Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio ebook Vigilante

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


A BARATA ANDARILHA E O GATO VAGABUNDO-ORDINÁRIO



					    
Homem quando persegue, é uma tremenda chatice. A BARATA sempre foi andarilha, agora muito mais... (Conheci uma garota carioca que chegou para morar em bairro novo a dois meses de fazer 16 anos, credo, foi o sucesso da rua - entre outros, o bobo que morava em frente perseguia o tempo todo. ELA ia comprar leite no botequim, ELE chegava pertinho, silencioso, de fã ganhou até o apelido de fan... tasma.) Voltemos à BARATA. Pois o GATO a perseguia de todo jeito, esticava a patinha, tentava agarrar, mas a diferença de tamanho era descomunal, mais para agressão que carinho. ELE, um carinhoso rude... Um dia, ELA, que já era meio agitada e “nervosinha” por natureza - daí talvez a expressão “estar baratinada” -, campeã de corrida e natação (pessoalmente, o narrador aqui nunca viu uma barata afogada - leitor já viu?), subiu nas costas dele, Gigante de 1.80, andou em diversas direções e deu-lhe uma prensa: “Você me ama ou odeia?” Aí, quase melodrama, o GATO derramou lágrimas de colírio teatral, fez (falsa?) declaração de amor, que apreciava mulheres douradas, blá blá blá, queria namorar, casar, ter filhos etc. Mulher vibra com a ideia de casamento - dispensa vestido de noiva, aliança, mas o desejo de POSSUIR um boneco-marido vem desde o berço... ELA tentou contra-argumentar, citou um caso muito antigo: “certo” gato malhado (a BARATA há muito tempo descobrira o secreto longínquo parentesco...) e a bisavó (?) de uma andorinha (amiga atual, que voejava todas as manhãs ao redor da pitangueira), amor totalmente impossível! Não teve jeito, o GATO insistiu... ELA acabou cedendo. A natureza tem mistérios. Sonhou com uma FADA milagrosa, cresceu durante o sono e amanheceu ‘grandona’. Bom, nem tão grandona assim: 1.55, medida certíssima na farmácia da esquina de casa. Namoraram em tempo curto, de setembro a dezembro, e casaram somente no civil, despesa menor - um almoço para os padrinhos. Viagem de lua de mel transferida ‘sine die’, sem chegarem a um acordo, pois ELE queria andar sobre os telhados de Ouro Preto (máximo do barraco nacional) ou de Paris (conhecer bares e cafés onde andaram Sartre/Simone, filósofo e professora-escritora). ELA queria os esgotos de São Paulo (capital do Estado que não pode parar, resíduos industriais deliciosíssimos) ou de Paris (visitar os alfarrabistas/sebos de Saint-Germain de Prés, muito papel para roer). As várias predileções em nada batiam, isto é, combinavam. ELE tomava muito leite, ELA preferia gotas de licor, farelos de cereais ou açúcar. Inclusive signos zodiacais odiosamente opostos (ÁRIES, elezão mandão, versus GÊMEOS, elazinha diplomata) e maravilhosamente complementares, pode? Contudo, apenas 7 contadinhos meses de felicidade em fogo antes da rotina, do tédio... (Nos seres humanos, longuíssimos e patéticos 7 anos!) Continuaram casados, tranquilos. ELE contou a estória quase surrealista (começou a inventar como um verdadeiro contista de site literário?) sobre hora extra, expediente quase dobrado - 14 a 15 horas diárias? - na empresa sanguessuga onde sua função de metalúrgico era fabricar parafusos. “Uma equipe errou, as máquinas são continuadas - bastou um parafuso quadrado para que saíssem milhares e milhares de parafusos com defeito. Uma indústria de móveis, bom cliente, parou a produção interna e exigiu a correção dos metaizinhos até dia 8, véspera do feriado estadual de 9 de julho... ou mudaria de fornecedor.” Pânico geral, serviço extraordinário em dois fins de semana sem folga nenhuma. (É de se acreditar???) Fábrica de 7 às 17, 7 dias na semana. Quando se desconfia ou percebe mentira, do marido para ELA ou da mulher para ELE, manda o bom senso que se “acredite” antes de briga violenta a caminho do fatídico, desgastante e algumas vezes traumático divórcio. A BARATA fez contato pelo celular com várias amigas que fizeram contato com outras, outras, outras (empresa longe: na zona industrial da cidade)... e informaram que naqueles dias estava funcionando, sim. Então, desta vez o GATO não mentira. Marido “gato”, aspecto chamativo, mulher não pode dar moleza. No feriado, ELE - nuzinho em pêlo (duplo sentido) -, tadinho, dormiu o dia inteiro. Certa vez, convidado a cantar num 1º de maio no clube campestre do sindicato, fez sucesso ao karaokê organizado pelos funcionários japoneses e o prêmio foi beijar na boca uma nissei. Castigo? Dormiu 3 noites no sofá puro: “Lençol, travesseiro e coberta é luxo de burguês (?!)” - a ‘carrasca’ sentenciou. Durante dois anos botou na cachola que era um cantor de verdade. Agora casado, estava difícil. Decorou canções e seu carro-chefe passou a ser a canção “O gato”, de Toquinho e Vinícius, onde se diz do personagem que “gosta muito de cafuné”, quem não gosta? Em noites de lua cheia, em todo caso, ELA permitia que ELE cantasse no telhado de casa e ronronasse para a Lua distante. O desejo de liberdade foi crescendo, crescendo, crescendo - um dia o GATO largou empresa, a mulher amada (amada?), foi correr “o mundo”. Simplesmente s u m i u. A BARATA, super feminista que nunca aceitou ser totalmente sustentada por pai ou marido, arranjou novo e interessante emprego: provadora de comida. Sim, o mestre-cuca lhe apresenta pequenas porções para teste, ELA prova, experimenta, dá sugestões de tempero ou outros ingredientes. Cria novos pratos. Expert agora em cozinha transformista, ou seja, nunca desperdiçar coisa alguma, juntando ovos com sobras e creme de leite, depois liquidificador, frigideira untada, omelete certeiro e gostoso. Tornou-se mais andarilha ainda. “Cansar as pernas para descansar a cabeça, não pensar no vagabundo-ordinário que me abandonou.” Avião se viagem fora do país. ELE corre todos os lugares onde haja festivais de canções - Brasil, Chile, Portugal, França, Alemanha e outros. Premiadíssimo ao violão. Viram-se uma vez em Londres, no Soho, bairro boêmio com grande pluralidade cultural, apenas um “Oi!” de parte a parte, sem aparente emoção maior. (Segredo: ELE chorou depois, escondido.) NOTA DO AUTOR: O GATO MALHADO E A ANDORINHA SINHÁ - Uma estória/história de amor: fábula. Livro infanto-juvenil de 1948 escrito pelo baiano JORGE AMADO em Paris, onde residia com sua mulher, a paulista ZÉLIA GATTAI, e o filho JOÃO JORGE (PALOMA nasceria depois). Moral do livro: “Aceitar as diferenças, sejam elas raciais, sociais, educativas...” F I M
Copyright ATHINGANOI © 2014
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 315 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Ouro Preto - barrOco e não barraco. Eu conheço esta BARATA e este GATO (gatésimo, por sinal), mas ele não gosta de conversar assuntos íntmos e é enroladinho. Parabéns!

Postado por lucia maria em 25-01-2014

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.