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A SAPARIA...



					    
Mito ou realidade, a saparia está sempre a postos, seja em altares e bruxedos (para o bem ou para o mal), no folclore, em lendas, cantigas, poemas, nos laboratórios e na naturalidade dos brejos. Ah, e na coleção de bibelôs... Anfíbios - sapos, rãs e pererecas - em vida dupla (todos geminianos?): tanto vivem na terra como na água. Desdentados, pele muitas vezes com verrugas onde se alojam glândulas venenosas, veneno ativo, se ingerido ou inoculado no sangue. Urina de sapo vingativo cegou alguém? Pura fantasia porque não expele veneno por conta própria. Rã é verde, salpicada de cor escura, riscas amareladas. Cerca de 2.200 espécies de batráquios, muita coisa! E versáteis. Há desde o sapo-boi, sul-americano, de 22 cm e 1 e 1/2 quilo, o normal é apenas 9 cm, a mini pererequinhas de 1,5 cm... Ovos sob ‘colchão’ de espuma gelatinosa e logo surgem os filhotes- girinos. Alguns conservam as larvas em bolsas bucais ou cavidades na pele. Barulho, eles fazem: o sapo-ferreiro coaxa como se batesse na bigorna e faz ninho de barro; sapo-boi muge; sapo-cachorro ladra; sapo-parteiro deve sentir as tais dores, pois o macho envolve nas coxas o cordão de ovos postos pela fêmea e pula na água antes de abrirem. Sapo-tanoeiro é a perereca, rã que vive em moitas e sobe em árvore. Sa pos resistem ao frio; alguns hibernam congelados, ressurgem na primavera. ESOPO contou sobre a rã assustada que imaginara um monstro com chifrões e dedos pontudos nos pés, mas era um boi, pretendeu chegar ao tamanhão deste, foi respirando fundo, enchendo-se de ar... até que explodiu com grande estrondo. No mesmo autor, estória de rãs felizes num charco e pediram a Júpiter um rei severo e moralista dos costumes - veio uma grande viga, que para nada lhes serviu, aí pedem novo rei, Júpiter enviou uma cegonha que as devorou. No geral, sapos e rãs são aventureiros e espertos. No Brasil, sapo esperto foi aquele que, sem saber voar, meteu-se na viola do corvo e foi à festa no céu. No folclore, na cabeça do sapo há uma pedra de ouro com poderes mágicos. De todo modo, desde antigas teogonias, com deuses sob estas formas, sapo e rã são considerados protetores das fontes de água, rios e lagos de onde viria a chuva. No folclore norte-americano, a rã produz chuva, regula o clima, acalma dores e cura doenças. Numa lenda guarani, Tupã enfeitou um pedaço de argila com as cores do arco-íris, criou o beija- flor, o diabo Añá tentou imitar, mas seu pássaro caiu ao chão e logo saltou um grotesco sapo. Consta que a rã possuía cauda e a perdeu - não tinha cauda, os animais a achavam feia por causa disso, rezou, o Grande Espírito lhe deu uma cauda na base da troca: vigiar que certo poço nunca secasse. Orgulhosa e arrogante, vigiou, mas mentiu para os bichos que o poço estava seco, insultando até mesmo o Grande Espírito, disfarçado. Castigo eterno pois o girino tem cauda, cresce, a cauda encolhe e desaparece: “já era”. No folclore angolano, rã e elefante cortejavam a mesma moça, resolveram visitá- la, a astuciosa rã simulou cansaço, pulou nas costas do elefante que assim lhe serviu de montaria, rã presa por umas cordinhas, como rédeas, a pretexto de “para não cair” e galhozinho de árvore para espantar moscas: cavalo de montaria da rã, elefante desmoralizado! No antigamente, o cachorro cantava até melhor que o sapo, este sugeriu boca maior para cantar melhor, o cachorro acreditou, mutilou-se com uma faca e nunca mais pôde cantar. No folclore japonês duas rãs desconhecidas querem uma visitar a cidade da outra, mas há um quiproquó na visão de ambas, no alto da montanha, quando estão de pé, os olhos enxergam o que está atrás e cada uma vê sua cidade de origem, desistindo por imaginarem cidade s absolutamente “iguais”... Nos contos de fada, estórias universais de maravilhas, príncipes ou princesas encantados na forma destes bichinhos e o toque mágico seria um beijo de amor. Há uma estória em que a ex-rã não eliminou a pele e às vezes saía do papel de belíssima (e riquíssima?) princesa para condição antiga. “Tédio” da fortuna?! Há outro conto que a rã, no teste de caça a um marido, executava tarefas manuais que as moças não conseguiam fazer. Mais interessante um conto intertextual em que a rã encantada surge para o príncipe numa abóbora-coche, puxada por seis ratos, que logo depois se transforma em luxuoso veículo puxado por cavalos e a bela princesa aparece. Num outro conto intertextual, o príncipe desesperado trouxe para a cidade um sapatinho de cristal numa almofada de veludo, protegido por uma campânula, procurando a mulher em cujo pé aquele sapatinho coubesse, mas em nenhuma delas serviu; quando a comitiva do príncipe estava para partir, chegou a notícia de que uma jovem de extrema beleza, dormindo, ainda não provara o sapato - quando ela veio, calçou o sapato que lhe serviu com perfeição - numa incontrolável felicidade, o príncipe abraçou-a, encantado, deu-lhe um beijo... e se transformou num sapo. Rã não é, como se diz popularmente, a mulher do sapo - são espécies diferente s. Na “vida real”, sem encantos, o sapo bem pode se apaixonar por uma linda sapinha verde cantora... Pois é, numa HQ, adaptação humorada de estória muito antiga criada por MAURÍCIO DE SOUSA: Sobre uma pedra, sapo pede um beijo para se transformar num príncipe, Mônica faz cara arrepiada, “Aaarh! Jamais eu beijaria um sapo! Bicho nojento!” Ele salta da pedra, comenta a maldição de duzentos anos, conformado aceitaria casar com uma linda sapinha, esta aparece, beijam-se (na HQ, desenho de coração vermelho e a onomatopeia Smac!) - aí, o sapo vira príncipe e a sapinha... continua sapinha. Na medicina folclórica popular, água fervida do batráquio curaria asma - sapo cura febre (sob a cama ou travesseiro), verruga, cobreiro, dores estomacais, diarreia, impotência sexual, picada de cobra etc. Em medicina séria, mas em nomes populares, olho-de-sapo é a exoftalmia, pálpebras empapuçadas ou inchadas, e sapinho certas manchas brancas ou amareladas na mucosa bucal, produzidas por fungos. Sapo é também conhecida doença do casco dos cavalos. Pendurado na cocheira por uma perna, afasta qualquer doença dos cavalos. Negativamente, sapo azeda o vinho, mama o leite das vacas, ataca ninhos de pássaros e colmeias, enfeitiça pessoas e animais, causa a raiva canina, entre outros fatos. Maldosamente, rãs mordem a lua e causam eclipses. As bruxas colocam o sapo de barriga para cima na entrada de uma cova, de preferência com cabelos da vítima, e pronunciam três vezes o nome do “ganhador” do malefício, geralmente a loucura. Em Shakespeare, 1605, “Macbeth”, Ato IV, cena I, há uma receita de “sopa do Diacho”, com carne de sapo. Um popular feitiço é costurar a boca do sapo com o nome do inimigo, causando cegueira, perturbação psíquica ou invalidez permanente - sem piada, de fato ele também exala um substância tóxica possível de corroer o papel. Desde o Egito Antigo e a Caldeia, há interpretações geralmente ruins se o sapo surgir num sonho. Ou o sapo é a encarnação do diabo ou é tradicional ingrediente de feitiçaria, assim como urubus, morcegos, bodes, cobras e corujas. Na Inquisição, as ditas bruxas “confessavam” sobre o sapo-diabo ou que ofereciam o seio para vida amorosa. Segundo a ciência, agora com seriedade, o sapo acumula alta carga energética. Sobre o relacionamento sapo & mulher, ela engravida se passar perto dele à noite e no mato, às vezes do próprio sapo, a criança nascendo um mostrengo - meio gente e meio sapo. Em botânica, existem sapo-e-cobra (certa orquídea brasileira) e barriga-de-sapo (folhagem verde, redonda e com manchas claras). Na linguagem popular, além de certos trava-línguas, diz-se que “sapo de fora não chia” (estranho não deve opinar), ruim é “engolir sapo” (não reagir ante algo desagradável), pior é “boca de sapo” (mau agouro, prognósticos sombrios), fiscalizar disfarçadamente é “sapear”, existindo nos observadores de jogo o “sapo quente” (que data sorte) e o “sapo frio” (que dá azar). Na cultura erudita, JOÃO GUIMARÃES ROSA, em “A hora e a vez de Augusto Matraga”, registra um provérbio ‘capiau’: “Sapo não pula por boniteza, mas porém por percisão (assim mesmo: per-).” MANUEL BANDEIRA aparentemente dedicou aos batráquios um poema escrito em 1918, “Os sapos”. Na literatura infantil, no livro “Fábulas e histórias diversas”, MONTEIRO LOBATO oferece quatro estórias tendo a rã como protagonista: “A rã e o boi”, “O touro e as rãs”, “A rã sábia” e “O rato e a rã”. No cancioneiro infantil, algumas canções em cantigas de ninar. Em recreação, sapo é uma das figuras mascaradas que integram no carnaval brasileiro o “Cordão dos Bichos”, desfilando aos saltos. E é muitas vezes o sapo alegre que nos acorda em muitas manhãs... ---------------------------------------------------------------------------- FONTE: “O erotismo, a feitiçaria e o pueril no folclore do sapo”, de Maria do Rosário S. T. Lima - D. O. Leitura, SP, agosto/1989. NOTA DO AUTOR: ANFÍBIOS - Seres vivos (animal ou vegetal) que vivem tanto na água como na terra. Além disso, por extensão de sentido, pode ser tanque, carro ou barca, que pode andar tanto sobre o solo como sobre a água. BATRÁQUIO (zoologia) - Classe dos vertebrados anfíbios, de pele nua e viscosa, que passam por metamorfoses e constituem o grupo mais antigo de vertebrados terrestres. Conto “O SAPATINHO MÁGICO”, de João Carrascoza - Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, SP, 5/8/90. Poema “OS SAPOS” - Bichos usados como metáforas. O que MB propõe é uma revolução na poesia: destruição da linguagem parnasiana formal. Lido por Ronald de Carvalho numa das noites da Semana de Arte Moderna (São Paulo, 1922) provocou escândalo e tornou-se uma espécie de hino dos modernistas da primeira fase. F I M
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Comentários dos leitores

Tenho uma coleção da sapinhos-sapos-sapões... bibelôs. Gosto de textos que ensinem alguma coisa. Só não incluiu receitas culinárias com rã - frita é um "homenzinho" esticado. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-12-2013

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