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SALADA BRASILEIRA COM EXCELENTE SABOR



					    
RUBEMAR ALVES CYRO e ROSANA. Predestinados. Reencarnados. Almas gêmeas? Não sei. Apelido dele? “SENHOR DE BERGERAC.” Produto do cruzamento árabe- judaico, tinha um nariz exagerado, desproporcional, mais do que proeminente. Orelhas grandes também, que conseguia disfarçar com cabelos um tanto compridos e de vez em quando um lenço à moda cigana. Não havia como esconder o nariz......... Às vezes óculos de grau zero, pura transparência, que comprara em loja de artigos teatrais - disfarçava um pouco... Inteligentíssimo, simpatia irradiante, popular, grande orador, fazia o jornal mura l da escola, amigo de todo mundo, sem preconceito algum. ELA, bonequinha loura de olhos um tanto apertados, mistura exótica de miúda francesinha (já viram filmes antigos de Brigite Bardot?) com boneca japonesa. Miscelânea genética. Vivia até certo ponto na dependência e proteção do amigo, meio primo, meio irmão, pelos anos em que se conheciam. Não, caros leitores, eu não vou contar estória trágica, todos sobreviverão aqui: podem guardar o lencinho das lágrimas! ELE e ELA nasceram no mesmo hospital e ocuparam o mesmo berço, número 3 (trilogia como perfeição de formas, trindade em todas as tradições, equilíbrio universal)... com poucos anos de diferença. Uns cinco? Talvez. Dizem que em casa ELE chorou no momento em que a mãe dela, ainda no laboratório, recebeu a confirmação da gravidez (casal jovem recusou ultra- sonografia e somente soube o sexo do bebê na hora do nascimento) – mais tarde, como um profeta, ELE tocava de leve a barriga da vizinha e balbuciava com emoção “minha mulher”. Crianças são anjos antes dos sete anos, mas adulto nunca acredita. ELA acabando a alfabetização e ELE já senhor de muitas letras viviam preocupados um com o outro. “Lanchou?” “Eu trouxe quibe para você...” “Maçã com mel?” Eram um previsível casal – ninguém conhecido interrompia, se aproximava. Colégio granfinérrimo, de altíssimas experimentações pedagógicas, ‘ecumenismo’ até nos métodos de ensino - Dewey, Montessori, Waldorf... salada brasileira dá certo sempre. Não propriamente aulas de religião, mas os diferentes sacerdotes se confraternizavam, quando convidados para alguma palestra educativa, sempre incluindo famílias dos alunos. Cresceram. Os maiores amigos do mundo. Fiéis. Felizes. CHRISTIAN. Do nada, surgiu o argelino, tendo sempre inclinações políticas, ainda que bastante jovem. Folheava Albert Camus, o escritor e filósofo argelino como ele, desde tenra idade – não entendia lá muito bem, absurdismo é de fato absurdo, mas lia para agradar os pais, com boa pronúncia do francês, já era satisfatório. Cedo ainda, mas diante do espelho fazia caras e bocas e treinava dizer “je t’aime, mon amour”. Como previsto, CYRO secretamente apaixonado e CHRISTIAN altamente explícito. ELA não percebia um, esnobava o outro. Nas aulas de português, CYRO era destaque. Interpretava como poucos, dava novas versões a textos estudados, recriava, escrevia muitíssimo bem, fazia letras para os colegas violeiros, poeta inspiradíssimo. Não cobrava nada de ninguém – bastava que dissessem “foi-ELE-que-fez” e se sentia psicologicamente condecorado. Ninguém nunca lhe roubava a autoria, sempre respeitado como um grande amigo. Ajudava todo mundo. Escrever e falar bonito era com ELE! Frustrado e ao mesmo tempo seguro no amor - tempo de espera. Toda escrita tem o estilo pessoal do criador. As idéias, uma determinada palavra usada com maior freqüência, o uso estilístico da pontuação, sei lá. Nitidamente distinguimos Machado de Assis de Alencar, sem dúvida Camões de Vinícius, Chico de Toquinho... É o “sangue” do autor. ROSANA passou a receber cartinhas anônimas e poemas. Lia, sorria, rasgava. CHRISTIAN ora usava caneta ora digitava e passou a colocar a letra C. Mesmo um tanto curiosa, a garota continuou rasgando. Passou a assinar. Aí, quando se sabe de onde vem a declaração, gavetinha da estante... Guardou sem responder. Encucada. Encucadíssima. Gostava de impor aos outros e adivinhar enigmas para si própria. Papéis agora vinham perfumados – não reconheceu cheiro de colônia masculina – parecia sabonete comum, nada especial de catálogos ou importados granfinos. Impossível vigiar clientela do mercadinho ou da farmácia locais. Havia qualquer coisa naqueles papéis que ainda não conseguira perceber. Linguagem simples, um ou outro erro de concordância, de ortografia, ou de alguém mais culto que talvez simplificasse a linguagem e cometesse erros bobos de propósito? Malícia passou de perto, de longe e em minutos se foi. CHRISTIAN não falava diretamente com ROSANA, os manuscritos chegavam por um portador – “Alguém mandou lhe entregar...” – ou apareciam sob a porta da sala. Também não agradecia. Não sabia como proceder, dizer o quê? Férias escolares a partir de meados de dezembro. Regresso geral na segunda quinzena de fevereiro. Apenas convocados para antes alunos em segunda oportunidade para aprovação. História e língua portuguesa: CHRISTIAN. “CHRISTIAN?” ELA olhou a lista de nomes três vezes. Engano? Bom, ele que visse e averiguasse o engano da secretaria. Estranhou sem se abalar. E as discussões políticas no intervalo das aulas? E as cartinhas para ELA? E os poemas? “Gato escondido com o rabão de fora” (ou “dente de coelho”?) – ELA descobriria. Viajou com a mãe e duas irmãs menores. Estações de águas, primeiro mineiras, paulistas depois, que apreciavam muito – descanso, distração e saúde. Pai pela primeira vez não foi junto, preso a trabalho extraordinário neste período. Empregada antiga sempre acompanhava, mas patrão ficou. Espontaneamente preferiu cuidar dele que por duas vezes recebeu estranha visita com um casacão semelhante aos de detetives de filme antigo. A gola esticada para cima, como quem se esconde, um chapéu largo e óculos escuros. Se patrão recebeu em casa, ia dizer o quê? Não pediram “café, água, suco” (é assim que falam na novela, geralmente o nervoso ou raivoso visitante recusa). Gente amiga pois o doutor bateu no ombro do fulano (rapaz? homem velho?) e disse - “Tenha fé! Vai dar certo!” Claro que em menos de dois meses não se pode consertar tudo onde a natureza errara... porém... Ainda algum inchaço diminuindo a cada dia. Desde o início de janeiro o pai de ROSANA , cirurgião plástico (sugerindo em vão já na infância de CYRO, ‘esqueçam-o-que-Deus-fez...’ – agora o lmam e o Rabino se envolveram a favor), vinha fazendo os necessários exames. Cirurgia no capricho. “Cara nova!” – sentenciou a empregada, admiradora do doutor e do cliente. Diminuiu-se o que era grande e torto: nariz, orelhas, numa perfeita cirurgia quase ‘pitanguyana’ (ave, professor Ivo!) e seus olhos azuisinhos, sem os ridículos óculos zero grau, ficaram em destaque. O aluno CHRISTIAN foi literalmente reprovado. Péssimo em redação, em gramática, pior em história - discutia muito, estudava pouco... Sem saber como justificar as cartinhas e os poemas, preferiu sair da escola. Mãe e três filhas foram recebidas na rodoviária, cada uma com um buquê de flores silvestres e uma caixinha extra para ROSANA, contendo uma bromélia lilás, destas que se planta em casa, no tronco do coqueiro. Ah, um beijo na boca e frase clássica de telenovela: “Aceita um dia casar comigo?” F I M
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Comentários dos leitores

CYRANO DE BERGERAC!!! Intertextualidade. Emoções. Parabéns!

Postado por lucia maria em 23-06-2013

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