu. Parabéns!

Postado por lucia maria em 23-06-2013

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