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APARELHO DEDO-DURO



					    
O detetor de mentiras (“lie detector”, em inglês) ou polígrafo foi inventado em 1921, equipamento que detecta reações fisiológicas, palma da mão do acusado aberta no aparelho, descobrindo, por meio de gráficos comparativos, as mudanças ocorridas no agora maior batimento cardíaco, na respiração mais intensa e na transpiração nas mãos do possível mentiroso. O polígrafo parte da ideia destas alterações. Mas como há os mentirosos “profissionais”, os psicologicamente preparados para jurar inocência sem sofrer alterações perceptíveis pela máquina, inclusive nos casos de traição (ou tentativa de...) conjugal, o método não é confiável. “Algum marido é confiável?” - palavras da minha mulher. Pior é quando inocentes sob pressão podem apresentar os sintomas de um mentiroso. Aí, cadeira elétrica a sério ou advogado, cartório, partilha de bens, pensão para uma nova solteira, assinatura do divórcio... - - - - - Minha própria estória sob a minha versão. Durante duas semanas seguidas, de segunda a domingo, ELE cumpriu o horário integral de trabalho, proibindo-a de telefonar para a empresa. Na primeira semana ligou, numa espécie de trote muito bem elaborado, a telefonista informou que realmente o marido estava trabalhando. ELE disse ter que “...aprontar umas peças” - industriais de verdade ou, modo figurado de falar, contra a esposinha tão delicada... e dedicada? Deixou passar, ficou em casa, ocupou os domingos com uma infinita coleção de recortes culinários, rasgou papéis grandes, bom para suavizar a raiva, e tomou bastante sorvete de chocolate. Às escondidas, usando um quimono de estamparia japonesa (ELA inventa coreografias fantásticas), dançou com uma sombrinha azul e tomou muitas doses de saquê e licor de cereja - marido detesta álcool. Viu na tevê um filme antigo, década de 40, nem ELE nascido ainda, em que o detetive submete uma mulher espertona ao tal aparelho dedo-duro; numa reviravolta da estória, o cara nem era mordomo nem se tratava de acontecimento na Grã-Bretanha, ela o seduz e joga para ele toda a culpabilidade - após um beijo e tanto, o lado da acusação mudou todinho... Sentença crudelíssima: casar com ela. Arranjaram por bode expiatório um daqueles famosos fantasmas das torres de Londres. Casaram e devem ter sido felizes para sempre. Sim. O ferro antigo de passar roupa caíra ao chão e desmontou todinho, porém ELA guardou a parte inferior, a base de metal espelhada. Colou ali uma sobra qualquer de fio comprido que “ligaria” à eletricidade. Mas onde colocar um equipamento que registrasse as reações dele? Sem equipamento - diria apenas que ELE levaria um choque, gradativamente aumentado, quando e se mentisse. Bom, no escuro do quarto, o fulano apenas percebeu o metal, sem reconhecer base do objeto doméstico, mas aceitou esticar ali a mão, bem maior. Também é espertão e criador de contos. “Algum dia você me traiu ou pensou em me trair?” Foi sincero: “Sim, quando aos 8 anos uma cigana previu você na minha vida, de outra cidade, num futuro distante, até mesmo falou a letra do seu nome, e namorei outras enquanto você não chegava...” Saiu-se vitorioso. Muitas perguntas tolas, sempre respostas imbecis. Até que chegou o assunto das estranhas horas extras sem intervalo para descanso. Sempre se disse que 7 é conta de mentiroso... ELE jurou inocência sobre qualquer hipótese de acusação, estivera de fato trabalhando “7 + 7 dias”, e nestes sétimos dias de cada semana tivera licença (quem autorizou?) para ocupar as máquinas (que máquinas? ELA nunca foi lá... apelidou-o de ‘fabricante de parafusos’...) fazendo 7 surpresas para a mulherzinha querida - 4 no primeiro domingo; depois, já cansado, apenas 3 no segundo. Esposa endoideceu: “Presentes para mim? Que presentes?” Agora, o genial inventor terá que de fato inventar 7 presentes metálicos bem elaborados e minuciosos - “Fui EU que fiz, sozinho”... - para não ser agora submetido de verdade a um aparelho dedo-duro. (Trabalhou, sim, mas... e se a pressão psicológica criar emoções súbitas e inesperadas que o acusem?) ------------------------------------------------------------------------ FONTE: “Sem dúvida” (transcrição da revista GALILEU) - Jornal O Globo, Rio, 24/11/02. F I M
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Comentários dos leitores

Nunca submeter você ao "lie detector" - curto-circuito num quarteirão inteiro! Sete presentes de metal? Fácil: 2 colares, 2 pulseiras, 2 anéis e 1 FIGA bem grande................... Parabéns!

Postado por lucia maria em 15-09-2013

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