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JARDIM BOTÂNICO: MEMÓRIA SAGRADA OU RETORNO CASUAL?



					    
Todo domingo, a mesma coisa, sem enjoar. Moravam perto do centro da cidade. Cineac era um cinema de variedades sem intervalo – desenhos animados, notícias do país, Carlitos, certas personalidades mostradas como ‘importantes’ e artistas mostrados como ‘pessoas comuns’, Gordo & Magro, notícias internacionais, Três Patetas, política, esporte... Na mesma galeria, barras de cho-co-la-te (belga?), bombons licorosos de cereja, às vezes marzipan em formatos diferentes. Almoço em casa. Logo depois, passeio de bonde até o Jardim Botânico – ainda nem sabia quem tinha sido ele e sem a menor noção de tempo mais antigo, porém exibia-se ao citar com entusiasmo D. João VI inaugurando aquele enorme jardim em 1808. Tempo de ouvir contos de fadas, fácil dizer “o rei” e imaginar coroa e cetro. Palma mater! “Grandona, né, pai?” Lugar preferido era o lago com vitória-régia. Aprendeu a estorinha que depois repetia para as primas e as amiguinhas da rua: “A lua – JACI – tinha o hábito de escolher as mais belas virgens da tribo para transformá-las em estrelas brilhantes. A linda guerreira NAIÁ também queria esse destino estelar, só que a lua não concordou. Um dia, a índia, confundindo o astro com seu reflexo num lago, foi ao seu encontro, morrendo afogada. A lua finalmente reparou em NAIÁ e, tocada pela tragédia, transformou a guerreira numa estrela das águas: a VITÓRIA RÉGIA.” Esse tempo ficou para trás. Jardim Botânico do Rio, tradição laica. Minha AMIGA leu sobre a estátua de um orixá africano, 7 metros, 5,5 metros sem o pedestal, 900 quilos, em convívio tranqüilo, harmonioso com THETIS e CERES, deusas gregas, e gente da época do Império... (Datou e guardou o recorte de jornal.) Bom, importante lembrar sempre nossa misturinha ancestrabilíssima de índios-portugueses-africanos... Trata-se de OSSÃE, divindade do candomblé que guarda os segredos curativos de folhas e plantas, orixá apropriado para este lugar. A imagem, presente do governo da Bahia pelo suporte técnico na formação do Jardim Botânico de Salvador, foi erguida em 2002, no fim da gestão de um ex-presidente baiano da instituição carioca; instalada numa praça pouco freqüentada – na religião católica, pelo sincretismo, equivale a SÃO JUDAS TADEU. O obra mostra o orixá sem a muleta que costuma ser representada ao lado dele, pois OSSÃE tem apenas uma perna – na mão direita um ramo de folhas com um pássaro pousado, símbolo que representa seus poderes de cura e de magia. Amanhã, amanhã, amanhã... Ir lá sem ele??? Faltou coragem de enfrentar o vazio no coração. Projeto Natureza, socioambiental, aprendizes... Integração público & natureza, criando uma cultura de preservação ambiental, aproveitamento inteligente dos recursos naturais e bem-estar pessoal. (Minha AMIGA leu, datou e guardou o recorte de revista.) Ponto alto da visita é o Jardim Sensorial. Conhecer as plantas através do toque e do cheiro (que sensações despertam?). Olhos vendados, as pessoas percorrem uma trilha com diversas espécies. Monitor deficiente visual aos visitantes: “...perceberem que se pode ver o mundo por outros sentidos além da visão”. Boa e muito diferente experiência! Ah, o cactário! Espécies africanas, da caatinga e das restingas brasileira e mexicana. Oficina de plantio de mudas, cultivo e segredos de cactos, plantas suculentas – misturar nos vasos terra e brita, não areia, para drenar a umidade dos cactos. Muitas melhorias no jardim tradicional desde D. João VI: quatro mil metros quadrados de área revitalizada, em torno de 160 espécies vegetais, 60 destas expostas no Jardim Sensorial. Monitores (incluindo deficiente visual) também mostram cerca de 50 pontos relevantes entre espécies botânicas, monumentos históricos e arquitetônicos. Visita guiada – hora e meia por todos os recantos deste paraíso verde, um dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro. Agora, vizinha torrando a paciência dela, viu na televisão, chamar alguém que tem carro, um passeio......... Não!!! Aquele “não” radical, quase violento, misto de saudade e fidelidade. NOTA DO AUTOR: A planta aquática fluvial cuja flor é a VITÓRIA-RÉGIA (assim chamada em homenagem à rainha Vitória, que governou a Grã-Bretanha e a Índia de 1837 a 1901) se desenvolve nos rios da Amazônia, floresta tropical de que é símbolo. Motivo de estudos desde 1801, quando foi vista pela primeira vez por um cientista britânico, é uma das maiores flores do mundo – mede cerca de 25 a 35cm de diâmetro e a folha aproximadamente 2m. Essa flor gigantesca tem vida efêmera, abrindo ao crepúsculo e fechando ao amanhecer. A velha lenda tupi-guarani ganha ares de realidade quando alguém se depara com a vitória-régia em seu primeiro dia de floração, com todo viço. F I M
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Comentários dos leitores

Conheço essa ex-menina (Electra carioca?) que sem o pai não volta mais àquele jardim, mesmo com novidades maravilhosas. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-11-2014

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