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JURANDO DE PÉS JUNTOS



					    
RUBEMAR ALVES O garoto chegou no meu apartamento, porta por acaso aberta ao início de dezembro, a natureza prometendo um verão quentíssimo. Com o canto do olho percebi peito nu (muito branquinho...), camiseta na mão, pulando nos dois pés ao mesmo tempo: - Taya (não olhei de imediato), EU juro de pés juntos (não corrigi para mãos juntas). Não fui eu... Preciso de um “bili” (entendi álibi) urgente......... -------------------------------------- Voltando no tempo. Os pais, DAVI e a pequeníssima DÉBORA tinham vindo há cerca de duas horas da sinagoga e perto de casa ELE viu uma “moçona” - foi o que me disse - com uma camiseta branca e a frase que achou engraçada: ADOTE (aqui em azul o desenho da estrela de Davi: 6 pontas) UM JUDEU NESTE NATAL. Por acaso EU lera e recortara uma página de revista com a foto de uma designer carioca, judia, segurando cabide com esta blusa, criada num bem-humorado movimento de final de ano. EU tentaria comprar pelo reembolso postal e presentearia determinada sen horita (não interessa quem)........... Mostrei. Como o recorte citava Facebook, num tempo recorde cliquei, guri ao lado, e era uma pessoa de nome igual, em capital do Nordeste, não a mesma da revista (estudara em conhecido colégio judaico do Rio de Janeiro) nem a “gostosa boazuda” que ELE vira na rua. Expliquei em linguagem simples que há pessoas com um único sobrenome, e perguntei por que ELE estaria tão interessado naquela estilista. Ou na camisa? Não respondeu, falou SHALOM e fugiu. ------------------------------------------ ......... (e ELE continuou) não foi o general inglês Chuchu que falou “sangue, suor e lágrimas” antes de ir para a guerra? Eu fui ‘na’ guerra e perdi... Estou milhado (humilhado).” Olhei. Realmente, o sangue escorria da testa com abundância. Não, foi susto de tio improvisado, era apenas uns filetezinhos de nada, mas DAVI transpirava muito e caiu imediatamente num pranto de causar dó (digo sempre que sou durão com crianças). Fiquei estático por segundos, levei quase arrastado para o banheiro, “Vai-ar-der-ti-o-zi-nho?” - não respondi - lavei-o com água morna, enxuguei (alguns arranhões na testa, profundos como se tivesse enfrentado um gato, uma melhor, uma “gata” selvagem) e passei um remédio incolor. Fez cara franzida, por certo ardeu. Como ser firme com o filho alheio? Perguntas atropeladas para disfarçar. - Tem guaraná? E tabletão de chocolate? E aquela sopa de pacote que leva creme de leite? Você acredita em Papai Noel? A sua mulher continua invisível? Não fiz um gesto favorável e exigi que me contasse em que encrenca se metera. Simples, mas não cheguei perto de adivinhar... Vira a tal moça e se encantara com ELA. Fez uma descrição aos amigos da redondeza e os agitou, procurando-a (aprendeu no cinema a palavra “WANTED”) fosse onde fosse, com prêmio de 10 bolas de gude a quem desse informação segura. Tudo aconteceu num rápido espaço de tempo. Um deles, sem falar nada, teve ideia de colar no poste esse ‘procura-se’, onde repetiu atrapalhadamente a frase informada: estrela com ‘apenas’ 5 pontas, judeu com ‘g’, Natal terminado em ‘u’ - que amigo! DAVI é apaixonado pela Aninha do 301, ‘mais grande’ que ELE, de quem já levara um tabefe na tentativa de beijá-la. E o que aconteceu foi exatamente isto. Aninha viu da janela um grupo de meninas ao redor do poste lendo alguma coisa. Em qualquer idade (desculpe, cara leitora!), mulher é sempre curiosa; ELA desceu e viu a descrição da camiseta... da tia. Nisto, o autor da ideia chamou DAVI, todos se encontraram juntos, meninos e meninas, não houve tempo de explicações, Aninha avançou no judeuzinho, ainda aprendiz de galã, e teve imediatamente mais duas companheiras no campo de batalha, valentes e brabas como ela. Diga-me com quem andas.................. (No dia seguinte vi a tal da tia. Visitante. Não um mulherão, como imaginei, mas uma mocinha magra, calculei menos de 18 anos. Explicaram um outro grau de parentesco, mas Aninha a apresentava como irmã da mãe.) Subi ao 8º andar, entreguei-o ao pai, pisquei significativamente um olho e contei que o vi lutar com um gato de quem ELE sem querer pisara a cauda (não falei rabo). - Pai, tem pêssego em calda? E bolo de mel com nozes? Doces curam a amargura e decepções da alma - EU acho. É, deve ser. DAVI tentando ser um sedutorzinho e hipnotizador precoce. Gente, não ensinei nada. Sou um madurão, respeitabilíssimo, síndico eleito e eternamente reeleito por unanimidade........................ ---------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: Taya - hebraico: tio, irmão mais velho do pai. Davi - personagem de meus contos já publicados - 1 - OS MONSTROS DA CARA VERDE; 2 - NÃO FOI FEBRE... FONTE: “Fé no humor” - Moda - Revista O GLOBO -16/12/12. F I M
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Comentários dos leitores

Esse menino do 8º andar está na perigosa "escola" do professor Rubemarzão. Quarta aventura, estou contando: OS MONSTROS DA CARA VERDE / NÃO FOI FEBRE... / SANGUE DE COMERCIANTE / agora este. Parabéns!

Postado por lucia maria em 16-07-2013

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