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SÉCULO XXI-EXTREMA RAPIDEZ



					    
A rapidez do século não nos permite parar para pensar - simplesmente agimos: é a descomunicação. Na verdade, “pra quê?” O negócio é ir logo seguindo em frente. “Senhor RAGNAR, é de sua não-livre e não-espontânea pressão que o senhor não-deseja casar com a senhorita LÚCIA?” Padre não esperou resposta, emendou com outra frase: “Se alguém quiser impedir este casamento.........” O chão tremeu violentamente, santos começaram a cair dos altares... despertador ainda estremecia e tocava escandaloso quando RAGNAR caiu da cama, suando frio. Avião não espera passageiro. - - - - - - - - - “O edifício é este mesmo, sem sombra de dúvida. Sem as mordomias do atual apart-hotel, mas serve.” Pequeno restaurante num lado do térreo. No entra e sai, mulheres com pão e leite, jovens com pranchas a caminho do mar, estudantes a caminho da escola. Um descompromissado “bom dia” - entrou. Tornou a conferir o cartãozinho da imobiliária. “Certo - número 48.” Entrou no prédio, procurou o elevador. Outras pessoas, mulher com bebê, homem com jorna, moradores. Apertou 8º andar. Elevador subiu, tremeu todo, lá pelas tantas parou, as pessoas resmungaram e se dirigiram para a escada. Tocou campainha no 803, recepcionista da imobiliária deveria atendê- lo, acertara por telefone. Somente estranhou-se de camisola de dormir e um robe acetinado. Talvez tenha dormido lá aproveitando os últimos momentos ainda sem morador. A moça esperava alguém, devia se r ele... “Quem me mandou aqui foi o senhor CARLOS.” “Há, sim, o novo gerente? Ele acertou direitinho o preço?” Sinal positivo com a cabeça. Apertaram-se as mãos. “RAGNAR.” “LÚCIA MUITO PRAZER.” Não tinha como estranhar. É o que se diz nas apresentações - “Muito prazer!” Apartamento bem mobiliado, tevê em tamanho médio, a decoração era básica, dois quadros, alguns bibelôs de anjinhos, um cinzeiro na forma de cupido. Ele não traria quase nada, somente cinco caixas de papelão com poucos livros de Direito e objetos pessoais, a mala grande com as roupas - sua casa mesmo era em São Paulo, Rio de Janeiro a serviço dois dias na semana. “Máximo de duas horas, está bem? Ele não avisou que viria cliente agora. Tenho outro marcado no horário da tarde.” Ela tirou a camisola e o robe. Ficou somente com com sedutora calcinha de renda e sutiã, pretos, contraste com sua pele um tanto desbotada e rosada ao mesmo tempo. Pensou - “Boa recepção!” Não uma deusa grega, mas uma mulher bastante bonita, aspecto saudável, cabelos claros longos e presos para trás com elástico. Perto de seus trinta anos, bem mais baixa que ele, toda na medida certa. Formavam um par harmonioso. ‘Martini?” Ele aceitou. Dirigiram-se à cozinha, RAGNAR olhou tudo rapidamente, lavou as mãos no banheiro, só faltava o quarto. Cama de casal, lençol com estamparia miúda, perfumado e esticadíssimo, caixa de presevativos na mesinha de cabeceira. “Assim, quem não aluga?” - não falou, pensou. “Por onde quer começar? Simpatizei com você. Beijo na boca não faz pare, mas...” Aproximou-se do rapaz e foi um longo beijo de língua. “Bom, se é assim - pensou novamente -, vamos lá.” E desnudaram-se um ao outro, como noivos ansiosos em noite de núpcias. Começaram em pé. Lambeu e chupou os mamilos com a força de um bebê faminto, a cabeça dela meio para trás, olhos fechados em êxtase. Totalmente excitados agora. Alisou as coxas, ela abriu um pouco as pernas, acariciou-a onde achou que devia. Deitaram-se. Pés minúsculos, proporcionais ao corpo. Beijou-os. Todas as vinte unhas pintadas em rosa claro. Ele conhecia a nudez feminina desde os quatorze anos de idade, iniciado por uma prima um pouco mais velha. Pensou no que aprendera de sexo ao longo de tantos anos. Pensou nos vários contos eróticos lidos ultimamente. Ela se entregou toda, como se de repente uma súbita paixão os fulminasse. Duas horas de fogo e ao mesmo tempo de paz. Para ambos, pois ao final dos olhos de LÚCIA caíram lágrimas suaves. “Esqueça o cinzeiro no móvel da sala, RAGNAR.” “Eu não fumo.” Não tinha sido assim um sexo qualquer, foi um quase encontro de amor. Trocaram muitas carícias e muitos carinhos. Ele só estranhou a forma que a imobiliária arranjara para conquistar um ‘inquilino de aluguel’... Marketing moderno?! As faculdades já ensinavam isso? Escreveu o número num guardanapo de papel. “No Rio, somente `s quintas e sextas.” Ela ficou de telefonar. Desceu as escadas saltitante, leve como um adolescente. Quase não sentiu oito andares - praticava atletismo nos intervalos do escritório de advocacia. “É, estou mesmo na idade de casar.” Debruçada no balcão da portaria, uma idosa reclamava em bom tom. “Ela pode ser bonita, educada, fina, elegante, proprietária do apartamento, mas (baixou um pouco o tom da voz irritadiça e aguda), tenho até vergonha de dizer: (voltou a quase gritar) recebe homens! É prostituta, hoje falam assim garota de programa. Bem em frente ao meu apartamento. Vejo tudo pela fresta da minha porta. Moro no 603...” Um senhor de cerca de sessenta anos, macacão sujo de graxa, alicate e chave inglesa na mão,saía também do prédio. Virou-se para um RAGNAR estupefato: “Bom palpite para a minha ’fezinha’ diária no jogo do bicho.” F I M
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Comentários dos leitores

Ela, mais uma das eternas amigas cariocas, enigmática assim só se for Geminiana..................... É a pressa e a falta de óculos num quase "senhor idoso": misturou 603 com 803. Adorei. Parabéns!

Postado por lucia maria em 28-09-2013

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