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ELE...E ELAS



					    
Ultimamente viviam às turras. Ontem chegou da rua, cheiro de cerveja misturado a sabonete vagabundo (ou vagabundo era ELE?), não totalmente satisfeito do amor da rua, e a possuiu ali mesmo, no chão da cozinha que rescendia a ovo, azeite de dendê e leite quente adoçado com mel, que ELE tomava com prazer quase visceral toda noite antes de dormir, como um bebê sedento. Fingiu não querer, ocupada com os assados e os salgadinhos que vendia de encomenda para bares e festas familiares - bares onde ELE jogava bilhar, festas onde ELA trabalhava arduamente, levava de casa pequeno fogão, ‘patrões’ exigindo tudo quentinho da hora... E depois ELE vinha e recolhia o dinheiro que gastava com mulheres mais jovens. Debateu-se vagamente, fingiu, ELE tirou-lhe a calcinha voluptuoso, demorou segundos a abrir as pernas... mas o prazer que sentia com o seu homem superava tudo, gemeu muito e se deixou levar pelas emoções e pelo prazer. Nem perguntou o quanto ELA pudesse ter ficado satisfeita - foi logo se deitar para dormir, inteiramente nu, como de costume... sempre pronto para o sexo que ELE ironizava exibindo algum inglês: “make love”. ELA se levantou um tanto zonza, blusa que ELE deixara meio em frangalhos (era algumas vezes assim!), sorriu, lavou-se rapidamente e voltou ao avental e ao fogão. Conheceram-se na faculdade, ELA professora, ELE aluno. Curso de GEOGRAFIA. Muitos anos de diferença, mas quando mulher está apaixonada, não percebe que Jocasta e Édipo foram ‘interessantes’ lá na tragédia grega e, como o próprio teatro diz, tragédia, desgraça... ELA propôs casamento – ELE viu a conveniência de ser sustentado... aceitou. Fazia-se de cega a todas as aventuras dele. Não havia dinheiro que chegasse. Mesmo sob críticas da família, ELA não viu nada demais em se tornar ‘doceira’ e ‘salgadeira’... Aliava cultura acadêmica e culinária, fingidamente “para se distrair” um pouco, em meio a tantos livros lidos e ainda por ler. Planejava aulas e corrigia provas e trabalhos entre um tabuleiro e outro, uma frigideira e outra. Duas amantes ali na rua. Idades próximas a dele. Vizinhas e descaradas. Faziam-se de amigas, encomendavam doces e salgadinhos. Uma gostava de quindim, ELA não sabia fazer, consultou sites e em pouco tempo virou especialista em doces de gemas. Outra gostava de acarajé, ELA também não sabia, consultou sites e uma amiga baiana a orientou na escolha do melhor feijão fradinho no supermercado. ELA gostava de signos, pois em seu Mestrado aprofundara-se nos ASTROS, sonho de astrônoma e cosmonauta desde a infância, uma coisa puxa outra, virou uma espécie de astróloga amadora. ELA, Geminiana: comunicativa, confidente, culta, franca e objetiva, múltipla, quase multipolar, ao mesmo tempo dispersiva, teimosa e contraditória consigo própria. ELE, Ariano: impulsivo, investe depressa, chega antes do primeiro lugar, o poder personificado, magnetismo absoluto, o máximo, o tudo, super vaidoso, metrossexual. UMA era Canceriana: do marido, separada, tinha um casal de filhos gêmeos – excelente mãe amorosa das crianças ainda bem pequenas, sentimental, amorosa, doce, delicada, sensibilidade à flor da pele. OUTRA, sem sombra de dúvida, Escorpiana: o máximo da sensualidade e do exibicionismo, fala alto, gosta de festas ruidosas e bailes, mesmo sob forte chuva e trovoadas. Esta manhã, conversando, logo cedo, uma das amantes perguntou se ELA sabia fazer estrogonofe. Claro que sim, contudo treinaria mais. Já se imaginou agora ‘banqueteira’, quem sabe? Sonhou acordada. Puxa, se desse certo, talvez até pedisse licença de alguns meses na faculdade. Mas por que exatamente estrogonofe? A vizinha lembrou que era um prato estrangeiro, mas de gosto popular, e até recomendou determinado tipo de cogumelo, “grande como orelhas”; indicou o empório no centro da cidade. Pediu por tel efone – entrega rápida. Quando ELE veio almoçar, desde a varanda sentiu um cheiro agradável, apenas não distinguiu de que prato se tratava; carne fervida com outra coisa... o que seria? Chuveiro quente, perfumou-se todo, penteou-se no capricho, vestiu traje esportivo pois iria ao Maracanã com uma ninfeta do curso de Letras, virgenzinha, a mais recente conquista que pretendia comer nos próximos dias. Sedutoríssimo. Como tinha lábia! ELA veio cheia de cuidados com a terrina fumegante, louça centenária herdada da bisavó portuguesa, e sentou-se por um minuto no colo dele que a beijou no rosto com descarado fingimento. Em rápido minuto, o vasilhame atirado ao chão com violência. Cacos irrecuperáveis, chão imundo. Com ódio, ELE “explicou” – em criança, tivera uma intoxicação comendo cogumelos do mato. Estava com uma menina boba, do tipo que acredita em tudo, e para se fazer de muito macho, colocou na boca ‘aquelas pequenas orelhas’, cruas, sem mesmo saber do que se tratava. Hospitalizado uma semana. Traumatizou-se! Lavou todo o chão. A alma não conseguiu lavar. ELE foi ao Maracanã e a um motel, depois. Harém cresceu. A vida de todos irá continuar igualzinha – ELE... e suas MULHERES, sem grandes conflitos e traumas. F I M
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Comentários dos leitores

XANGÔ, IANSÃ, OXUM e a coitada da OBÁ! Coitada??? Quando esbravejante, é uma guerreira terríbilíssima! OBÁ e GEMINIANA.................. Ah, e que possui faca serrilhada! Cuidado, paulista! Parabéns!

Postado por lucia maria em 28-06-2013

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