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DEVANEAR, DELIRAR, VOLTAR À REALIDADE



					    
ELA o exalta com tanta intensidade (e sinceridade!) que saíram ambos da terra para o céu, ou seja, o “carentinho”, como ELE foi cognominado desde o início, deixou de ser um homem sozinho. Certo. Mora sozinho, mas não mais vive sozinho. Saiu do estado de ermitão urbano e agora tem uma companheira dentro de casa. Digitam-se complementares – o convívio é apenas este, físico-emocional, a muitos quilômetros de distância. Maduro e enxuto. Não tem assim uma idade tão avançada, mas de repente resolveu fazer um curso universitário para se equiparar à AMIGA. Intitulou “curso de intelectual macho” e resolveu ser ‘doutor advogado’. Passou de culto autodidata a culto formal. Cita autores que ELA recusa, chama “complicadinhos”, o caso dela é ficção, de preferência sentimental, e nisto ELE mostra imaginativa superioridade do cérebro frio do varão sobre o coração vacilante da dama. Foi a primeira vez. Surpreendeu-se um dia imaginando-a a espera dele no intervalo entre a empresa (que ELA chama sanguessuga exigindo horas extras que diminuem o tempo de contato entre eles, a “desocupadinha” e o “príncipe cansado”) e a faculdade noturna. Veio em casa para o chuveiro quente, não havia toalha no banheiro, pediu em voz alta que ELA trouxesse. Levou um susto com o devaneio e saiu inteiramente nu, pingando água, na direção do quarto. Outro dia foi um odor externo de café, na vizinhança, talvez, mas a sensação foi como se ELA, antes das seis da manhã, sonolenta, um olho fechado, outro aberto (ELA escreve que é para não perder o caminho do sono quando voltar para a cama, após visitinha rápida ao pipisório), estivesse preparando a refeição matinal. Optou entre verão / inverno, ELA estaria nua ou usando camisola de cetim azul até os pés, robe curto em tecido descombinado. Traje decente é melhor. Sexualidade foi antes. Mas ELA desapareceu justamente na hora do beijinho... “Deus te acompanhe, meu amor.” ELE nunca teve o hábito de se queixar de algo ou fazer confidências, mas escolheu as tardes de sábado para ficarem abraçadinhos no sofá, conversando intimidades, na mesinha de centro dois pratinhos com fatias (ou farelo?) de bolo. Passou de verdade a comprar duas barras de chocolate e às vezes trazer uma rosa para......... para quem? Foram ao cinema no shopping, ELA pendurada no braço do Gigante, exibindo-o como um valioso troféu. Mais tarde, uma noite de amor. Na rua, ELE reconhece uma colônia amadeirada, dúvida apenas entre cedro e sândalo, sente saudades do cheiro dela, em casa, talvez lendo ou tentando novidade culinária no sabor que o maridinho gosta. Devaneio é sonho, fantasia, divagação, quimera, um delírio suave. Pior é que dessa vez o maridão teve certeza. Após a última aula de sexta-feira, ELE saiu com o grupo e “esqueceu” de telefonar, no mínimo a- vi-san-do. Bar noturno, tomou apenas refrigerante e sofreu deboche de todos. Na cabeça dele, o remorso, mas não estava traindo a mulher que existia apenas na sua cabeça. Dançou – moça de pouca estatura, graciosa, simpática, logo derretidinha (ELE consciente de que seduz e hipnotiza), não propôs encontro algum, seriamente comprometido. Com quem? Duas da madrugada. Não sabe de onde tirou força para dirigir o carro, a cabeça girando. Chegou em casa cambaleante. Alguma virose estranha o derrubou, febre alta, muita sede, mas macho não se abala com mesquinharias. Ouviu voz feminina que o impediu de ficar nu. Nem briga nem bronca: desconfiou assustado que ELA estava muito calma... Obedeceu. Camisa velha, cueca, escalda-pés numa bacia de metal, usada, que jamais vira concretamente dentro de casa, cama, cobertor, calor. Dormiu e acordou quase na hora do almoço. Canja leve, muito líquido, ora ELA o paparicava ora ELE agia por conta própria – não conseguiu distinguir quem praticava as ações. Macho que é macho odeia atividades domésticas... talvez um dos dois tenha pedido a dieta especial por telefone. Raciocínio reduzido. Delírio (do latim ‘deliriu’) é perturbação das faculdades intelectuais causada por doença; aí, entra o excesso de sentimento, desvario, exaltação, entusiasmo. Tal como um bêbado, ELE passou a um estado de ‘delirium tremens’ (em medicina, delírio trêmulo), doença nervosa que ainda por cima produz visões. Percebeu-a num telefonema demorado, muito riso, sem forças para interrogá-la. Sem querer, quebrou uma xícara, pesadíssima com chá em suas mãos não aguentando o peso de uma folha de papel. Dois dias loucos. ELA indo e vindo, o tempo todo, mão suave sobre a testa dele. Nas últimas horas de domingo, lembrou-se do que escutara (aprendera?) numa palestra do sindicato - corpo físico, corpo mental. Riu sozinho. Até aí, explicação um tanto satisfatória, duvidosa para convicto agnóstico. Tele transporte de objetos? Só acreditaria se ALBERT EINSTEIN pessoalmente surgisse do nada e explicasse detalhadamente em alemão (em português, jamais!) que “o espaço e o tempo são, na verdade, aspectos de uma mesma realidade”. Na cozinha, sobre a pia, um mini termômetro que ELE jamais possuiu. (ELA devaneia, delira, faz segredo, aproveita como inspiração literária para contos de amor.) Desde a madrugada, muito antes do amanhecer de sábado, ELA se sentiu terrivelmente mal, como se fosse um corpo sem energia. Prostrada na cama, sensação de ausência... perto, estranho calor masculino. Era como se o espaço entre ELA e ELE não existisse. Não sabe se comeu, bebeu, dormiu, banhou-se. Mundo sem dor ou carência. Foi melhorando com o passar das horas. Tivera febre? Possibilidade nenhuma de saber. O termômetro, nunca usado, simplesmente desaparecera da gavetinha de remédios. “Tão pequeno... Vai ver caiu no saco de lixo num dia de faxinar a casa...” F I M
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Comentários dos leitores

Esse tele transporte acontece, mesmo para quem não acredita. Faça o favor de devolver o meu mini termômetro................... Parabéns!

Postado por lucia maria em 02-08-2014

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