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A FIGURINHA PRECIOSA



					    
Um estímulo nos leva a outro. Fiz uma pesquisa sobre HQ e lá no baú da memória surgiu... álbum de figurinhas. Na incerteza se eu tivesse 7, 8 ou 9 anos (passado ‘muito-ou-pouco’ longínquo?!), fiz outra pesquisa: Linha do tempo - 1974 - Incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo - Inauguração da Ponte Rio-Niterói - Fittipaldi, título mundial de Fórmula 1, Estados Unidos - Revolução dos Cravos em Portugal - Retorna à Terra a terceira e última tripulação do Skylab. - 1975 - Coroação do novo soberano do Butão, aos 18 anos de idade - Em referendo, 70% da Grécia vota pela república e rejeita monarquia - Turcos invadem a Ilha de Chipre. - 1976 - Enredo carnavalesco “Uirapuru”, escola de samba Mocidade, Rio - ONU oficializa o Dia Internacional da Mulher - Jobs e Wosnian lançam a Apple - No cinema, “Dona Flor e seus dois Maridos”, “Casanova” e “L’Innocente”. Na família da minha AMIGA carioca (uma em dúzia!), existiu uma senhora que falava assim: “Toda notícia chega em paralelo, em dupla, fatos iguais, só mudam as pessoas. E quando pensamos em nós e falamos de nós mesmos, sempre podemos comparar com outro acontecimento, outro nome, sempre algo parecido.........” Não sei exatamente quando aconteceu, mas me senti vítima de um quase incêndio, no meio de um fogo desesperador, ou como quem cai de uma ponte de rio altíssima ou é atropelado por um carro a 200 km/h. A duras penas, EU estava quase completando um álbum de WALT DISNEY, bastante cheio, tinha muitos personagens... Folhinha marcando 8 de março, praticamente aulas iniciadas há poucas semanas, traje novo, calçado idem. Pedi umas “moedas” (quatro filhos e ELE só aceitava que usássemos esta palavra, nunca pedir... “dinheiro”) ao meu pai a pretexto de comprar maçã para o lanche da escola; ELE enfiou a mão em três bolsos, catou daqui e dali, até tirar uns centavos e me disse para comprar um doce ou balas pois não tinha mais dinheiro (enxugou discreto uma lagriminha... improvisado “cisco” inconveniente). A caminho da escola, parei na banca de j ornais e com as moedas humildes comprei um pacote de figurinhas. Leitor acredite ou não, era a figura do “Carteiro” (lembro até hoje... Mein Goten, cerca de 4 décadas depois?!) - EU me senti um rei coroado, governante eleito por maioria absoluta, jornaleiro como um amado súdito a me servir e adivinhar todos os desejos. Fiquei super contente, coração acelerou, flutuando mentalmente no espaço sideral, e - ainda inocentezinho - mostrei a muita gente na escola. Uma menina portuguesa que mal me olhava na sala de aula, súbita e falsamente interessada no galã, deu um beijo no rosto (como é o feminino de Judas?) e um cravo (minha primeira desilusão amorosa), colhido de imediato na pracinha. Alguns meninos ofereceram dezenas de figurinhas, inclusive todas as poucas que EU ainda não tinha, em troca da minha preciosidade - recusei todas as propostas. Na época, escola estadual era instituição de muito bom nível, também frequentada pelos filhos das famílias mais favorecidas, ou seja, de melhor situação econômica que nos apelidavam de “os-meninos-tô-com-fome-futebol-clube”... Preconceito exagerado porque a comida muito gostosa para os estudantes era cuidadosamente elaborada por nutricionista e preparada pelas merendeiras... - e os “sem-fome” pediam sempre para repetir, somente os “pobrinhos” eram educados e não faziam as ridículas guerras de casca de banana - os abastados ‘príncipes’, sim. Bom, esses garotos grandes se aproximaram de mim, mostraram suas figurinhas e “pediram” para EU mostrar as minhas, que eram neste dia só as três do envelopinho, incluindo a preciosidade “Carteiro”; trocaram olhares e os três juntos - invasores da minha paz - me derrubaram ao chão, me entonteceram com uns sopapos, levaram as figurinhas. Rei destronado ou presidente deposto? Chorei muito, não só pelo fato de ter apanhado, mas de ter perdido o que EUZINHO considerara um lance de muita sorte, uma espécie de... loteria. (“Quero crescer logo e ser um juiz: dentro das leis, mas bem severo!”) Ainda arrisquei outras figurinhas na mesma banca de jornal. Céus! Nada! O meu álbum, meu sonhado e distante pássaro inalcançável, ficou incompleto, uma única figurinha ausente. (Procurar a felicidade suprema é mais ou menos isto!) Desisti de colecionar coisas e amores. Posso até partilhar ou colecionar mulheres, mas a sonhada única ‘figurinha difícil’ ainda não apareceu... F I M
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Comentários dos leitores

Conto emocionante! Sei de uma pessoa que foi honestamente sorteada em lotadíssimo auditório infantil, estava com o sapato da loja patrocinadora nos pés miúdos, ganhou uma boneca linda, rosto de louça, caiu no palco e......... Parabéns! Parabéns!

Postado por lucia maria em 11-12-2013

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