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PROJETO MALA ÚNICA



					    
RUBEMAR ALVES Não sei se houve motivação especial, mas o AMIGO e ELA pesquisaram a fundo sobre a Geração BEAT e o posterior Movimento HIPPIE. Todo passado tem seu valor. Correram bibliotecas, consultaram Internet, digitaram, alugaram os mais incríveis filmes. Como se diz popularmente, ficaram “doutores” na matéria. Por piada, resolveram ser nômades ou andarilhos - pura brincadeira pois são bastante urbanos e preguiçozinhos do tipo que pega um livro de 500 páginas e fica lendo... ao lado biscoitos e refrigerante, no maior sedentarismo. “Projeto MALA ÚNICA”. Vejam. Cada um deles já tinha sua própria mala, de viagens anteriores - ELE ao exterior, ELA aqui no Brasil mesmo... Só o extremamente necessário, mínimo de roupa, um caderno bem novinho (para diário?), canetas, abridor de latas e incenso de lótus. E foram brincando de adiar o nomadismo. Novos hippies. ELE, tadinho, “dependia” de deixar crescer o cabelo (louro ondulado), achar os trajes adequados, sandálias... Isso demora. ELA, tadinha, “dependia” de costurar as batas indianas, flor no cabelo (vacilou entre mimo-de-vênus, brinco-de-princesa ou mini orquídea), pés descalços seria melhor... Isso demora. Aquilo rendeu num ata não desata compriiiiido e levaram longo tempo em telefone, correio e computador: “Sua mala já está arrumada?” Acabaram desistindo. ELE foi trabalhar a sério em outro país, jaleco branco, e ELA casou com um cidadão de farda-gravata, pode? A vida muda toda hora. ELA é bastante culta, versátil, curso superior, foi bibliotecária, chegou a outro bairro no tempo de professora. Gosta de conversar, distribuir cultura, infelizmente num ambiente de pessoas totalmente desinteressadas na menor aula e por isso mesmo pouco entendem as narrativas dela. (Ou fingem que não entendem nada nunca?) Não foi residir exatamente em comunidade, mas construiu casa no mesmo terreno, comprado em sociedade meio a meio, junto com um primo, casas independentes. ELA se entusiasma pelo que fez ou faz na vida, embora nunca havendo ouvidos que a aceitem. Não gostam de pensar. Há no lugar duas mulheres golpistas que num período de 2 anos conseguiram residir em 7 casas sem pagar aluguel nenhum: 14 tramóias bem sucedidas. Ah, o leitor não conhece este golpe? Simples. Alugam a casa, sem contrato assinado, prometem pagar um mês depois... Aí deslocam uma telha, outra telha (só serve casa do tipo sem forro), com muita tranqüilidade, muitas vezes de dentro de casa mesmo, usando uma escada e uma vassoura bem comprida. Vem a chuva, é gente que não possui nada de muito valor, cai água dentro de casa, aparam em bacias com grande espalhafato, contam para a vizinhança toda, bate logo no ouvido do senhorio atônit o, já existe outra casa em vista, surge o clássico discurso: “Aqui não fico mais. Tive grande prejuízo com os móveis (já velhíssimos antes da mudança). Não pago nada, pronto, não pago mesmo.” Ambas foram, em separado, com distância de meses, contratadas para uma faxina minuciosa que incluía tirar toda a louça do móvel da sala e mergulhar na pia com água e sabão líquido. Endoideceram. Louça antiga herdada de bisavó, avó, mãe - desenhos muito bonitos: tipos humanos da Inglaterra, flores com dourados, geishas em porcelanas finas, pirex USA etc. etc. etc. O “olho” cresceu... Num dia de “ilustrar os incultos”, as vigaristas estavam juntas e perguntaram o que foram os hippies. ELA fez uma preleção gigantesca (quanto mais falou, me nos entenderam) e perfeita. Caiu na bobice de dizer que, na filosofia simplista dos hippies, aquela louça chique seria supérflua, extravagante, dispensável. Riu, pilheriou com o “Projeto MALA ÚNICA” e citou o amigo residindo há anos fora do Brasil. As mulheres se entreolharam, silenciosas. Conspiração feminina é fogo! E contra outra mulher, piorou mais ainda. Bom, sabem como é a primazia para o mundo masculino e os ignorantes (que desconhecem a verdade familiar ou são idiotas mesmos)? Pois “dizem” que o terreno é do primo e ELA veio residir ali porque... porque... não sabem... embora saibam (pode?) que ELA pagou a construção da casa, tijolo por tijolo. A vigarista mais moça, logicamente mais atrevida e corajosa, veio um dia e perguntou se podia fazer uma pergunta. Enrolou, torcia as mãos ansiosa e neurótica, demorou minutos a se sair com esta: “É verdade que... (longa pausa) no seu armário de roupas tem uma grande mala? (pausa menor)... e que...” “Sim, tenho. Que o quê?” “...se alguém fizer assim uma grande fofoca (narrador da estória real detesta essa palavra de mesquinharia braba!) entre seu primo e você, vai colocar assim o mínimo dos mínimos na MALA ÚNICA (a tarada voltou a torcer as mãos), ir embora com a roupa do corpo, ir assim de não voltar nunca mais, e abandonar os móveis com tudo dentro?” ELA é super fina, educada e educadora, gentil, comunicativa, nunca disse um palavrãozinho (?!) em toda a sua vida. Mas imaginem, senhores leitores, para onde ELA mandou a vigarista? Garanto que não foi para o supermercado!!! ----------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: MOVIMENTOS SEGUIDORES DO EXISTENCIALISMO, HOJE CHAMADOS DE CONTRACULTURA (síntese) 1 - GERAÇÃO BEAT - Grupo de artistas norte-americanos, em especial escritores e poetas, os BEATNIKS, ao final da década de 50 e começo de 60, levando vida nômade ou fundando comunidades: ‘boêmios hedonistas’ em celebração à não-conformidade e à criação espontânea, sendo o embrião do movimento hippie, inclusive em fusão posterior. JOHN LENNON se inspirou na palavra ‘beat’ para batizar o grupo musical britânico “The Beatles” (Liverpool, 1960/70). 2 - MOVIMENTO HIPPIE - Contracultura dos anos 60, em relativa queda de popularidade nos anos 60 nos Estados Unidos, embora com muita força no Brasil e outros países neste período final. Célebre frase do “PEACE AND LOVE” (PAZ E AMOR) - questões ambientais, prática de nudismo e emancipação sexual: idéias acatadas no mundo. Vida comunitária, socialismo libertário ou vida nômade, comunhão com a natureza, negação do nacionalismo e da Guerra do Vietnã e de todas as guerras, adesão ao budismo, ao hinduísmo e a religiões das culturas nativas norte-americanas (em desacordo com os valores tradicionais da classe média ou burguesia e da economia capitalista mundiais). Tempo do cabelo comprido, faixa na testa, roupa velha rasgada contra o consumismo exacerbado, calças boca-de-sino, camisas tingidas (corantes vegetais), roupas de inspiração indiana, cores berrantes em apologia à psicodelia, pés com sandálias rústicas ou descalços (sentir a força da terra), flor no cabelo, incenso e meditação com caráter simbólico e quase religioso, misticismo, uso de alucinógenos visando a liberação da mente, fome intelectual insaciável. WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre F I M
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Comentários dos leitores

É terrível ter que conviver com pessoas olho-grande e invejosas ao redor. Vaso com 7 folhas protetoras!!! Tenho também mala e um dia farei excursões pelo Brasil. Tem na sua casa um sofá para visitante? Parabéns!

Postado por lucia maria em 31-07-2013

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