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ESTÓRIAS CARIOCAS SEM CRONOLOGIA-PARTE III



					    
Quando D. João VI morava em Portugal, quase não saía do palácio, mas no Rio gostava de passear - bairros de Botafogo, Jardim Botânico, Santa Cruz, Paquetá e forçadamente banho de mar no Caju. Nunca direto na água, peixes poderiam morder-lhe as pernas - entrava numa barrica presa a uma corda e se recreava.... Consta que foi picado nas pernas por carrapatos, coçou e infeccionou, sendo que o médico não acertou curá-lo e um sacerdote francês recomendou banhos de mar todos os dias, capacidade cicatrizante. A princípio sentiu-se ofendido, mas seguiu a orientação e escolheu aquela praia de então águas límpidas. Havia também ali uma casa de frente para a Baia de Guanabara que pertencia a um comendador, comerciante rico de café, amigo do rei , e de onde passou a tomar os tais banhos terapêuticos, ou seja, medicinais. Uma das raras residências erguidas na beira da praia, junto a casebres de pescadores (com isto, logo virou ilustre bairro de veraneio para a nobreza, dotado de elegantes casas e chácaras), passou a se chamar a Casa de Banho D. João VI; construída em 1810, no início do século XIX, tombada em 1938 como patrimônio cultural pelo IPHAN, restaurada em 1996, hoje abriga o Museu e Centro Cultural da Limpeza Urbana: conscientização dos visitantes! O museu tem uma sala de leitura com grande acervo de livros, há um palco para peças teatrais (Projeto História Viva: D. João principalmente) e também oferece aulas de reciclagem e reaproveitamento de materiais e já sediou festival de música com artistas locais. Voltando... Ora, para fugir da situação, ele inventou que o mar estava infestado de caranguejos e siris, seus grandes medos. Não escapou! A solução prática e decisória foi a tal tina com furos laterais para entrada da água, tipo banheira portátil, com dois varões transversais, levantada por escravos e levada ao mar, a pouca profundidade, rei dentro, altura das pernas, poucos minutos. Em 13 anos no Brasil, teriam sido seus únicos banhos, não sobraram outros registros......... O banho não era comum na Europa, mas havia aqui o calor tropical e a população aceitava o costume: banho era ‘coisa de índio’, um choque de higiene pessoal e coletiva, nativos X portugueses. De um modo geral, a higiene da cidade era precária, mais moradores com a Família Real e cerca de 13.000 ou 15.000 novos moradores (ainda não existia a exatidão do IBGE). O que fazer com tantos resíduos urbanos e dejetos humanos? O conteúdo dos penicos era tranquilamente atirado pelas janelas... se fosse apenas urina, grito de “Ora vai!”... e ai de quem passasse na rua no momento... exato de dois “conteúdos”?! As famílias ricas possuíam escravos ou passaram a contratar alguns para despachar barris cheios bem longe de casa, normalmente dejetos jogados no mar ou em rios - esses transportadores eram chamados de tigres, negros-tigres ou tigrões, listrados pelas fezes que escorriam dos cestos e barris levados sobre a cabeça, mal encarados, coitados! (Veio daí a palavra ‘enFEZado’.) Somente em 1880, terminaram as obras de captação de esgoto. Pouco depois, D. Pedro II encantou-se com a limpeza das ruas na Europa e em 1885 contratou os serviços do francês Alonso Gary, cujo nome acabou esticado para funcionários de limpeza das ruas - destino final do lixo, ilha da Sapucaia, perto do Caju, as carroças entregando o lixo a uma embarcação. Em 1940 (como demorou, hein?), o gari ganhou identidade e uniforme cinza, cor laranja na atualidade; criada a Comlurb em 1975, dois anos de controle estadual, municipal depois. ----------------------------------------------- FONTES: Livro “Gente do Rio, Rio da gente”, 1996. --- “Bálsamo para a ferida do rei” - Rio, revista NÕS DA ESCOLA, SME- n.60/2008 F I M
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Comentários dos leitores

Desculpe, grito de "Água vai!" que ainda permaneceu por décadas em certos ambientes antigos e populares - pesquisei, achei. Bom seriado, o seu, condizente com atual novela das 18 horas. Parabéns!

Postado por lucia maria em 13-05-2017

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