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BICICLETAS & PÃES



					    
O mais tradicional item da mesa francesa, gastronomia secular, o PÃO, anda em baixa e há até campanha pelo consumo, em cartazes de rua, iniciada pelo sindicato de padeiros e moleiros, a favor deste representante da clássica civilização francesa. Versão que o francês comia mais de 3 baguetes em 1900, 1 em 1970 e apenas 1/2 na atualidade. Eram 54 mil padeiros independentes em 1950, agora apenas 32 mil. Este declínio é atribuído à mecanização nos anos 60, processo do lento para o rápido, e que teria diminuído o sabor e o aroma. Será? A tradição recomenda apenas trigo-sal-água-fermento, sem qualquer aditivo. Um festival nacional do PÃO ocorre em maio perto da festa de Saint Honoré, o santo padroeiro dos padeiros, e há em Paris o concurso anual para a escolha da melhor baguete artesanal. Um ônibus de casa ao centro da cidade, barca Rio - Niterói, ônibus até a praia de Icaraí... Tudo isso? Pois é! Minha AMIGA carioca foi jovenzinha ‘aprender’ a trabalhar. Era assim: o pai odiava carregar marmita e o emprego dele era o dia inteiro na loja de eletricidade (loja? - na verdade, bloco do ‘eu sozinho’), num sobrado onde havia exposição de luminárias de vidro e um técnico - o próprio - para montar o que era novo ou desmontar-lavar-consertar o antigo na casa dos clientes. Pai saía e a senhorita antes dos 17 anos ficava a espera de possíveis clientes . ELA ouvira estórias de familiares e achava “bonito” carregar marmita. Pirex retangular - dois! Comida caprichada, não um simples feijão-arroz. Variava bastante e levava arroz de forno, carne recheada com linguiça, peixe assado com molho de camarão, batata em purê, legumes coloridos, empadões, suflês, tudo ilustre parecia sair de um livro ilustrado: diferentes significados. Forninho elétrico ao meio dia. Às vezes uma descida para... dois quindins na padaria da esquina. Horário? Determinou-se que às quatro da tarde era a saída desta recepcionista. Amava marmita, odiava relógio. (Leitor desista: não precisa entendê-la.) Observou por acaso que pouco antes das quatro horas (padaria apitava anunciando “PÃO FRESCO”) uma mulher de seus 50 anos passava pedalando uma BICICLETA e em poucos minutos voltava com um PÃO comprido, uma bisnaga. Ou baguete? Aspecto de inglesa, minha AMIGA viu de perto uma vez, muito clara, rosto rosado e sardento, sempre roupa de c or caqui estilo safári, como se via em certos filmes de tema africano. Minha AMIGA a apelidou secretamente de Milady (vem do inglês “my lady” - milady, pronome de tratamento dispensado a uma mulher nobre) e só descia a caminho de casa quando a mulher estivesse retornando. Ora, não se sabe muito bem o porquê de tanta rivalidade... Minha avó diria: “Dois bicudos não se beijam.” Estória antiga de inimigos bélicos em várias ocasiões e que remonta principalmente a uma tal Guerra dos Cem Anos, entre os séculos XIV e XV, mais tarde nas colônias francesas e inglesas na América, no século XVIII - ah, e a expansão do império (?) francês de Napoleão Bonaparte, no começo do século XIX, foi detida principalmente pela Inglaterra. Séculos de rivalidade... que hoje se reflete até no futebol que os ingleses criaram e espalharam pelo mundo. Dizem que os franceses inventaram a BICICLETA no século XIX... talvez para irem comprar PÃO. Mas quem ia de BICICLETA inicialmente era a aristocrata Milady. Descobriu-se logo em seguida que era professora na universidade pública local e reunia pequeno grupo às cinco horas para o tradicional “tea o’clock”... mas com pão ‘francês’ requentado? Se era rivalidade ou acaso, de repente outra mulher de idade aproximada, num traje duas peças, casaquinho estilo Chanel, passou a vir também de BICICLETA, entrava na padaria, pagava o PÃO com moedas tiradas de uma bolsinha a tiracolo cujo enfeite era o desenho do Torre Eiffel. ELAS se olhavam, sem arrepio ou dentes arreganhados, porque em absoluto não eram inimigas figadais, depois cada qual com seu PÃO na sua BICICLETA em caminhos opostos. A princípio, imaginou-se uma guerra, mas eram duas professoras universitárias , estrangeiríssimas, visitantes, brigar por qual motivo? Os alunos passaram a vir, agora com improvisada finalidade. Uma BICICLETA daqui, outra dali, as cores eram as mesmas, e ficava difícil saber quem era discípulo de uma e de outra, pois os grupos, estes sim, é que se encaravam como rivais, não as mestras. Era divertido e minha AMIGA ficava lá de cima olhando o excêntrico espetáculo. A padaria até precisou de novos atendentes para o PÃO das quatro horas. No espaço de poucos meses, a francesa sumiu - convidada a dar cursos de existencialismo... em Londres. Também a inglesa sumiu logo em seguida - convidada a dar cursos de colonialismo... em Marselha. A padaria continuou apitando, só que a clientela encolheu. Milady ficou na memória de minha AMIGA. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - CURIOSIDADE - Os primeiros pães foram assados sobre pedras quentes ou debaixo de cinzas, datando ao que consta do VII milênio a. C. FONTE (para inspiração): “Onde foi parar o pão?” - Jornal O GLOBO, Rio, 10/8/13. F I M
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Comentários dos leitores

O pão entra até na reza do pão-nosso-de-cada-dia. Casar é... juntar as escovas de dente ou partilhar o mesmo pão?! Bela frase poética... Parabéns! (Milord ou Herr?)

Postado por lucia maria em 29-10-2013

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