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SÃO PAULO, CIDADE MISCELÂNICA...-PARTE III



					    
ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO, em defesa das idéias modernistas, comparou a literatura brasileira a uma terra imensa e abandonada, onde de vez em quando os “donos da terra” plantavam uma “rocinha de milho muito ordinária”, isto é, os escritores “sagrados” publicavam obras de pouca importância. // O próprio autor no PREFÁCIO de “Brás, Bexiga e Barra Funda”, livro de contos: “É um jornal. Mais nada. Notícia. Só. Não tem partido nem ideal. Não comenta. Não discute. Não aprofunda.” // Contos dele - caráter de literatura documental, isto é, colagem ou fotomontagem, objetivando a reprodução realista de um grupo social não privilegiado. Deixou inacabado o romance “Mana Maria”, Em 1961, sob o título geral de “Novelas paulistanas”, a reunião de 3 livros de contos, incorporando também contos esparsos, publicados em jornais e revistas: “Pathê Baby” (notícias de viagens), “Brás, Bexiga e Barra Funda” (personagens ítalo-brasileiros) e “Laranja da China” (persnagens brasileiros). - - - - - Conto CARMELA Texto da década de 1930, pedaço da vida paulistana. // PERSONAGENS - basicamente CARMELA e BIANCA, costureiras que trabalham nas oficinas de casas granfinas de moda. // SENSUALIDADE de Carmela sugerida na descrição do narrador: “O vestido (...) coladinho ao corpo (...) para os lábios dos amadores.” // AMBIENTE - agitação, movimentação. Rua Barão de Itapetininga, na estória - muitos automóveis gritadores, muitas costureirinhas saindo juntas do local de trabalho em risadas e falações altas, muita gente... // GALÃ, perceptivelmente lusitano, dirige gracejo à Carmela - “Ai que rico corpinho!” (Não agradou.) // OUTRO GALÃ, perceptivelmente da burguesia endinheirada - “...pára o Buick (marca de carro antigo) de propósito na esquina da praça.” // “O caixa d’óculos pára o Buick (...) - Não vira para trás, Bianca. Escandalosa!” - SÍNTESE formidável, um pedaço da metrópole que a elegância vagabunda dos burgueses meninos bonitos e bem vestidos espia todas as tardes, com gula, as costureirinhas pobres na colméia do chique paulistano. // ÍNDICE DE MÁ FÉ - nome do romance que Carmela está lendo: “Joana a desgraçada ou A odisséia de uma virgem”; no livro, ambiente de aristocracia: “imponente castelo (...) caçula do castelão inimigo de capacete prateado com plumas brancas”. // ENTREGADOR (não barbeiro, como muitos emigrantes italianos) - ÂNGELO, nome italiano. Ingênuo: “O Ângelo é outra coisa. É para casar.” // AÇÃO - Carmela, atenta, espreita (= olha atentamente) o espelho: contemplação de detalhes que ajudam a torná-la mais bonita, mulher atraente e desejada. // RÁPIDO PERFIL DE COMPORTAMENTO das personagens Carmela e Bianca - jovens, curiosas sobre rapazes. Carmela, namorada fútil, desajuizada, acomodatícia. - Bianca, estrábica e feia, é a sentinela (=vigia, guarda, informante) da outra. // VOCABULÁRIO: Sarapintado - pintado de várias cores, matizado, colorido; no caso da rua, mistura de carros em marcas e cores variadas. / Organdi - tecido leve e transparente. / Boca reluzente - brilhante, cintilante / Carmim - matéria corante, vermelho vivo, ligeiramente arroxeado: ‘atual’ batom. / Nariz chumbeva (forma variante de ximbeva) - pequeno e achatado. / Fiteiro - quem tem por fim chamar a atenção de alguém. / Caixa d’óculos - ironicamente, indivíduo de grandes óculos. - - - - - FRAGMENTO do romance “Parque industrial”, de PATRÍCIA GALVÃO, a PAGU, publicado em 1933: “A burguesia procura no Brás carne fresca e nova. / - Que pedaço de italianinha! / - Só figura! Vá falar com ela. Uma analfabeta. / - Pruma noite, ninguém precisa saber ler.” - - - - - Conto O MONSTRO DE RODAS PERSONAGENS - emigrantes italianos ou descendentes; proletariado. // ASPECTO SINTÁTICO - predomina a coordenação; efeito estilístico: mais agilidade à leitura e aproxima o conto da língua falada. // Em ALCÂNTARA MACHADO, no geral, bastante influência da linguagem cinematográfica, principalmente na montagem do texto: cortes da narrativa bem definidos, pelos assuntos de cada parte e espaço branco entre elas. PRIMEIRA PARTE ou cena - velório da menina atropelada --- reza da negra de sandália sem meia, descrição da rua, o sono do Chiarini, serenata que se cala. / SEGUNDA - recurso da linguagem publicitária para identificar a personagem Zamponi: reprodução dos dizeres da placa no salão de barbeiro; crítica ao silêncio da imprensa ante fatos criminosos (como o atropelamento da menina) cometidos por gente rica. / TERCEIRA - conversa dos participantes do velório. / QUARTA - enterro; comportamento das pessoas: aposta sobre quantos trouxas tirariam o chapéu, discutir sobre carregar o caixão, continência do grilo (guarda de trânsito), alguns cumprimentos de desconhecidos. / QUINTA/FINAL - distração das pessoas, comentários fúteis e até mesmo piadas. // Alguns FLASHES do cotidiano da cidade de São Paulo na época: água de flor de laranja (substância calmante), carrocinhas de padeiro, cestas para a feira, garoa (sumiu na atualidade!!!), vizinhança na calçada, o corso (desfile de carros, especialmente no carnaval). - - - - - Conto AMOR E SANGUE Processo reside na transformação do drama, crime passional, em situação burlesca, em que ao final a patética confissão de NICOLINO é ironicamente reduzida a um estribilho de samba. Autor insensível diante do sofrimento humano? O teórico BERGSON, num ensaio sobre o significado do riso na obra literária insiste em que “o pior inimigo do riso é a emoção, pois para que o cômico possa alcançar todos o seu efeito é preciso que se dirija à inteligência pura, fazendo calar momentaneamente o coração”. // Texto dividido em 5 partes, separadas por um espaço em branco. // AMBIENTE físico indicando paisagem urbana moderna (para a época) - Ford e chaminés e apitos das fábricas // ESPAÇO onde vai ocorrer a narrativa, recurso diferente de uma simples descrição - aproveitamento de recursos da linguagem da propaganda e do cinema - ambiente da barbearia - reprodução da placa existente no local - “Ao Barbeiro Submarino (...) garantido.” // PROTAGONISTA - NICOLINO FIO D’AMORE, profissão barbeiro // OUTROS PERSONAGENS - Grazia e Corrado - origem italiana ou descendentes. // Nas duas últimas partes, fica implícito um fato não narrado, o crime, recurso típico da linguagem cinematográfica. Sequencia implícita na narrativa é a prisão de Nicolino, conduzido à delegacia. - - - - - Conto CORINTHIANS (2) VS PALESTRA (1) TEMA /abstrato/ central da narrativa - partida de futebol entre dois times paulistanos - dos merecendo atenção: reação da torcida e paixão de MIQUELINA por ROCCO, jogador de futebol. // ASSUNTO /concreto/ - transmissão dos lances dramáticos de um jogo de futebol - associação com momentos da vida da jovem, fusão de sentimentos de mulher misturados com seu entusiasmo de torcedora - palavra ou sintagma “paixão”. Nas arquibancadas, a muito assustada MIQUELINA e IOLANDA, torcedoras do time italiano. // AMBIENTE - campo de futebol. - Parque Antártica - assistência de vinte mil pessoas (o livro é de 1927). // FATOS - perfeitamente possíveis. // Predomínio de discurso direto. As grafias “go-o-o-o--ol” e “ca-va-lo” indicam a pronúncia prolongada com que a assistência as proferiu. “Prrrii!” - onomatopéia, signo não-verbal, imitação do som. - “Pan!” - imita o som produzido pela chuteira ao bater na bola. // PERSONAGENS ersonagens no jogo - BIAGIO, do Corintians, jogador mais técnico, que dribla e é ágil para levar a bola X ROCO, do Palestra, jogador de defesa que usa de qualquer expediente para evitar o gol do adversário e que vai ser derrubado ao praticar o pênalti. - Miquelina fechou os olhos sem coragem para ver Biagio bater o pênalti. // Transformados em frases os sintagmas que representam adjuntos adnominais - “De olhos ávidos. De nervos elétricos. De preto. De branco. De azul. De vermelho.” // Metonímia (também chamada sinédoque) em “Camisas verdes e calções negros corriam” no lugar de os jogadores (emprego da parte pelo todo. // Verdadeiro delírio: Neco, do Corinthians, fura o primeiro gol, deixando à flor da pele os torcedores do Palestra que empata com o gol de Imparato. // Maior dinamismo e autenticidade na narrativa é dada principalmente pelos verbos: “desembestou”, corriam, pulavam, chocavam-se, embaralhavam-se.........” // Elementos da narrativa que indicam o intervalo do jogo - “O campo ficou vazio. / - O’... lh’a gasosa!” E amendoim torrado. // Jogo recomeça - turumbamba na arquibancada, multidão se acalma porque polícia interfere. “ - Quantos minutos ainda? / - Oito.” // “Salame nele, Biagio!” - em linguagem futebolística, um gingado de corpo com a bola no pé para ultrapassar o adversário. - “Agora!” - o jogador deve agir naquele exato momento, pois algo contrário pode acontecer (e de fato aconteceu). - “Ca-va-lo!” - refere-se ao jogador que cometeu a falta. “Quem é que vai bater, Iolanda?” - bater, executar o chute, resultado da penalidade imposta pelo juiz do futebol. - “O medo fez silêncio.” - de tanto receio, a assistência ficou muda. Mais um gol do Corintians, uns alegres com a vitória, acabrunhados outros com a derrota. // FUNÇÕES DA LINGUAGEM predominantes: referencial pela valorização do contexto; conativa, pelo uso freqüente do imperativo que põe em evidência o receptor; emotiva, pela valorização do emissor (frases exclamativas e vocativo). // Conclui-se pela leitura que num jogo de futebol os acontecimentos passam a integrar as áreas do inconsciente coletivo. // Driblar - chutar; procedência da língua inglesa, uso no futebol. // CARACTERÍSTICAS MODERNISTAS - linguagem coloquial, frases curtas, telegráficas; valorização das emoções, dos estados mentais e das reações dos personagens; tema regionalista; interesse pelo homem comum. F I M
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Comentários dos leitores

Interessante o fragmentão italiano dentro de São Paulo. Convide-me para caneloni de queijo com vinho tinto. Parabéns!

Postado por lucia maria em 07-05-2017

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