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MEMÓRIA: TRANÇAS NO CABELO & ESPAÇOS REDONDOS



					    
Não a convidem para espaços redondos que até hoje, século XXI, ELA detesta: 1 - MARACANÃ - Palavra do tupi-guarani, significando “semelhante a um chocalho”, som emitido por pássaros vindos do norte do país, os maracanã-guaçu, e que em grande quantidade freqüentavam a região. Inaugurado o estádio, junho de 1950, jogo Rio (1 - perdeu) X São Paulo (3 - ganhou), dias depois ocorreram ali 8 jogos da Copa do Mundo. ELA acabara de completar 11 anos, não sabia ornitologia nem etimologia, não entendia nem gostava de futebol, mas era inauguração do que então se dizia “o maior estádio de futebol do mundo”, portões abertos (gratuidade), mulheres-crianças-cachorros (muito comum cachorro entrar em igreja na hora da missa e ninguém bota para fora, já repararam?) sempre bem-vindos, trio familiar foi assistir. A mãe tinha um primo bastante desagradável, rapaz, primo da garota em segundo grau. Puxava as duas tranças escuras, tentava morder a ponta do orelha (a reação era chutar as pernas dele), apertar as bochechas... Brincadeiras brutas e ELA só não detestava radicalmente o fulano porque era filho dos padrinhos e permitia que, em casa dele, “visitasse” o atlas geográfico e a coleção das obras de MONTEIRO LOBATO. Daí que, Maracanã enorme lotadão, gente que não acabava mais, quietinha na arquibancada entre pai e mãe, sentiu que alguém, sentado atrás, lhe puxou as tra nças: era ELE!!! Como chutá-lo? Ninguém a defendia, não a advogavam nunca. Aprendeu cedo a se virar sozinha contra ataque masculino... 2 - RODA-GIGANTE - Aniversário dela, dezoito anos. Lanche farto e uma prima cismou porque cismou de irem a um destes parques de diversões instalados em terreno baldio de subúrbio. Perto, duas ruas adiante. Escutaram pelo alto-falante o oferecimento “a uma certa viuvinha”. Tocou a primeira música, as DUAS na barraca de pescaria; tocou a segunda, barraca de tiro de rolha; terceira música, aí o locutor disse que “a viuvinha estava dando tiro no coração de um apaixonado”... Que viuvinha’ seria esta? A moça se olhou e percebeu que estava vestida na cor preta de cima até os pés, tal e qual uma ‘viúva’ de verdade: blusa de renda furadinha e quase transparente (um tanto provocativa...), saia justa, meia comprida e sapato. O locutor anunciou que a “viuvinha” se aproximasse da roda-gigante. Quem estava lá? Um rapaz que havia paquerado a aniversariante no tempo da escola primária - “bom dia” puxando as tranças; “até logo” (no recreio, grupinhos de meninas de um lado, meninos de outro); “saudades” ao retorno; e “até amanhã”... Cínico e discreto, ninguém percebia as puxadas de trança. Certo dia ELA levara pão com goiabada, distraiu, sentou em cima do lanche, súbita chuva, descanso na sala de aula, abriu o sanduíche, girou o corpo rapidinho para trás e... era uma vez um rosto masculino todo maquilado de doce vermelho esmagado. Pois bem, parque de diversões, agora outro bairro e tantos anos passados, o “galã” a reconheceu, cabelo curto, fingiu encantar-se com a prima e............ Desta vez, AMBAS com o papel do cachorro-quente sujo de molho e mostarda, a ex-estudantezinha executou e a prima fez também, apenas em solidariedade feminina porque não conhecia a estória antiga. Ninguém entendeu, mas foi aquele som de gargalhadas gerais. O envergonhado fugiu ao gritos de “trançuda, trançuda”. 3 - TABLADO GIRATÓRIO - Festa folclórica, ELA foi sorteada para dança russa. Traje vistoso. Saia rodada comprida em cetim azul, barra com círculos de fitas em diversas cores, blusa branca, um corpete vermelho ajustado, polaina de couro fino, cabelo artificial em duas tranças verticais, uma faixa com pequenas flores e pontas de fita penduradas. Lembrou-se de um carnaval na infância, *“princesa das czardas”, pulara muito no baile infantil, de um lado o “indiozinho” ciumento e de outro um “cigano” metido a sedutor. “Ent re lês deux, mon coeur balance...” Boas recordações! Um mês de ensaios no chão cimentado. Na última semana, armaram no palco um enorme tablado redondo giratório, as quatro rodas de quatro moças ensaiaram em separado e depois em conjunto. Coreografia perfeita. Seriam a atração principal... e foram! Ora, se foram! Valsas gravadas em som bastante alto e três violinistas ao vivo. Até um certo momento, dançavam e sorriam. De repente, a tal engrenagem acelerou, as dezesseis dançarinas se desequilibraram, mas antes de cair ao chão uma das companheiras esticou a mão para o lado, puxou as tranças dela, foi a única das dançarinas que teve a peruca arrancada em pleno espetáculo. Jurou: “Tranças e espaço redondo nunca mais! 4 - DISCO-VOADOR - Agora, espaço redondo, sim, tranças não. Tirados os tapumes, a vizinhança viu uma construção redonda, casa de arquitetura moderníssima, toda pintada de branca, pequenas janelas com vidro verde, redondinhas como as escotilhas de um submarino. Melhor: construída num morro, entrada pela rua atrás da casa, parecia mesmo um disco-voador solto no espaço. Ainda sem moradores. Carros passavam bem devagar na estrada e as pessoas mais ousadas iam olhar de pertinho. Na memória dela, surgiu a figura de um estudante de arquitetura que adorava ficção científica e sonhava casar com uma... marciana. O namoro com a garota bonitinha esfriou rápido. Soube depois que ele casara com uma herdeira rica, oferecida pelo pai industrialíssimo (de quê?) num anúncio de jornal - o contrato exigia união matrimonial mínima de 7 anos... e 3 netos. Parou um carro e desceu um casal - ele, o arquiteto que pelas idéias extravagantes ganhara fama premiada em poucos anos, e a família... mas que família! Todos em trajes cor de prata, macacões como astronautas ou marcianos. Aí então ELA compreendeu porque o pai rico oferecera a filha ao “corajoso” e ofertara gordíssimo dote. Moça extremamente magra, parecia transparente de mostrar estrutura metálica, a cabeça bem redonda e desproporcional, olhos verdes ovais enormes, orelhas grandes como antenas e... cabelo preto com luzes ou reflexos na cor verde. Três crianças que pareciam artificiais, andando automatizados como robôs, não deu para ter a menor certeza. ELA não se identificou, retornou ao carro, um tanto incrédula, ao mesmo tempo vingativa e vitoriosa. ---------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *A PRINCESA DAS CZARDAS - Opereta e balé vienense em 3 atos, ação em Budapeste e Viena, junho/1914. Original de EMMERICH KALMANN (Siofok-Hungria 1882 / Paris 1953), compositor principalmente de operetas.
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Comentários dos leitores

Se uma pessoa real quiser virar personagem, basta recordar e lhe contar um fato. Ouvi que esta casa existiu e o marketing do arquiteto era a família toda vestida como marcianos. Parabéns!

Postado por lucia maria em 24-11-2013

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