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DURADOURO ATÉ O INFINITO...



					    
“Não estou perguntando se você é abstêmio. Dei duas camisas de presente e você vai usar”... – ordenou enfática, posuda, e EU me senti gurizinho de 5 anos. Azul, meia frase – “...que seja infinito enquanto dure”. Branca, ELE, camisa listada, cadeirona, mesa de bar, cinzeiro- cigarro-fumaça, na mão copo, líquido a meio, pedra de gelo, frase inteira – “O melhor amigo do homem é o uísque: o cachorro engarrafado”. POETINHA?? Múltiplo, polivalente, foi diplomata, poeta, cronista, eterno símbolo da paixão, principalmente homem e amigo de muita gente. Um ser humano inesquecível! Nasceu na Gávea e se criou na Ilha do Governador, tempo das primeiras trovas, talvez já sonetos “camonianos” em forma clássica, inspirado em Guilherme de Almeida e outros. Passou pelo Colégio Santo Inácio, da elite, formou-se em Direito e pegou o caminho reto da diplomacia “não vocacional”, concursado para o Itamarati em 1943; confessou mais tarde, ‘quebra-galho’ em quase 3 ‘milagrosas’ décadas para não ser advogado – pelo menos oportunidade para viajar de graça, conhecer o mundo e melhormente a humanidade. Não academias e sim o sangue fervente da poesia e do amor. Nem burguês nem elitista, na auto-avaliação: “Capitão-do-mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil. Saravá.” Cultura popular, subúrbios, morros, tal qual o Maestro VILLA, trocando a intelectualidade européia (erudito leitor de PASCAL e NIETSCHE) por PIXINGUINHA, ISMAEL SILVA e ATAULFO ALVES – ah, e suas “pastoras”! Cabelo grande, aversão a terno- gravata, muitos amores, muito samba... e muito uísque! Casamento eterno com a poesia romântica e a música – misto de tentativas míticas e vagabundagem sadia, de espírito. Busca de um ideal feminino e social, totalmente imaginário. Casou, foi para a Inglaterra, voltou – II G M a caminho –, correu o Brasil, nos States cinco anos, amizade com Orson Welles e a turma negra do jazz. Na França, recusou SARTRE e resistiu ao existencialismo nauseabundo. “Abdicarem de... banho?” Foi um letrista circunstancial, esporádicas letras na música popular, anos 50, depois concluiu a peça ORFEU DA CONCEIÇÃO – confessada homenagem ao homem e à cultura negro brasileira – e veio JOBIM em 1956, nascendo aí ‘casamento ideal (musical)’, comunhão de almas... artísticas, bom esclarecer, Sucesso imediato com “Se todos fossem iguais a você...”, a crítica elogiosa vendo surgir um grande letrista da música popular brasileira. “Garota de Ipanema” se internacionalizou e o sambista Orfeu protagonizou o filme de MARCEL CAMUS. Muitas parcerias a se perder de vista – ADONIRAN BARBOSA, JOBIM (a mais duradoura), TOQUINHO, CARLOS LYRA, BADEN POWELL, CHICO BUARQUE e muitos outros, geralmente ‘garotos’ tocadores de violão na caça de um letrista... Com JOBIM, diferença de idade de 33 anos, em 11 anos de parceria e muito “ciúme” (pai & filho e simultaneamente sócios musicais), precisamente 110 músicas gravadas e mais de mil shows pelo país. VINÍCIUS assumia em sua produção poética forte influência do amigo MANUEL BANDEIRA. Elogiado por CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: “...único poeta brasileiro que ousou viver segundo o signo da paixão”. Nove (ou dez?) casamentos. Início em 1939, com TATI, vivendo na Inglaterra, filhos SUZANA e PEDRO. Terceiro casamento com LILA BÔSCOLI, filhos GEORGIANA e LUCIANA. Sexto com CRISTINA GURJÃO, filha MARIA. Sim, amores eternos, enquanto duraram. Diz-se que usava óculos escuros para esconder os olhos azuis. O convívio com os filhos numa distância entre indiferente e desconfiada, até adolescentes, sem filharada no carrão aos domingos, sorvete e cachorro-quente... mas não foi um mau pai, tudo “à sua maneira”, amado e admirado pelos filhos já crescidos. Contraditório, “o ateu mais crente do mundo”, dizia de si próprio, “católico descrente do catolicismo” e que não largava o colar de Xangô, da fase de misturar a harmonia sofisticada da bossa nova com a negritude do candomblé. Poesia dividida em duas fases distintas – neo-simbolismo: transcendental, metafísica e mística de influência cristã, tom bíblico, inclusive com a presença do pecado, até 1936; temática barroca entre o prazer da carne e a formação religiosa; depois movimentos de aproximação com o mundo material: vida terrena e amores sensuais - também regime noturno, imagens escuras de neblinas-névoas-noite-morte, lua como imagem central, e regime diurno, abertura solar, aproximação com o cotidiano e o material – figura feminina intimista, sensual e erotizada. Problemas sociais e engajamento político nos poemas “Balada dos mortos no campo de concentração”, “A bomba atômica” e “Operário em construção”. Popularizados pela música, os mitos em Orfeu, Narciso, Édipo, Dionísio e Tétis. Dialética existencial é saber valorizar o momento, num acentuado imediatismo, pois as coisas acontecem de repente, não mais que de repente (“Soneto da separação”) ao mesmo tempo em que se busca algo mais perene, eterno. Outra constância em VINÍCIUS é a felicidade, quando por vezes valoriza a alegria: “É melhor ser alegre que ser triste / A alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração” (“Samba da bênção”) X a infelicidade, associando a inspiração poética com a tristeza: “...tristeza não tem fim, felicidade, sim”... - “Para que vieste / Na minha janela / Meter o nariz? / Se foi por um verso / Não sou mais poeta / Ando tão feliz.” (“A um passarinho”). ORFEU, na mitologia grega, foi o primeiro mortal a unir música e poesia – decide descer ao inferno e procurar a alma de EURÍDICE, a esposa morta, compra a passagem com o seu canto e convence o barqueiro CARONTE a levá-lo. Drama trágico encenado em 1956 e filmado em 1959, Orfeu virou carioca! Primeiro prêmio no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo, no cinema, Palma de Ouro em Cannes, Oscar de melhor filme estrangeiro. “Mulata, pele escura, dente branco / Vai teu caminho que eu vou te seguindo / No pensamento e aqui me deixo rente. / Quando voltares pela lua cheia / Para os braços sem fim do teu amigo! / Vai tua vida, pássaro contente / Vai tua vida que estarei contigo!” (VM) FONTE: “A vida segundo o símbolo da paixão” – JORNAL DO BRASIL, Rio, 10/7/80. - “Orfeu, uma viagem” – Jornal O DIA, Rio, 2/8/80. F I M
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Comentários dos leitores

Só os homens não amam Vinícius, mas tentam superá-lo no quantitativo casamento. Filhos são casuais, triste verdade. Parabéns!

Postado por lucia maria em 22-03-2015

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