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O PIRRACENTO



					    
Muito machão e coisa e tal, mas arrumou uma namorada de quem diziam ser bruxa. No jogo do amor acontecem arrepiados mal-entendidos mesmo, sem chance de consertar. Sem chance? Fatalismo... isso? Moira, destino em grego? Tragédia? SÓFOCLES? ELA falou sem perceber, maldade jamais, alguma frase em duplo significado que o desagradou e “ofendeu” profundamente... ELE resolveu ficar de mal e pronto! Na verdade, pirraça falsa - morre de medo de compromisso. “Casar? Nunca!” Não atendia telefonema nem respondia e-mail. ELA desesperada, enlouquecida, mandou orquídea virtual, bilhetes e mais bilhetes, frases filosóficas, um rosto com uma lágrima, chorou, esbravejou, esperneou, descabelou-se, dormiu nua para imitá-lo, valvopatia afetada (verdade!), por fim diminuiu a adoração inútil, banho de sal grosso contra mau olhado e cargas negativas, perfumou-se toda ao odor de jasmim, vestido de sedinha com desenho de corações e setinhas, escolheu novo batom; e já se sentia divorciada, desquitada, separada, largada, menosprezada, abandonada... na pista a espera de outro... de preferência o maior amigo dele (duplo significado, inclusive um centímetro a ma is: 1ponto8ponto1) e grande rival no jogo de bilhar do clube sindical. Bela vingança. Desfilariam de mãos dadas e este não possui jeans azul clara nem camisa vermelha, marcas oficiais do zangadinho. (Mas muito medo de ver em Quarentena um próximo e-mail dele, definitivo... em inglês, alemão, mandarim. Como saber o conteúdo sem abrir?) Muitos anos antes uma prima dela fantasiou-se para uma festa de Halloween, saiu do país e a roupa ficou em casa desta namorada do meu AMIGO. Ora, um primo cursava Artes Cênicas e na prova final coube a ele o papel de CYRANO DE BERGERAC, um galã do barroco francês, espadachim valente, moda de chapéu emplumado e grande beijador da mão das damas, portanto frágil de sentimentos. Narigudo, tadinho, e tal complemento plástico foi doado à moça como um presente de um agora ator global - nariz monstruoso. A namorada do meu AMIGO reside numa casa cujo terreno grande tem certas partes muito úmidas e as paredes do quarto estavam sofrendo infiltração. Veio o pedreiro, lista do material necessário, sugeriu nova cor para as paredes, ‘não-minhas-paredes-são-intocáveis-cinza-claro’. (Também EU, narrador, não caso - solidão é gostosa... - a pretexto que mulher implique com as minhas paredes e arrumação dos meus móveis!) O armário de roupas não é monstruosamente grande, mas sempre muito cheio, um peso brabo - roupas, algumas caixas pesadas, mala, bolsas etc. Impossível arrastar. Aí, o rapaz sugeriu esvaziar ou pelo menos tirar uma parte dos objetos. ELA “diz” que não é ciumenta de namorado (faço de conta que acredito), mas de objetos, sim; neste caso, mexeria sozinha nas prateleiras. É um tanto baixinha, 1.55, trouxe para o quarto a escada doméstica e trepou. Lá no alto, tecido ainda inteiro sem costurar, ELA pegou o tecido roxo acetinado que por acaso se desdobrou e, assim de repente, jogou por cima de um ombro, cobrindo parte do corpo. Achou o narigão do CYRANO, resolveu brincar e colocou no rosto, preso por elástico, o pedreiro querendo ajudar e ELA só dizia “não, não”... Tirou mais coisas, ainda na metade da escada, passou para o rapaz e este colocou sobre a cama. Por fim, ah, por fim, achou o chapéu pontudo, preto, car acterístico... pôs na cabeça, por que não? A passadeira, mais míope impossível, odeia óculos, acabara de entrar e enxergou “aquilo”: uma mulher terrivelmente alta, vestida de roxo de um lado e inteiramente nua do outro (imaginação novelesca, só pode ser), um nariz grande... e um chapéu......... Gritou “bruxa!” e saiu correndo para a rua - “...eu vi, eu vi...” A fama se espalhou pela rua inteira. Namorado zangado (ELE se irrita à toa), alguém lembrou que a moça “era” uma bruxa e no momento estava louca-furiosa, fera ferida... O pirracento sacudiu os ombros (pior foi ter sido uma zanga “injusta, muito injusta, injustíssima”, na linguagem da coitada insultada atacada). “Não. Jamais rogaria praga em mim - sou seu anjo-da-guarda...” É, mas papai-do-céu castiga os maus meninos, algumas vezes. À noite, custou muito a pegar no sono, remorso na consciência, sonhou que uma cobra roxa lhe mordia a mão. Acordou assustado com a sensação de um gato preto andando no quarto. E até amanhecer foi assim: ora um jacaré tentando engoli-lo ora uma galinha gigantesca de cujos ovos saiam dragões. No trabalho, onde ELE é supervisor de usinagem (não sei o que é isto, mas a namorada afirma que é algo importantíssimo na indústria paulista-brasileira - elogiá-lo é rotina diária), houve um erro qualquer, o coitado teve que fazer muitas horas extras por conta da... distração. Em casa, a tragédia do transbordamento do vaso sanitário, borbulhando debaixo para cima, difícil descrever. O liquidificador explodiu com uma simples vitamina de leite e maçã (do não-paraíso?). Na rua, uma mulher estranha gritou horrores para ELE e o agrediu com bolsadas. Enfim, em apenas três dias, muitos acontecimentos ruins... Sem ELA......... ELE, contista-cronista-articulista-poet(-ist)a, ninguém tão detalhista para corrigir com doçura as gramatiquices atrapalhadas... Tevê enguiçada, onde assistir ao jogo do São Paulo? E o pudim de onze gemas e um ovo inteiro? E enumerou vários contratempos melodramáticos. Puxa! Até o pirracento e enigmático RICK BLANE (filme Casablanca, 1942) “perdoou” (de quê foi mesmo?) e ajudou ILSA LUND num momento tão crucial. Aí, cartada final, ‘ou-vai-ou-racha’, golpe baixo de namorada vingativa, recebeu e-mail em que ELA ameaçava contar para o planeta inteiro “um grande segredo” e ELE ficaria desmoralizado para sempre. Mentira, caro leitor, é que todo mundo sempre tem segredinhos tolos, vergonha que os outros descubram. Fez exame de consciência e apenas lembrou uma foto do grupo escolar, quadrilha junina, meninos perdedores de uma certa aposta tiveram que usar fantasia feminina... Sim, mas ELE tentava disfarçar o horror por lagartixas na parede - não conseguia encarar. Seria expulso do futebol amador? Digitou. “Tudo bem? Vaga aberta para minha secretária. Aceita?” “Tortura nunca mais?!” Selaram a paz. Ih, até rimou! F I M
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Comentários dos leitores

Ri de gargalhadas. Você, diante de um espelho, grandão-bobão que se zanga à toa. Ama a solidão e todo dia pensa uma forma de espantar "certa" mosca zumbitiva. Calma: sou bruxa de fantasia... Parabéns!

Postado por lucia maria em 16-02-2014

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