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A LITERATURA ETERNIZA O HOMEM-PARTE II



					    
O DEPUTADO POLIXENO, conto de JOÃO DO RIO --- Resumo: Narrador escrevera em 1910 /bem podia ser em 2016!!!/ um artigo noticiando metade da população em miséria. Este voltando de Paris, deputado (“amigo desde os remotos tempos em que a pátria injusta só lhe pagava dois contos e duzentos por mês, durante oito meses”) lhe envia telegrama /atraso urbano de 24 horas/ convidando para “jantar no suntuoso palacete”. Arrumou-se elegante. Dez criados de libré, altivos, ex-rapazes da província esperançosos de emprego no Ministério da Agricultura. Apresentou-se como íntimo - ficar na sala de espera. Surge o dileto amigo Pereira, “autor de várias tragédias e romances” (no texto), agora um dos secretários de Sua Excelência para escrever os discursos. Em seguida, veio o Isidoro, não se viam há dez anos; faz versos para as 45 mulheres de Polixeno - conselhos de Bidart (pesquisei, não confirmei), família maior que a do Accioly” (idem ibidem) -, fora as amantes”. Isidoro foi nomeado ‘contra a vontade’, para a propaganda do Brasil na Indochina; mal chegou de volta, viu “bandos de miseráveis nas ruas entre palácios extraordinários e Polixeno, que caucionava os vencimentos”, agora “num luxo espantoso”. Explica: há dez anos “deputados e senadores eram os que mais ganhavam no parlamento universal”, pediram mais, que eles mesmos davam, dois meses depois o dobro, veio a moda do ‘five-o’clock-teas’, ajuda de custo para chás, um mês depois, “cinco contos por mês para aeroplanos”, três meses depois, autorização para “mandar construir um palacete confortável, para morar no Rio e não faltar às votações”... ajuda para mulher de deputado... cada filho, um ordenado pelos anos de idade... ”fora as verbas de representação, em que entram 20 contos para criados”. E o Isidoro dá ainda notícia sobre “imposto por andar na rua: um tostão diário sobre cada transeunte, mesmo os mendigos - o imposto do pais da pátria. A miséria aumenta.” Deputados continuam sem fazer nada - Polixeno há duas semanas não vai à Câmara, local ainda é “a mesma Cadeia Velha, em ruína” por falta de verba. Deputado manda chamar o narrador - “quarto de mármore rosa das massagens russas”. Três homens nus e suarentos “esfregam-lhe o corpo com óleo de libras esterlinas perfumadas, última descoberta para dar brilho à pele”. Reclama do exagero no artigo sobre mendigos, narrador argumenta: “A população.” Polixeno diz que “A população somos nós, desde que nós somos os representantes dela”. Dá uma gargalhada, ergue-se, estima “muito a imprensa” e pede o favor de um artigo generoso sobre as “minas de ferro de Minas”, mostrar “o lucro fabuloso das empresas”, pois “A exportação de ferro não paga imposto ... para a nossa receita um imposto sobre cada quilo de ferro extraído ... Esse imposto deve servir durante 20 anos para o Patrimônio dos Deputados em Viagem.” Narrador ergueu-se “pálido de cólera”, vista escurecida, mão atirada em protesto e... acordou do pesadelo. Lera dando como certo um aumento a mais na renda dos mais ricos parlamentares do mundo - além do que ganha o presidente da Suíça. Título sarcástico - ‘polis’, cidade + conotação de ‘obsceno’ = poder obsceno. Série de contos satirizando figuras políticas nacionais: impiedoso cronista político. E sempre com razão! Conto-crônica, publicação na “Gazeta de Notícias”, 16/10/10 - escritor então com 29 anos de idade. Morreu de enfarte aos 39 dentro de um táxi a caminho do trabalho... e teria sido figura marcante no modernismo brasileiro, entre amado-odiado, invejado-bajulado. Em fevereiro de 2002, foi arrematado por um colecionador carioca, na feirinha de sábado na Praça XV, o filme, fita com 12 minutos em nitrato de prata, do enterro do grande cronista - trajeto até o Cemitério São João Batista, casa dele em Ipanema, biblioteca, manuscritos e fachada do jornal “A Pátria”, que fundou em 1920 e dirigiu, a equipe da redação e os operários da gráfica. JOÃO DO RIO, um dos vários pseudônimos - 1881/1921. Ingressou no jornalismo os 17 anos, artigos truculentos em que hostilizou muitas figuras de relevo, entre 1898 e 1899, na “Cidade do Rio”, combativo jornal de JOSÉ DO PATROCÍNIO - jornalista destemido, de estilo ágil e trepidante de apresentar a informação; na “Gazeta de Notícias”, reportagens e a novidade de entrevistas com escritores, que depois viraram livros de grande sucesso na época. Foi também contista, cronista (brilhante!), romancista, teatrólogo, conferencista e tradutor - ficção urbana e psicológica. Interessado nos aspectos sociais e humanos da vida urbana, sabia escutar os mistérios da noite e a queixa dos infelizes, sensível para a dor das classes menos favorecidas, de baixa renda ou nenhuma, condenando a injustiça social - portanto, não foi apenas o dândi que, de casaca, freqüentava ricas festas e flanava pela rua do Ouvidor, que ele definia como “irresponsável artéria da futilidade; um tagarelante em redações e confeitarias. Foi amigo de DI CAVALCANTI. Conheceu a célebre ISADORA DUNCAN, a “musa do século”, em pessoa, que esteve no Brasil em 1916 - encontravam-se no hotel em Santa Teresa onde ela se hospedara e consta que ela dançou em túnica escarlate transparente, quase nua como uma ninfa dos bosques, para ele, na Cascatinha, furnas da Tijuca. Defendeu o direito de greve, apoiou movimentos feministas e combateu a exploração de menores pedintes. Flamenguista. Escreveu o conto “O bebê de tarlatana rosa”, humor negro. ‘Cantou’ o amado Rio - cenário de sua obra - que se modernizava, tempo da ‘belle époque’ (a Colombo, o Pascal, a Livraria Garnier... - cafés, boêmios, lojas francesas de importação) , saindo de cidade semi colonial para metrópole, campanha “Rio civiliza-se”, de Pereira Passos, ruas palmilhadas como repórter e boêmio. ---------------------- FONTE: “João do Rio: uma vanguarda com o povo” - Rio, JORNAL DO BRASIL, 22/1/72 // “João do Rio” - BH, SLMG, ano XIV, n.770, julho/81 // “Um conto perdido de João do Rio” - “Enterro que dá mais vida a um sonho” - Rio, jornal O GLOBO, 14/7/91 e 27/02/05. F I M
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Comentários dos leitores

Político antigo não estudava, o atual estuda. Molecagens, fácil fazer? Nada mudou. Grande (duplo sentido) João do Ro. Parabéns!

Postado por lucia maria em 07-05-2017

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