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SALVEI O DOCE DE ABÓBORA!



					    
RUBEMAR ALVES Pois é. Foi o que se ouviu em tom agudo, na escuridão semi-quebrada pelas velas: “Salvei o doce de abóbora! O céu amanheceu azul no muito calor de janeiro... do Rio de Janeiro. Aniversário da mulher mais velha da casa, uma doceira e tanto que anualmente reunia amigos e parentes com iguarias maravilhosas, dentro da tradição dos doces que aprendera com quem a precedeu. Nomes curiosamente “religiosos” de doçaria conventual (origem nos conventos portugueses, mesmo antes de 1500), que perdoavam qualquer pecado de gula. A maioria dos doces eram à base de muitas gemas, porque - lendariamente ou não - as claras serviam para engomar as toucas das freiras: toucinho do céu, papo-de-anjo, orelha-de-abade, mãe benta, barriga de freira, queijinhos de hóstia, pastéis de Santa Clara, também ma njar do céu e algumas compotas. As mulheres da casa levaram uns dois dias inteiros na cozinha................ “respirando açúcar”. A GAROTA da casa, na fixação de “aprendiz genética”, se oferecendo para bater claras em neve (inventou uma técnica pessoal e segurava dois garfos cruzados na mão direita, quando ainda mais nova lhe recusaram o batedor redondo de arame, mandando ir “brincar com as bonecas” - tornou-se eficientíssima!), ralar coco (não confiável porque ralava, comia, ralava, comia...) ou lambuzar forminhas. Tentou a mãe, tentou a tia-avó, tentou a prima, sempre recusada, a tia-avó ficou nervosa e errou sem querer o doce de abóbora; esqueceu de juntar o coco, mexeu, passou do ponto e ficou um tanto pegajoso................. porém no jeito exato do que era vendi do no tabuleiro de uma baiana, no centro da cidade. Despejou no vasilhame da festa. A GAROTA lambeu o dedo com os restos da panela, sorriu discreta, falou “Igualzinho!!!” e saiu para a calçada - conversar com as amigas. Pela hora do almoço, algumas poucas nuvens brancas, mas ninguém deu muita importância e até se distraíram olhando os desenhos formados pelo algodão celeste - ora parecia um anjo de asas largas da árvore de Natal ora carneirinhos do presépio recente. Ao início da noite, começaram a chegar os convidados. Casa não muito grande, dividiram-se nos diferentes cômodos, vizinhança colaborando com cadeiras extras, música suave não atrapalhando a tagarelice geral. Mesa da sala toda arrumada com travessas e mais travessas de gulodices menores, compotas num móvel baixo. De repente, duas fortíssimas trovoadas de fazer “tremer” a casa (bom, pareceu, apenas... era uma construção bastante sólida) - todo mundo inquieto porque o bairro era famoso pelas enchentes, em especial no largo, encontro de várias ruas, muitas destas em ladeiras jogando o aguaceiro naquela direção. Na terceira trovoada, a luz apagou. Tinham imenso estoque de velas; logo foram espalhadas por castiçais, mas a claridade não era suficiente. A música silenciou; num cantinho, quatro jogadores guardaram o baralho. Em tempo recorde, um temporal violento. Começou a entrar água sob a porta fechada que dava para a rua, mas sem clima de horror. Para não se perder o entusiasmo da festa, cantaram às pressas a musiquinha de “parabéns” e as pessoas começaram a ser servir. Trovoadas menores, chuva diminuiu um mínimo, alguém bateu na porta para dizer que um dos carros de convidado estava sendo arrastado pela correnteza, os homens saíram pela janela e amarraram logo os dois carros num poste bem na porta de casa. Ninguém poderia sair... Nisto, no escuro, um barulho como se alguém estivesse batendo taça ou copo de cristal contra taça ou copo de cristal. Não era ninguém brindando com champanhe ou sidra, naquela noite serviam vinho do porto em cálices, sem brindes, e guaraná. Apurou bem o ouvido e percebeu o som no móvel baixo. “As compoteiras!” Eram todas de vidro, pé longo, tampa do mesmo material, umas grossas, outras finíssimas, e justamente a compoteira cristalina do doce de abóbora tinha tampa de encaixe, menor que o bojo... E se a goteira caísse dentro da compota? ELA saiu atropelando todo mundo, tropeçou numa bacia no chão amparando outra goteira, pegou castiçal, segurou triunfante o troféu e soltou a frase que se tornou histórica na família: “Salvei o doce de abóbora!” É! Porque nunca mais a exímia doceira mais velha acertou fazer um doce igual ao do aniversário. Aqui, não funcionou o provérbio popular: “É errando que se aprende.” F I M
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Comentários dos leitores

Eu sei... doce de abóbora pegajoso, bom para se comer assim: a doce abóbora dos horticultores do Estado de SP + o salgado queijo branco de MG. Boa estória com "cara" de realidade. Parabéns!

Postado por lucia maria em 14-07-2013

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