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QUIMONO



					    
ELA se sentiu tentada pelo tecido - fundo preto, barra estampada com folhas verdes, em longas hastes verdes havia flores pequenas na cor lilás, grandes margaridas (ou crisântemos de 16 pétalas, brasão da Família Imperial Japonesa?) brancas e outras rosadas, galhos com buquês de florezinhas bem miúdas, cor-de-rosa (cerejeira?), em vertical... Comprou logo 5 metros e guardou. Não assim uma ‘grande’ costureira - comprava figurinos de moldes desenhados, copiava em papel fino e depois adorava exibir o produto costuradinho, todo pronto: “EU mesma fiz!” Um dia publicaram uma página com deusas... gregas. Em verdade, pouquíssimo ou nada em comum - JAPÃO, grande arquipélago, cultura milenar isolada do mundo até o século XIX, GRÉCIA idem no tempo e nas ilhas, filosófica e conquistadora. No conceito geral eram culturas opostíssimas. Acontece que mitos têm sempre semelhanças. O que em comum entre um samurai e o deus Áries? Valentia, brutalidade, o estar à frente de todos......... O que em comum entre Madame Buterfly (que no passado se consumiu por um amor impossível) e Afrodite (a simbólica deusa da beleza e do amor)? A feminilidade......... Na revista, a mini túnica da deusa, uma só cor, trespassada na frente, da esquerda para a direita, “sugeria”, dava ideia de um... quimono japonês, desde que este fosse em muitas cores e bastante comprido. E não é deu certo? Não muito certo, porque ELA não conseguiu fazer o obi que é um cinturão atado nas costas, na maneira habitual, e lateralmente o quimono largo saiu enfeitado na cintura, de lado, com uma bruta flor de fiapos cor-de-rosa. Mas que ficou bonito, ficou. Para melhor, convidaram com certa antecedência para uma excursão a POÇOS DE CALDAS / MG, entre a noite de uma sexta-feira 13, agosto (nenhum vampiro na rodovia!), e o domingo. Na maioria, pessoas do mesmo bairro, não arruaceiras, sem imbecil implicância de divisa ou governança ou futebol: adultos e garotada de idades mistas. Deu tempo de pesquisar, conseguir informações turísticas e, entre outras atrações, havia um tal de RECANTO JAPONÊS - grande jardim com arvoretas e flores orientais, uma construção típica em madeira com varanda (residência ou casa de chã?), lago artificial com grandes carpas vermelhas. Bom, já era tempo de estrear o trabalhoso quimono (porque forrara com tecido grossinho, trabalho duplo). Após café da manhã no hotel, motorista, vizinho íntimo, avisou que o passeio inicial seria a este lugar. ELA foi a última pessoa a sair do ônibus. Do alto da ladeira, todos do grupo viram uma japonesa num caminhar lento - comprara um chinelo de palha, porém a meia branca não tinha um dedo separado e era necessário forçar para andar. Só faltaram a maquilagem branca e o penteado característico em forma de pêssego. Uma doce GUEIXA de hoje, mas ainda condição cultural de delicadeza e tradição. Outros visitantes desciam a ladeira, agora japoneses de verdade, bastante idosos em comparação, a moça com olhos um tanto amendoados (“Sansei? Neta?” - devem ter pensado), fizeram a característica reverência e deram ‘bom dia’ em japonês - é evidente que ELA respondeu: OHAYOU (um bom dia ‘cedinho’). Vacilou, achou que era KONNITIWA (um bom dia ‘mais tarde’), mas repetiu o gestual de curvar o corpo e a palavra que disseram. No alto, gritaria geral quando a reconheceram. Depois, turista sempre tira fotos e timidamente alguém perguntou se ELA poderia emprestar por minutos o quimono, ficaria aguardando no ônibus (distante dali!), talvez houvesse um banheiro próximo. Não foi preciso - como que ‘adivinhasse’ o entusiasmo geral, sob o quimono a calça comprida, tecido fino, pernas arregaçadas, e uma camiseta de alcinha. Muitas mulheres tiraram fotos e ELA (adora exibir cultura, toda educadinha e sutilmente não professoral) explicou a outras, não brancas, que na hora de mandar soldados para a batalha da II G M (1939/45) os norte-americanos “aceitaram à força” a colaboração “nada espontânea” de todas as cores masculinas... “A descendência da japonesada legítima deve ter ficado bem coloridinha depois disso.” Taí, belo argumento. E assim, convenceu-as a também tirar fotos com o quimono (segredo: ninguém pode saber da primitiva inspiração)... ‘greco-nipônico’. A tradução exata, ELA não sabe, mas sentou na varanda da casa de madeira, pernas penduradas, quimono voltara ao corpo, e os demais acabaram fazendo coro na canção curta ‘SAKURA’ (na estante de livros, tem 7 linhas digitadas, 18 palavras). Não sei nada sobre reencarnação, de onde EU vim (Grécia?), de onde ELA veio (Japão?), mas me exigiu casamento na próxima. Jurei cavalheirismo e fidelidade - já estou em fase de estágio. F I M
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Comentários dos leitores

E treine muito bem esa fase de estágio pois voltarei nipônica na mais alta tecnologia. Ao voltar à noite, exigirei banho de ofurô, chá de jasmim e massagem, com relatório escrito da sua rotina em casa. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-03-2014

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