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APOSENTADOS



					    
1 - B R A S I L - Começarei pela estória da cama. Não, não é um conto erótico, mas é a pedra inicial. Casaram, foram residir num quarto pequeno de sobrado coletivo e a solução prática foi um sofá de armar, ou seja, uma parte larga e a caminha do chão. ELE acordava cedo, levantou-se atrasado, desequilibrou-se, caiu sentado sobre a parte mais estreita e... quebrou dois pés da tal caminha... À tarde, improvisou um amarrado com arame. Estavam a dias de mudança para uma casa. Acontece que a mulher era “chatíssima” e cismou porque cismou e cismou com uma cama sem cabeceira - apenas estrado e colchão. Nem loja nem marceneiro! ELE se reformara do quartel, arrumara um emprego para trabalhar com madeira, fazendo tapumes de obras. Viaduto perto de casa ficou pronto, não teve dúvida - o madeirame de boa qualidade iria para um aterro público, o chefe permitiu que levasse... Carregou tudo numa viagem única no chão do ônibus... (E por acaso ELE abria o bolso para táxi?!) Construiu a cama, comprou o colchão e a estreia foi com uma colcha original, de seda grossa japonesa, tons de verde, estamparia de geishas e dragões. Certa noite ELA acordou com a voz dele quase em gritos: “Não ensino mais nada porque já falei três vezes. Minha mulher é professora e com ELA é somente 1 - 2 - 3... Acima disso, o aluno que estude sozinho!” O cara estava sonhando, imaginava-se ainda perante os soldados. Aí, virou para o lado e deu um soco de mão fechada no peito da mulher que arrastou a cama, com rodinhas, puxou o lençol e se estatelou no chão, entre a cama e a parede. ELE acordou sobressaltado, assustado, sem ter como explicar e se desculpar... apenas ‘lembrava’ a sensação de um sonho. Marido ganhou como prêmio um ‘pesadelo’ - “1, 2, 3... três noites no sofá, sozinho na sala”. Depois disso ELE adoeceu de um modo bastante sério e não pôde mais trabalhar. Ficava nervoso, sentia-se um inútil ainda moço, resmungava, dormia, sonhava com soldados e tábuas, tábuas e soldados; tevê, sofá, cochilar; às escondidas, lia os muitos livros da mulher, inclusive romances japoneses, desejou ter uma geisha particular, e mitologia grega, desejou ter o harém de Zeus......... Descobriu na pracinha perto de casa um grupo de senhores bem mais velhos que costumavam gratuitamente (chamam “a bico de pato”) jogar cartas de baralho... Boa distração. Tranquilizou-se. Menos tempo em casa chateando à toa a esposa!!! - - - - - 2 - J A P Ã O - Síndrome de passar mais tempo com marido aposentado em casa? Sim, décadas no papel de esposa e mãe. Namorados? Eram cartinhas de amor, poemas, hai kais... Tempo passando, fim do romantismo, ELE ainda trabalhava: críticas à comida e ao trato com a casa. Desespero dela com a aposentadoria... dele. ELA adoeceu: “síndrome do marido aposentado” (RHS em inglês). Com a aposentadoria, terminou para ELE a sociabilidade, os amigos e não havia como preencher de um modo sadio aquele ‘mundão’ de tanto tempo livre - sofá, tevê, cochilar, dar ordens à mulher, em especial ‘proibi- la de ter... amigas’. Aí, olha coitada com úlcera no estômago, erupções na pele, passou até a gaguejar. Psiquiatra diagnosticou RHS, termo surgido em 1991, criação do doutor NOBUO KUROSAWA que lhe iniciou uma terapia. Muitas idosas na mesma situação. Mas como fazer para ficar a maior parte do tempo ‘longe’ do marido desocupado? Não filosofia moderna de jovens (ELES & ELAS), mas de marido antigo, mais de 65 anos, princípios rígidos exigindo da mulher estrita obediênci a, mesmo ELE tendo passado a maior parte da vida longe da família - saía de casa ao amanhecer, trabalhava, saía com os amigos, férias com amigos e clientes... Modernamente, os pais não moram junto com os filhos casados, tradição desaparecendo cada vez mais. São ELE & ELA, juntos apenas os dois o tempo todo... sem a menor poesia. Casados há mais de 20 ou 30 anos? Divórcio agora! (Taí, EU bem poderei ser um escritor de livros de autoajuda para idosas conviverem bem com o marido antigo... aposentado!) (Ah, e quando EUZINHO aqui for também um aposentado?) No JAPÃO, a cultura impede que as pessoas expressem os sentimentos e as idosas não têm com quem compartilhar a ansiedade. Atividades pós- aposentadoria?! No momento presente, 3.000 grupos de ajuda a aposentados que, no mínimo, passaram a ser mais independentes (mulher para servi-lo o tempo todo?!), comunicativo com as esposas, aprenderam artesanato, bijuteria, cerâmica... e também a cozinhar e limpar a casa. Menos tempo em casa chateando à toa a esposa!!! FONTE: “O tormento das japonesas na terceira idade” - Jornal O GLOBO, Rio, 23/10/05. F I M
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Comentários dos leitores

Esqueceu as reticências repousantes no título... Pois, sozinho, carentinho, tristinho, bonitinho, mas depois velhinho aposentado não terá quem lhe faça um bolo! Parabéns!

Postado por lucia maria em 20-04-2014

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