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HUMANA, SIM



					    
EU a diria comunicativa. Certa vez, o primo, cerca de vinte anos mais moço, a deixou num banco onde ELA deveria pagar uma conta e retirar dinheiro pessoal. Daí, ELE foi fazer compras diversas, um tanto cansativas para ELA... Não é bem isso - ELA teria sempre algo simpático ou divertido a dizer à atendente do correio, ao arrumador do supermercado, ao balconista da farmácia... Pequena fila de três a cinco pessoas (nunca se sabe alguém sozinho ou acompanhado), evidentemente colocou-se atrás; na sua vez, fez o que era para fazer, fila terminou com ELA, guichê vazio, o caixa tamborilando e cantarolando ao ritmo com um lápis na parte interna do balcão. Avistou duas fileiras de assentos grudados, não havia ninguém, sentou-se e abriu um livro. O rapaz não a chamou para ‘alertar’, digamos, e continuou na musiquinha... Aí, ELA só ouvia o jogo-de-empurra de quem chegara bons minutos depois: “Pergunte.” “Eu não... Pergunte você.” “Mas está na vez dela. Quando chegamos, ela já estava sentada, esperando.” “E o caixa, que não diz nada?!” No *livro, que é um dos prediletos há décadas, a jovem personagem Dominique seduzia ou estava sendo seduzida por Luc, um advogado muito mais velho, tio do namorado. (ELA sorri por dentro. Imagino semelhança na vida real.........) Pois bem, alguém ganhou coragem e perguntou porque não se levantava do banco e......... Há uma frase de origem desconhecida: “melhor cair das nuvens que - no mínimo - do primeiro andar”. Espantou-se, na linguagem dela, ‘numa-fração-de-segundo’ e logo entendeu: eram caixa e banco dos idosos (o primo adora para perder menos tempo, ELA tem vergonha do privilégio e odeia). Explicação a todos: pagou, retirou dinheiro, sentou-se, não sabia “fila sentada”... - não iria ficar em pé num tempo de espera indefinido. Pediu desculpas a todo mundo, já fora atendida, o próximo que fosse para o caixa, ELA apenas estava esperando (quem, “my god”?) o “filho” aparecer para buscá-la. Até então pessoas caladas, todo mundo passou a conversar com todo mundo, assuntos variados, tumulto geral, mulheres de repente trocaram receitas (impressionante como isto surge do nada!!!) e anotaram um certo pudim de onze gemas e um ovo inteiro, do início da... Península Ibérica, que na família dela corre gerações. Houve quem a achasse muito parecida com o (improvisado) filho - mais aconchegante que primo - e um senhor até o parabenizou por ter tal mulher como mãe. ELE sente sempre que ELA aprontou alguma, porém se segura e indiretamente participa sem saber do que se trata. ELA ensinou: “Caco é improvisação no texto teatral ou televisivo.” Ah, interessante. Certa vez, o primo a deixou na Receita Federal onde ELA iria apenas tomar uma informação pessoal. Funcionário selecionado para atender clientela de acordo com o assunto atendeu-a rapidinho, imprimiu um dado qualquer, mas percebeu nas mãos dela um livro (guarda papéis ‘inamassáveis’ sempre numa página 30), poeta português geminiano versátil, múltiplos heterônimos: ele incrivelmente sabia de cor um poema e lá ficaram distraídos falando sobre personalidades diversas numa única pessoa... Fuga? Distúrbio mental? Conclusão de pura criatividade. Chegou um cliente, ELA se despediu e foi para a rua esperar o “secretário-motorista”. Um camelô foi abastecido na hora por um carro que trouxe muitos pacotes de café e caixas com iogurte. A venda era sobre três caixotes lado a lado. ELA, mesmo acostumada a ver, pensou em seus anos anteriores de empregos fixos, sem enfrentar o sol ou a chuva nas ruas, piedade social, o rapaz berrando os preços baixos e ao mesmo tempo abrindo as caixas de papelão. Acumulou clientela. Ora, minutos antes conversara com ele algum assunto descompromissado, ofereceu um caixote para sentar, ELA agradeceu delicadamente e recusou. ‘Numa- fração-de-segundo’, passou a ajudar - entregava o que as pessoas pediam, ele olhava e pegava o dinheiro. Nisto, o primo apareceu com o carro, tinha ido fazer algumas compras, e ficou estupefato. Auxiliar de camelô! Quem diria... Certa vez - aliás, minutos logo em seguida à estória com o camelô -, fome bateu por volta de meio-dia, estavam na rua, longe de casa mesmo para quem está de carro. O governo do Estado lançara há tempos um tal de restaurante popular a 1 real e ambos (o famoso primo e ELA) só conheciam por passarem na porta. ELA buscou na memória outros lugares semelhantes (SAPS), empregos diversos, algumas temporadas de não levar comida de casa... Comida boa e barata, apesar da base diária de feijão- arroz (ou arroz-feijão?), variedades, sobremesa, suco ou leite. “Vamos experimentar?” Só não a obedece quem é muito rebelde ou idiota. Bom, fila razoável, tudo junto e misturado, pessoas com roupa vagabunda rasgada, havia os sujos de graxa e nada espantosamente alguns engravatados. No fundo do salão, as pessoas eram servidas em bandejas metálicas com divisórias por mulheres que pareciam robôs: esticavam a concha ou a colherona cheia e... vapt-vupt......... a fila andando rápida. Três opções de carne, porém não dava tempo de escolher entre carne assada ou fígado ou frango ou peixe, que era servida aleatoriamente pela mesma mulher - primo e ELA em diferentes ‘opções compulsórias’. Mesa coletiva sem a menor seleção. Para quê? Sentaram - ELA adora estas experiências. Ao lado, a mendiga puxou assunto, fez pose de ilustre dama com várias reclamações sobre refeições anteriores - “...carne dura... muito sal... purê de batata sem (?) creme de leite... só duas rodelas de abacaxi......... café (havia à saída, perto de um lavatório) fraco e frio”; revelou-se ‘almoceira’ (linguagem dela) de segunda a sexta......... e en-sinou o melhor ponto - pertinho dali - onde recolher esmolas, cerca de 5 reais por dia. O primo? Calado. Sabe que em- conversa-de-mulher-não-se-mete-a-colher. ELA ficticiamente aceitou a sugestão. Ousei um dia chamá-la de insana. Bom, escolhi a palavra errada, por pouco ELA não acionou uma guerra braba. NOTA DO AUTOR: *“Um certo sorriso” - de FRANÇOISE SAGAN, romancista francesa. Minha AMIGA sempre escreve algo na primeira página dos livros que possui, tudo a ver com o conteúdo: “É muito raro que uma felicidade venha justapor exatamente sobre o desejo que a chamou.” - MARCEL PROUST. F I M
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Comentários dos leitores

Esta pessoa aqui descrita não deve ter nada de insana - talvez seja até uma injustiçada. Quem conversa com todo mundo, frequenta os ambientes sem preconceitos ou restrições, deve ser uma anja. Parabéns!

Postado por lucia maria em 09-11-2014

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