Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio BAC

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Avaliação de trabalho publicado

Caro leitor,

Este trabalho encontra-se em avaliação pelo público. Ao acabar de lê-lo, você está convidado para registrar a sua impressão.

Desta forma, você estará dando uma importante contribuição para incentivar o autor deste trabalho a aprimorar sua capacidade e também a continuar escrevendo, cada vez mais e melhor!

Bons Textos!

> Ler outra crônica <   < Ler contos >


< Ler outro trabalho de ATHINGANOI >


< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


O HOMEM CAMÕES E A VIAGEM



					    
1---SÍMBOLO E MITO GEORG LUCÁKS, húngaro, 1885/1971, filósofo, escritor e crítico literário, ao confrontar o romance do século XIX, natureza e essência do universo romanesco, e a epopeia grega, destacou dois dados para se compreender melhor a cosmovisão através deste último: caráter fechado e circular deste universo com respostas para todas as dúvidas, sentido imanente (o que lhe é característico) da vida, e a incompatibilidade entre NARRATIVA ÉPICA, manifestação estética que liga o humano ao divino (daí, inclusive o caráter semi-divino do herói), e HISTÓRIA, esta transmudada para o plano do mito. // CAMÕES, século XVI, “Os Lusíadas” - contexto histórico-social bastante diferente e mais complexo daquele codificado por HOMERO; no entanto, o argumento no poema português, pela grandiosidade do significado, rompe os limites do mero fato histórico, e ganha assim dimensão mítica. O simbólico e o mítico em Camões não são meros recursos estilísticos e sim o cerne (âmago, essencial) do poema. Elemento estrutural que comprova esta tese: a viagem de Vasco da Gama foi o epicentro de tudo - como todas as provações históricas, uma viagem repleta de perigos, mas bem sucedida ao final, Fado (destino), ou seja, plano da criação jamais quebrado ou alterado, de que também os deuses fazem parte. O significado mítico da viagem do Gama complementa-se no sentido mítico/místico ao chegarem à Ilha dos Amores. A viagem arquetípica é a busca do paraíso perdido, que na tradição universal-imemorial, é um lugar no alto, iconograficamente montanha no meio de uma ilha, a cujo cimo dá um caminho em espiral. Pela cabala cristã, pela crítica semiológica e pela teoria jungiana sobre os arquétipos, Camões ainda pouco estudado e valorizado, mesmo colocando-se o texto poético em primeiro plano, para novas perspectivas de interpretação. 2---A VIAGEM Transformação poética do relato histórico-científico, isto é, veracidade geográfica e circunstancial de uma viagem /significante/, sobrepondo-se o platonismo da viagem mítica ou mitificada /significado/. Caráter de epopeia tipicamente moderna, fato heróico substituído pelo Amor, fenômeno sutil, colocando “eros” acima de “epos”, o segundo na dependência do primeiro, relação causa e efeito. // Em “Os Lusíadas” (publicação em 1572), epopeia simbolicamente como motivo capital, a viagem de Vasco da Gama (personagem real e símbolo de todos os navegadores da época) entre Lisboa e Calicute - 1497 ou 1499. Uma verdadeira peregrinação histórica transposta em poema - índole amorosa, como se fosse uma “navegação amorosa” e não heróica ou patriótica. O fenômeno da peregrinação, seja fictícia ou verdadeira,é tão velho quanto a mitologia grega - Hércules (e seus 12 trabalhos), Ulisses (dez anos sem ‘achar’ o caminho para Ítaca), cruzadas a Jerusalém na Idade Média, romarias a santuários de Roma e Santiago de Compostela, costume e idéia perpétuos. Também o teatro religioso e a “Divina comédia” exploram a peregrinação mística, e a cavalaria ao divino em “A demanda do Santo Graal”; século XVI, progresso oceânico, “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto; bem mais tarde, Leopold Bloom, Dublin-1904, e Proust no fio do tempo, peregrinação interior consciente. // OS LUSÍADAS - Canto I, naus no Oceano Índico, além da metade do caminho, sem graça a primeira parte da viagem, e a aventura realmente só começa após cruzarem o Cabo das Tormentas: no Canto V, eis o Gigante Adamastor, convertido em pedra por amor sem esperança a uma ninfa! A imaginação medieval era supersticiosa sobre “além” do Cabo da Boa Esperança, e a nova náutica foi além do ponto extremo da África... Para Camões, equação lírico-alegórica: a deusa Thetis simboliza o Amor (o próprio Portugal por extensão) vence o Gigante, personificação da energia física e dos ocultos perigos dos mares: fase lírico-amorosa da cena é a força muscular dobrada ao sentimento, Gigante perdido por amor. Primeira vez os portugueses perante o mito, segunda será na Ilha dos Amores, epílogo do poema. Antes, anunciar os percalços fatais da viagem, os contratempos, vencidos àquele ponto da caminho; depois, o risco transcendental e definitivo do Amor, encoberto sob o engano das glórias bélicas e materiais da Índia - almejavam chegar ao Oriente como se buscando o Amor: para cada nauta, viagem como alvo concreto à Índia, especialmente como símbolo do Amor, consciência disfarçada na conquista heróica do Oriente longínquo e misterioso. Passagens para “distrair” os navegantes: fogo de Santelmo, tromba marinha e aventura de Veloso - naus voam, ventos bonançosos; Adamastor, o sentido da viagem! Vasco reconstitui a pregressa história de Portugal ao rei de Melinde, exaltação à pátria, verdade mais sentimental que documental, fatos precedentes da heróica jornada à Índia, Cantos III e IV, espaço no poema bem maior que na primeira parte - sentido de peregrinação só possível a um povo navegador como este, de descobrimentos marítimos. Episódio de Inês de Castro, passagem de índole lírico-amorosa, pateticamente protagonizada por uma espanhola, muito significativo na narração histórica: aspecto amoroso enfocado como o transcendental sentimento que move a heroína e quase demove o futuro rei. A tendência do português na direção do Amor: analogia entre o sofrimento alegórico de Adamastor e o histórico de Inês e Pedro. Após saírem de Melinde, Concílio dos Deuses, assembléia divina em dois partidos, se permitem ou não o intento dos portugueses, e Vênus, a deusa do amor, seduz e amacia o furor de Júpiter para autorizar a viagem e as ciladas de Baco. Conservam o rumo, bafejados pelo Amor. Os Doze da Inglaterra num episódio da cavalaria amorosa, passagem lírico-amorosa em que cavaleiros portugueses desagravam, defendem damas inglesas ultrajadas. Chegam a Calicute, com vários entendimentos diplomáticos. significado das bandeiras, Baco desesperado em tentar destruir os acordos. Tempo de regressar. Vênus prepara, através do filho Cupido, o prêmio: mais um episódio lírico-amoroso, plano mítico, uma ilha habitada por ninfas helênicas. Desembarcados, um banquete, o amor, uma delas profetiza o futuro de Portugal e memoráveis feitos de guerra - Thetis conduz Gama ao pico da ilha, desvela a máquina do mundo e aponta as regiões que descobririam em tempos vindouros, viagens abertas com o périplo marítimo para a Índia. O Amor no poema épico é oferecido por semideuses aos navegantes, os perigos do oceano ascendendo por causa do Amor, único sentimento - sugere o poeta - que ergue o herói, contingente e humano, ao nível da transcendência. Viagem poeticamente incaracterística que ganhou vulto além de si própria, do tempo e do povo português! LEIAM meus trabalhos “Meu amiguinho Tiago andarilho”, I, II e Final --- “Ilha camoniana dos amores” --- “Viagens portuguesas”. NOTAS DO AUTOR: EPOPEIA - narrativa de fundo histórico, registro poético das tradições, ideais e lutas de um grupo étnico sob a forma de aventuras de um ou alguns heróis. GIGANTE ADAMASTOR - Atlas, filho de Júpiter e Climene convertido em monte ao ver a cabeça da Medusa. No poema, simboliza os perigos enfrentados pelos navegadores na tentativa de dominar e superar os elementos naturais e representa o Cabo da Boa Esperança, isto é, “das Tormentas”. Camões o compara ao Colosso de Rodes, 32m de altura, construído no século III a. C., no porto de Rodes, ilha grega homônima uma das 7 maravilhas do Mundo Antigo, destruído por um terremoto. FONTES: “A viagem de “Os Lusíadas”, símbolo e mito”, de Yvette K. Centeno et alii, 1981 - SP, Boletim Informativo do Centro de Estudos Portugueses, ano 8, n.10, dez./82. --- “Camões e a ideia de peregrinação”, de Massaud Moisés - Rio, revista cultural Convergência Lusíada, Centro de Estudos do Real Gabinete de Leitura, ano IV, n.7, jul./79 a dez./80. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2017
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 12 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

O QUE VOCÊ ACHOU DESTE TRABALHO?

EXCEPCIONAL    MUITO BOM    REGULAR    FRACO    MUITO FRACO    
SUA AVALIAÇÃO É SECRETA E AJUDA A ELEGER OS MELHORES TRABALHOS

Comentários dos leitores

Mil voltas aparentemente históricas, mas na verdade o roteiro era chegar à Ilha dos Amores. Pensa que não sei??? Parabéns"

Postado por lucia maria em 20-05-2017

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.


> Ler outra crônica <   < Ler contos >


< Ler outro trabalho de ATHINGANOI >




AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.