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CATAR FEIJÃO



					    
JOÃO CABRAL DE MELO NETO - Sua poesia valoriza a construção do poema através dos dados objetivos da realidade, sem a interferência do “eu” sentimental do autor. Com o poema dramático MORTE E VIDA SEVERINA, um dos maiores clássicos da literatura brasileira, obra de 1956, musicado por CHICO BUARQUE DE HOLANDA em 1965, projeção internacional de JOÃO CABRAL DE MELO NETO!!! Estreia no palco do TUCA (Teatro da Universidade Católica). Prêmio de crítica e público no IV Festival de Teatro Universitário em Nancy, França, 1966. Chico participou dessa apresentação como violonista, pois o contratado original não pôde viajar - consta que ele vendeu seu fusca para bancar a viagem. // MVS, auto de Natal pernambucano, extenso poema social, teatralizado: caminhada do retirante Severino do sertão ao Recife; e nessa demanda ao litoral, o homem agreste topa em cada parada com a morte e os típicos problemas sociais da região; no último pouso há a grande notícia do nascimento de um menino (Natal), sinal de que - apesar de tudo - o espetáculo da vida continua. - - - - - Um aspecto fundamental na obra de JOÃO CABRAL DE MELO NETO é o constante refletir sobre a própria poesia (=DRUMMOND, MURILO MENDES e poetas dos anos 30.) “CATAR FEIJÃO - Catar feijão se limita com escrever: / joga-se os grãos na água do alguidar (...) obstrui a leitura fluviante, flutual, / açula a atenção, isca-a com o risco.” - JCMN Poema dedicado a ALEXANDRE O’NEIL (do movimento surrealista português). Do livro EDUCAÇÃO PELA PEDRA, publicado em 1960. Preocupação fundamental do poeta neste poema é expor suas idéias sobre a construção do poema em geral, sobre o fazer poético. “. ..se limita” - técnica da composição é também um processo de seleção --- autor quer dizer que o processo de catar feijão é muito próximo do processo de escrever. Substantivos que traduzem essa equivalência: grãos / palavras - água do alguidar, folha de papel. Primeiro verso - lado a lado dois tipos de trabalho, “catar feijão”, grãos jogados no alguidar, e “escrever”, palavras jogadas na folha de papel: jogar fora o que boiar (grãos murchos ou bichados) - feijão porque palavras bóiam apenas simbolicamente. Omissão no terceiro verso da primeira estrofe - omissão da palavra água (na água da folha de papel): expressivo efeito de natureza fônico-semântica. “e depois joga-se fora o que boiar” - feijão, sentido denotativo: flutuar, sobrenadar: palavras, sentido conotativo: aquilo que pode ser eliminado. O papel torna-se “água congelada” é uma referência do poeta à perenidade da palavra impressa. Verbo ‘soprar’ ao referir-se ao feijão, ação concreta de expelir com força o ar dos pulmões para deslocar corpos leves - no ato de escrever, sugere o ato de eliminar --- “pois, para catar esse feijão, soprar nele...” - referência à ornamentação supérflua da frase --- “soprar (...) e jogar fora”, dois infinitivos com valor de imperativo. “e jogar fora o leve e oco, palha e eco” - eliminar as repetições e as palavras inexpressivas. Função da pedra em “catar palavras” - dá à frase “”grão mais vivo; obstrui o leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco --- fluviante-flutual, recurso estilístico, troca dos sufixos das duas palavras aliterantes. Boiar supõe leveza; oco (vazio) se opõe a chumbo pesado / palavras-chumbo, as de sentido essencial, permanecerão, jogar fora a palavra leve e oca / palavras-palha, prejudicam a pureza artesanal da frase / palavras-eco (menor, quase nula a taxa de informação), redundantes. (Chumbo - também referência a técnica de impressão gráfica.) Primeira estrofe, trabalho do poeta na construção do poema - jogar as palavras na folha de papel, depois depurar, escolher a palavra-chumbo que permanecerá. “e jogar fora o leve e oco, palha e eco” - .eliminar o elemento ‘fácil’ Risco no catar feijão - deixar passar uma pedra perigosa - “entre os grãos pesados, um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente.” Pedra, aspecto positivo na construção do poema, pois “obstrui a leitura fluviante, flutual” etc. / ao mesmo tempo, “a pedra dá à frase seu grão mais vivo: obstrui.........” - pedra impede uma leitura corrente (fluvial) e superficial (flutuante): esse trecho exige do leitor uma busca na tentativa de decifrar a mensagem. As inversões fluviante/fluvial concretizam a reflexão sobre o ler e o escrever. Para o poeta, o escrever é produto de um trabalho artesanal na seleção das palavras. O que ele postula é um estilo seco, enxuto, despojado de artifícios. F I M
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Comentários dos leitores

Somente um poeta para ver semelhanças entre o grão de feijão catados a as palavras poetizadas. Prabéns!

Postado por lucia maria em 07-05-2017

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