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MULHERES: OU SE AMAM OU SE ODEIAM



					    
Amigas desde tempos imemoriais. Amigas apenas, não. Amicíssimas. Conheceram-se ainda crianças. Não tinham irmãos. As duas famílias paulistas da capital se hospedaram em férias no mesmo hotel: cidadezinha ladeirosa, histórica, centenaríssima, tombada pela UNESCO, mineira, lotada de turistas. A gerente acomodou os dois casais em quartos pequenos, banheiro intermediário servindo ao mesmo tempo a ambos, e a garotada ficou num dormitório infantil misto com onze estrados e colchonetes rentes ao chão, espécie de acampamento – cinco meninos, cinco meninas e uma “babá” jovem que aceitava se caracterizar de coelha, boneca Emília, professora de óculos, caçadora de esmeraldas, jogadora de futebol, o que escolhessem na hora. Ah, também contava estórias e tocava violão. Férias sem igual nunca mais na vida. GABRIELA, a Gabi, 7 anos - ANABELA, a Bel, 5. Nomes em rima, aparentados, duas “irmãs” em letras e fonemas. Porém inveja e olho-grande são doenças incuráveis, terríveis, terribilíssimas!!! BEL olhou GABI e no primeiríssimo minuto já disse: “Vou roubar o teu namorado.” Adultos riram descrentes de tal juramento: “Irá esquecer, por certo!” É mesmo?! Lenda que às vezes um anjo escuta e diz “Amém”! Aí, acontece. Na hora do ingênuo guaraná, um dos meninos tentou entregar um copo e BEL logo passou a frente da OUTRA. “Para mim. Estou com muita sede.” Depois deu a mão a ELE, sorriu com arzinho doce de anjo ‘vermelho’ (homem é sempre carentinho) e o novo par foi jogar dominó, a atrevidinha sorrindo de orelha a orelha, tridente no precoce pensamento malévolo. GABI, resignada e solitária, escolheu um livro de contos de fadas e outro com gravuras da mitologia grega, EROS na capa. (Mais tarde, ELA aprenderia na prática: deus grego do amor, interpretado como filho do Caos, caçador terrível, amante de intrigas, ora ignorando o bom senso ora integrando diferentes elementos em um só.) Cresceram assim. Residências por acaso próximas, escolas diferentes, ANABELA exigiu matrícula na escola de GABRIELA, justificou “minha irmã de leite”; ignorava o real significado, porém achava bonita a expressão – na verdade, no hotel, a “babá” dividira entre as DUAS o conteúdo de uma jarrinha transparente, BEL medindo no olho “a secreção branca e opaca das glândulas mamárias das fêmeas dos mamíferos” (narrador é metido a cientista), quase gota por gota, jamais (na linguagem adulta) ’98 x 102 mililitros’. GABI, moreninha, incrível boneca de olhos azuis, BEL, branquela, rosada, alourada, olhos escuros. Com todos os contrastes físicos e de temperamento, eram amicíssimas e ninguém, nenhuma outra garota ou prima se colocava entre ELAS ou formava trio. Eram unha e carne. Não: eram unha e ... esmalte! Melhor palavra. In-se-pa-ra-bi-lis-si-mas. (Hífen irônico e futurista?) Carinho e cuidado entre ELAS, ninguém magoasse ou ofendesse UMA que imediatamente a OUTRA sentia como se fosse nela mesma, e partia para cima - GABI em complicadas frases filosóficas intraduzíveis, sem significado elogioso nem ofensivo, apenas para impressionar e gelar terceiro elemento, BEL em tapa na cara mesmo ou o “MMA (Mixed Martial Arts) feminino” de puxar cabelos. Roupas e calçados iguais ou parecidos, brincavam, jogavam, passeavam e viajavam juntas... Ih, cresceram, se desenvolveram bastante! Qualquer das avós , numa destas reuniões de mulheres onde o assunto predileto é moda, escapuliu para o sexo forte (forte?!) e, recordando filmes antigos, lembrou um título – “Os homens preferem as LOURAS...” (1953, comédia romântica musical baseada num best seller, com Marylin Monroe e Jane Russell) – BEL escutou e sorriu vitoriosa. Outra mulher acrescentou: “...mas se casam com as MORENAS.” Certa incerteza sobre este filme, porque houve de fato o segundo livro, debateram e a garota sempre irritadiça aproveitou o caos momentâneo para chutar uma cadeira de metal marrom, da cor do cabelo da amiga, e puxar o rabo da gata de olhos azuis. Os anos iam passando e na festa de 15 anos da mais velha, salão decorado em clube granfino, baile e tudo, a mais nova conseguiu monopolizar o PRÍNCIPE dançarino, par da aniversariante em valsa tradicional, a pretexto de acertar detalhes para a sua festa futura. Castigo de Papai-do-Céu – existe, sim! Não houve a festa idealizadíssima, pois a empresa empregadora faliu, pai perdeu emprego de repente e indenização através da justiça demora mesmo. Haveria cotizações que a orgulhosa mocinha recusou com desaforos pois a festa teria que ser bastante simples. GABI chorou muito. < /span>Bolo na escola e foi só. Muitos pacotes de presentes diminuíram a dor da decepção. GABRIELA parou com os livros e esperou ANABELA. Mais tarde, vestibular na mesma época, faculdades públicas diferentes em bairros por acaso distantes. GABI, ‘mãe-da-justiça’ desde garotinha, escolheu Direito; BEL, ‘princesa-das-mil-caras’, fez a escolha certa, Artes Cênicas, através de que poderia expressar seus instintos multidirecionais. E assim foi. Chegaram ao diploma. Comemoração para AMBAS, num sítio japonês com muitas atividades culturais (GABI gostou, tranquilinha) e esportivas, inclusive equestres (BEL adorou, passional). Num bar, saíam as DUAS do banheiro feminino quando trombaram juntinhas com um quarentão muitíssimo bem apessoado, ainda longe de senhor – apurou-se depois 18 anos mais velho que GABRIELA. Alto, 1.80, espadaúdo, jeitão decidido, olhar firme, aquele tipo que hipnotiza até serpente raivosa, sem tocar a flautinha. Passaram a ser às vezes um TRIO. Nome dele? GABRIEL, cabelos encaracolados, logo apelidado de ANJINHO (barroco?) pela namorada quase homônima. (Narrador nunca soube exatamente em que setor da metalurgia ELE trabalhava, mas nas horas vagas fabricava adagas e espadas colecionáveis, parecidas com as usadas pelos arcanjos, de mitos e lendas.) Acertaram certa noite que jantariam fora e seria mais prático que GABRIEL pegasse primeiro ANABELA no ensaio do teatro, GABRIELA indo direta do escritório para o restaurante. Assim foi planejado e parcialmente executado. Enchente repentina, ANJINHO e BEL passaram muitas horas sentados dentro do carro. A televisão sem querer os filmou, lado a lado, bem na porta de um hotel, aparecendo a placa no alto da parede, assim como outras pessoas em veículos parados. Desencontro total, notícias pelo celular. “Estamos bem. Estamos na rua alagada. Com fome.” “Ah, sim, e eu aqui no bistrô... Só tem café preto, uvas miúdas, bolo de cenoura e queijo picado. Vinho branco também.” Não sei como mulher faz para empalidecer, porém mais um tempo curto e de repente BEL ficou muito branca (será que prende a respiração?) e desmaiou literalmente. “Grávida!” – ELA anunciou. “Mas grávida como?” – futura bisavó em estado de choque, pensamento malicioso voltado para o galã GABRIEL. Então, discutiu-se o assunto em família e BEL descreveu a noite da enchente, estômago vazio, coquetel de pouco guaraná e muito conhaque (ELE tendo horror a álcool - onde compraram? ninguém lembrou de perguntar?) por causa do frio e então depois ANJINHO GABRIEL a convidara para entrarem no hotel barato. A quase bisavó cinéfila nos bons tempos recordou novo título: “Seduzida e abandonada” (1964, mistura de comédia e drama). Ora, todos esqueceram o curso de Artes Cênicas? Todos esqueceram, menos GABRIEL que não assumiu nada, nervoso, agitado, incorruptível, negou o tempo todo, de fato anjo inocente, protestou, exigiria DNA, consulta com pai-de-santo para apurar a verdade, estas coisas todas. Pressionada por todo mundo para falar a verdade, ELA – também estudara trapézio – como que tonteou, caiu em pé do alto da escada, rolou tal e qual encolhido tatu-bola sem carapaça alguns últimos degraus e... “perdeu a criança”, coitada......... Do amor fraterno, a doce menina, hoje advogada, passou ao ódio radical contra os “DOIS perdidos numa noite molhada” – perto do nome real de uma peça do teatro brasileiro (1966, de Plínio Marcos), temática paralela gravitando em torno da amizade e da inveja. GABI mudou-se para Marilia, cidade do interior paulista, onde tem tios e primalhada enorme. Ironicamente um advogado português, TOMÁS DIRCEU, logo se encantou com a recém-chegada e escreveu alguns poemas de rima torta, desajeitada... em inglês. BEL tenta sempre a conquista e ainda recentemente houve uma vigésima ‘cantada’, telefonou, ofereceu-se, que ainda está solteira, disponível. GABRIEL prefere por uns tempos a solidão, não a agride e desliga sempre sem se despedir. Haverá um dia o tempo da paz e da felicidade - talvez uma IRENE (paz em grego) ou uma SOFIA (grego, sabedoria), ANA (hebraico, cheia de graça) ou uma simples EVA MARIA, sem amiga e sem pecado.............. F I M
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Comentários dos leitores

Ai, que estória linda! A-do-rei. Não exatamente linda, mas realista. De fato, falsa "amiga" invejosa, o diabo pessoalmente é mais suave. Por que geralmente nas suas estórias tem em advogado e um toque de Grécia? Parabéns!

Postado por lucia maria em 17-11-2013

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