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NA ATUALIDADE: ABEL E HELOÍSA



					    
A ARTE, qualquer que seja (a Dança, a Música, a Pintura, a Literatura...) é necessária ao ser humano. Educa e distrai ao mesmo tempo. O ser humano sempre gostou de contar ESTÓRIAS, reais ou fictícias, incluindo-se mitos religiosos e lendas ancestrais. Plateia sempre existiu! Há estórias inventadas agora, assim como existem as intertextuais em que a base é uma narrativa anterior, sem ser plágio, pois o homem e a mulher somente repetem Adão e Eva através dos milênios, como já podemos dizer em segurança. O que acontece hoje com uma pessoa é o retrato do passado de outra ou será projeção futura igualzinha. Há uma explicação-clichê: não paródia nem sátira e sim mera coincidência. Curiosamente, adultos e crianças se transferem para o lado da diversão e passam a ser íntimos da Cinderela, da Odete Roitman, do Roque Santeiro... até do Saci Pererê. A estreia da radionovela EM BUSCA DA FELICIDADE se deu na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, sob o signo intelectual e principalmente versátil de Gêmeos - 5 de junho de 1941. Durou dois anos de pleno sucesso no ar. Texto original cubano, traduzido e adaptado para nosso país. (Hoje, o mundo todo “baba” pelas nossas telenovelas, vejam só!) Altos índices de audiência: todos riam e sofriam pelos personagens. Mocinha grávida e abandonada, de todo lado ‘choveram’ enxovaizinhos para ajudar, por mais que tentassem explicar através das ondas do rádio que aquilo não era real: nada além de uma es-tó-ria!!! E as doadoras aceitavam? Enfim, alguns locais pobres acabaram se beneficiando com estes presentes. Precisei buscar inspiração para escrever novos contos. A intenção naquele momento era melhor estudar e reproduzir a alma feminina, fosse de mulheres mandonas como sargentos ou doces como fadas - como reagiriam a ataques dos ousados... O primeiro passo era oferecer uma ingênua coelhinha (ou esperta raposa?) aos caçadores. Entrei em sala de bate-papo. Arrisquei Virgens. Lembrei de uma amiga do jardim de infância, HELOÍSA, corpo todo delicadinho, porém atrevidíssima e líder na sala de aula. Uma generala! Imediatamente um ABELARDO se apresentou. Dera o nome verdadeiro? Não sei... Dizia-se professor universitário de filosofia, genioso, contestador e polêmico (reencarnação ou cópia do verdadeiro ABELARDO, entre final da Idade Média e início do Renascimento?) e propunha conversarmos. Aceitei. Tive que me ‘assumir’ como HELOÍSA. À minha frente, calendário parado no dia 20 (raramente troco a folhinha diária), então era a idade da jovem recém-criada, 20 aninhos. (Minha idade? Tenho o dobro e mais um pouquinho.) “Vai ser fácil (pensei): tenho sobrinhas e alunas......... Boa fonte de observação.” Fácil? Ilusão total. Nada fácil!. Foi uma experiência muito interessante trocar ideias e opiniões com um cidadão distante, quase três vezes a idade “de” HELOÍSA, porém a tarefa (ou missão?) mais difícil e complicada a que me expus. Heterossexual convicto, EU me sentia “melindrosa carnavalesca”, estilo 1920 - vestido de cetim, colar de pérolas caído até a cintura, tiara de pedrinhas, piteira, pernas cabeludas e um vozeirão. Quase um ser-ou-não-ser... em fevereiro ou março. Bom, ‘esta’ HELOÍSA usava jeans, biquíni, sandália rasteira de tirinhas (amava dourado!) e era secretária de uma advogada - ELA assim se descrevia por escrito. O contista aqui, machão fora do computador, versus ‘mocinha’ ao teclado. Embora EU tenha outro emprego de horário integral, época de férias escolares dele o dia inteiro e minhas noturnas, o professor e a secretariazinha trocavam e-mails constantes, nos fins de semana e em especial à noite até bem tarde. ABELARDO - achando-se o máximo em tudo, mandão, o “rei” de dar ordens e exigir obediência: muitas vezes formalíssimo, imparcial, radical, possessivo, um tanto ciumento e parecido comigo (ah, o que é meu, não divido nunca!). Diferença - ELE, signo de Água, e EU, de Fogo. HELOÍSA - nasceu rebelde e vai ser assim a vida inteira, a “princesa” que nunca obedece e adora fazer exatamente o contrário do que um bobo corajoso tenta sugerir: EU adoraria ter uma filha com esta personalidade contestadora, braba, nunca de cabeça baixa. Inspiração numa “certa” AMIGA carioquíssima, geminiana versátil que detesta pessoas formais, curte abalar qualquer elemento que lhe peça primazia, e enigmática diplomata que chuta e enrola em todas as direções - gregos e romanos, árabes e judeus, mineiros e paulistas... Signo de Ar. (Como sofri pesquisando para criar esta personagem mulher geminiana! Certas direções me pareciam multipolares e totalmente hospicianas.) Mil e uma divergências, e-mails já durando “eternos” cinco meses no calendário, desde o início de dezembro, menos um mês em que o computador dele enguiçou e um bom tempo em que ELA silenciava dias seguidos sem explicar nada ao retorno (EU meio atrapalhado - não tinha fisicamente como alegar TPM). ELE alternava imagens de flores com pensamentos reflexivos, mensagens metafóricas de paz para uma HELOÍSA eterna guerreira, fotos do seu Estado com localidades famosas internacionais. Contudo, “derretia-se” todinho com a garota. Impossível ter 321 ou 123 outros internautas, ninguém tem o poder ubíquo de Santo Antônio de Pádua, rezando missa na Itália e ao mesmo tempo tirando o pai da forca em Portugal. Vaidoso e exagerado. (EU sou assim também?) ABELARDO gastava muito tempo com HELOÍSA. E os outros 320 ou 122? (E EU-pesquisador gastava muito tempo com ELE...) Cheguei a um ponto insustentável de impaciência. Bom, o que EU quisera mesmo era observar e já memorizara tudo: o ponto de vista masculino e consequentes procedimentos de um homem madurão ante uma garota bem novinha. Misto de incesto e um retorno à juventude? Não sei... Como HELOÍSA poderia se descartar deste ABELARDO? Refúgio em convento não se usa há séculos. Ah, EU arrumaria um namorado para a jovem! ELA o conhecera ainda garota, 10 anos, em traje de jardineira do carnaval anterior, vestido colorido e agora encurtado, apenas sem o avental e a cestinha de flores. Foi visitar parentes, terreno frutífero, dois rapazinhos vieram na gula de figos e mangas, ELA pediu licença aos donos da casa (“...meninos grandes”, disse), entregou as frutas, os irmãos agradeceram e foram embora, olhando para trás já no outro lado da calçada. (Sou muito bom de imagens detalhistas, por isso mesmo é que convincentes.) Sim, dez anos depois ELA retornou ao local, final de abril, mesma casa, churrascada (não sou muito carnívoro), vizinhos a reconheceram de imediato, mas a simpatia maior caiu no mais velho, quatro anos mais que ELA. (Intertextualidade de mim mesmo numa certa novela recente de 12 capítulos.) Nome dele? Digitei ABEL (eterna dúvida de quem matou quem...), por falta de ideia mais original naquele instante. Percebi ciúme e preocupação em ABELARDO. Aí, virou paternal, todo conselheiro. (HELOÍSA-mulher diria “conselheirinho”...) Vaidosamente, escreveu que sentia parte dele dentro do coração dela através do nome do novo amigo. Senti um certo arrependimento (ou raiva dela?), como se a “traição” da garota fosse comigo, e adiei temporariamente o namoro. HELOÌSA fez 21 anos em maio, jantar familiar para onze convidados, sem décimo terceiro à mesa, ABELARDO enviou um poema e nove cartões virtuais. Perguntou audacioso se outra pessoa qualquer mandara agradinhos semelhantes. Claro que não! (EU “era” HELOÍSA somente com ELE, mas não podia dizer. Mentalizei - ciumentão. EU perguntaria igualzinho a uma namorada próxima ou distante.) Ao final de junho, a nova família amiga veio visitar, ABEL e HELOÍSA terminaram o domingo já enamorados, e depois namorados na quarta-feira quando ELE a foi buscar após o trabalho no centro da cidade. Meio caminho andado, como se diz popularmente, EU voltaria a ser EU mesmo. ABELARDO paternalíssimo agora, sem antigos ares de sedução. Adotara uma filha? Não sei... Talvez ELE tenha apenas filhos rapazes. Continuava o não-ata-não-desata, e-mais mais raros, ELE sem Internet em casa... Lá pelas tantas, HELOÍSA intempestiva meteu os pés pelas mãos, que ABELARDO estava conselheiro e palpiteiro demais. Improvisou briga sem nenhuma lógica, sugeriu terminarem a correspondência. ELE não entendeu, porém o-be-de-ceu. No automatismo das mensagens de fim de ano, inadvertidamente enviei para ABELARDO que respondeu felicíssimo, coitado! “Recaída?” - perguntou. Retribuiu os bons votos, incluindo o namorado de HELOÍSA. Em seis meses de namoro, quatro dias antes do Natal, doutorzinho advogado ABEL e HELOÍSA casaram somente no civil (pesquisei as possibilidades em loja feminina): ELA, duas peças em azul claro - saia justa e casaquinho, flor do mesmo tecido no cabelo, sapato fechado de salto médio. Ah, teve bolo pequeno e champanhe - pouquíssimos parentes e amigos. Lua de mel num hotelzinho bem perto, para poderem ir e vir, passando Natal e Ano Novo com os pais, viagem maior a 2 de janeiro. HELOÍSA se despediu de ABELARDO - acho que ELE sofreu, mas desejou felicidades. Agora, ABELARDO escreveu que tem um presente de casamento para ABEL e HELOÍSA, uma colcha especialmente encomendada para o casal a uma artesã, com os monogramas entrecruzados, A e H. Só sabe que é Rio e quer endereço para enviar. Bom, na minha casa paulista a cama é grande, mas não casei com ABEL nenhum!!! E agora? HELOÍSA certamente irá responder, protótipo de guria simpaticamente atrevida - “Dispenso presente de amigo chato. Dê a uma instituição de caridade para leilão no dia 13 de junho!” O mundo ficcional é isso. Ou você convence o leitor ou você não é um escritor de verdade! F I M
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Comentários dos leitores

Bom, se você não é a Heloísa, o tal professor também não deve ser um Abelardo. Mas eu conheço esta moça muito bem, sua musa inspiradora. Parabéns!

Postado por lucia maria em 13-01-2014

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