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CUECA DA CASTIDADE



					    
Coexistem, lado a lado, o real e o imaginário, ou seja, o concreto e o abstrato. Mais ou menos como se aprende nas “primeiras letras”, escola primária, sobre os substantivos - concreto, aquilo que se pode ver e pegar, abstrato, não... EU contestei neste dia e fiquei de castigo - sentar longe de menina até o final do ano, de março a dezembro: “Professora (não sei porque amo estas mulheres até hoje...), lá em casa o meu cachorro é Amor. Nome até bonito. Sou o primogênito. Dou banho nele, pego tudo para passar sabão... ” Falei sem a menor intenção erótica, o duplo sentido viria anos depois, com a cara mais cínica e debochada do mundo (assumo!), porém gargalhada geral na classe, não sei se da minha improvisada contestação ou por causa da nudez eterna do cão... onde exatamente EU pegaria?! Pois bem, a cueca “dele” (minha!), concreta, ia para a máquina de lavar com todas as outras roupas. Se ELA, ou seja, a cueca (minha!) gostava do convívio com calcinhas, não sei, porque ELA, a (minha!) mulher, jamais comentou. Roupas falam somente em apologias ou fábulas? “Feminismo desde Eva” era o tema de uma palestra (estou antevendo o ‘incêndio’ no auditório do meu sindicato!), ELA na caça de assuntos - adora discursos vibrantes, aplaude a si própria. Precisou pesquisar sobre Idade Média, um texto puxa outro, começou nos primórdios com o isolamento das mulheres reunidas numa só casa, ou seja, o gineceu, enquanto os gregos da Antiguidade Clássica iam para as guerras e conquistas (de terras e de outras... mulheres); em seguida, muitos séculos depois, reis europeus bastante velhos recebendo por esposas geralmente noivinhas novinhas, algumas até mesmo impúberes, outras pouco acima de ninfetas, “escondê-las dos olhares e do desejo masculinos”......... Num estudo ainda muito mais minucioso, ELA descobriu a existência, mesmo na atualidade, dos tais objetos e perigosamente se interessou. “Com marido zoiúdo não se pode vacilar!” E se ELE tivesse a mesma inspiração? Sim, porque ELA disfarçada e ‘inocentemente’ (?) ‘zoiava’ homens altos, na rua, embora com um Gigante dentro de casa. E odiava que outra ‘zoiasse’ o seu altinho. Não, o ciúme dele era disfarçado, apenas de segurar pelo braço e com sorriso sedutor- hipnotizador (nunca falhou) levá-la pequena para outro local - a casa, a ca... (narrador com tosse - engasgou) - com carinho, sempre. Assim, correu várias sexy shop e em nenhuma delas havia... a cueca da castidade. Indicaram talvez Roma ou Nova York - “...muito longe”. Jamais compras pela Internet. Mania de sentir o cheiro da loja e a temperatura da mão do vendedor ou vendedora. “Não comer cutia por /o quê mesmo?/ coelho...” Torce de propósito os ditados populares. Ultimamente ELE diz que visita biblioteca pública ou da faculdade, diz que tem que estudar petições (ou seriam petiscões e beliscões?), uma nova lei que beneficia os três primeiros adultérios masculinos, também a dilatação (?) premiada e a contagem do fundo de garantia de não sei quem... “Ah, ELE que não garanta a si próprio!” Foi vista no centro da cidade e um companheiro puxa-saco delatou (quando interessa, ELA sabe o verbo certinho = denunciou... com intenção de prêmio?) ao marido que a fulana estava olhando vitrines de roupas masculinas, íntimas, e sorrindo maliciosa, sozinha, para as pecinhas mostradas. ELE imaginou logo que ganharia um presente. Homem só é discreto nas intimidades, porém o menino eterno quer pacotinhos mesmo longe do aniversário ou do Natal. Em casa, sondou o ambiente, abriu discreto a porta do armário, lado feminino, talvez pacote escondido até o fim de semana... Veio o sonhado fim de semana. Noite de sábado, ELE pensou na tradição: bom, é que Papai Noel premia os bem comportados. Sem lareira onde pendurar a meia, havia um prego com cabeça de sapo, local para as chaves da casa, não quis arriscar, ELA jogaria longe,”...pendurou na parede por quê?” Deixei um par de tênis perto do odioso sofá. Amanheceu, café da manhã pior que o de rotina, pão frio, margarina sem sabor, clima estranho. Bolo nenhum, queijo idem, mesa “pobre”. Tirei do tênis a meia suja. Ladainha veio depois. Pesada. Confissão num domingo? Correra várias lojas a procura de uma tal cueca da castidade, mas não existia na nossa cidade nem na capital. Era também uma “necessidade” (?) em certas religiões, não haveria tempo de contato imediato com nenhum templo ou seminário ou mosteiro ou monastério, carga enorme de significados parecidos... Tinha urgência pois o marido (um quase santo!) andava muito ultimamente ‘sou-senhor-seu-rei-e- marido-sou-infiel-assumido’. Assim, qualquer cueca sendo usada levaria a força mental da esposa e o marido “pastel” (petisco paradão sobre o papel absorvente) não conseguiria retirá-la onde quer que estivesse. Escutei como quem escuta os ‘resmungos’ de uma inquieta borboleta, se tal coisa existe, logo em seguida ELA indo mexer com panelas, nova lista de compras e livros voltando para as prateleiras. Foi uma noite inquieta, ora calor natural ora frio sem origem definida - na geladeira, suco de maracujá, o coitado esvaziou a garrafa no meio da madrugada. Depois, cama, final do tempo em sono cheio de cortes e recortes, finalmente um ligeiro café com bolo de fubá, chuveiro, rua! Nova semana de trabalho. Recalque, repressão, sublimação, inconsciente, libido, censura, auto censura......... ciência comprovada ou mito cruel ou ambos reunidos se mesclaram na minha cabeça de repente - sim, dias antes EU lera interessante artigo em jornal, por certo ELA também lera e recortara, como de costume. “SIGMUND FREUD não me assusta”, penso todo dia. E eu me divirto com o bonequinho SIG, em borracha, pendurado pouco acima do volante. No caminho, há um bosque de ciprestes, olhei distraído e quase entrei na carroceria de um caminhãozão. Respirei fundo, contornei o monstro- baú, era de uma conhecida fábrica de roupas íntimas, na lateral a foto do galã de novela atual, numa cueca vermelha. A visão me bateu fundo, nem sei explicar. Senti uma espécie de dor física premonitória. Ao longo do dia, não consegui descer a cueca! EU não engordara de repente. Não me banhara com nenhum adesivo líquido. Foi terrível, uma angústia braba... Bom, me atrapalhei, esticando a malha para a direita e a esquerda, incrível ‘ginástica’ ao banheiro da empresa - minha avó filósofa diria que “a necessidade (qual?) faz o homem”. Não há explicação física ou metafísica possível. Em casa, clima tranquilo. Mas EU a mentalizei com o aspecto tradicional das bruxas dos contos de fadas. Chapéu pontudo, longo traje roxo. Cínica e debochada, Ratinha assistindo novela, rindo sozinha (ou de mim?) e há uma teoria que toda narrativa novelesca tem todos os elementos dos contos de fada: príncipe, princesa, objeto mágico... e bruxas principalmente! Cueca saiu fácil. Chuveiro, vontade de sair nu para a ru a, missão impossível, faculdade. Tive apenas uma aula. Cheguei mais cedo. Meio sonolenta, cabeça no travesseiro, ELA me falou qualquer coisa como “...a praga terminou... experiência bem sucedida, EU acho... borrifei cianureto (impossível!) misturado com querosene e cinza... as rosas vermelhas estão agora libertas... a nossa vizinha sueca (foi o que escutei).........” Ou nova fininha cueca? Não completou. Adormeceu. Pode ser que daqui a cem anos acorde e.................................... NOTAS DO AUTOR: CINTO DE CASTIDADE - Acessório projetado de preferência sobre o ventre feminino, envolvendo totalmente os órgãos genitais e trancado ao redor da cintura por cadeado de modo a frustrar a atividade sexual, o fucking, sem impedir a realidade de outras necessidades fisiológicas. (Pesquise, leitor: assunto extenso e engraçado; se educativo, não sei nem questiono.) Tentativa medieval de evitar infidelidade... a ideia de ‘concreto’: o ver, o pegar... o violar os bens alheios. JAGUAR - Sérgio...Jaguaribe, carioca de 1932. Caricaturista, desenhista, jornalista, cronista, a partir de 1964 contra a censura imposta pelo regime militar (biografia somente seria assuntinho da moda em 2013). Dele nasceu a mascote do jornal “O Pasquim” (1969/1991), que ajudou a fundar: ratinho SIGMUND ou SIG, homenagem a ‘ele’, o pai de nossas ações, reações, reflexões... Ufa! Alter ego de Jaguar - um ratinho intelectualizado de personalidade variada (Geminiano?), audacioso (igual a ELA?), valentão (Ariano?), irônico, ao mesmo tempo sonhador bem comportado (EU?!), cada fisionomia para um estado de humor. F I M
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Comentários dos leitores

Esse personagem, de fato um homem como poucos, um quase santo (?), teve efeito psicológico, tadinho. Mas a bruxa de casa é uma fada especial. Parabéns!

Postado por lucia maria em 22-03-2014

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