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ESTÓRIAS CARIOCAS SEM CRONOLOGIA-PARTE VI



					    
MACHADO DE ASSIS viveu e retratou em crônicas os mais importantes fatos históricos e políticos do nosso Brasil no Segundo Reinado, transição entre Monarquia e República (aí, já é “outra” estória.........) Evitava opinar e tomar partido... Em 69 anos de idade, fim da escravidão, Guerra do Paraguai, ih, muita coisa! Nascera em 21 de junho de 1839 (Geminiano ou Canceriano?), quando ainda havia tráfico de escravos; desde 1808, chegada da corte portuguesa, intenso desenvolvimento tecnológico e mudanças no país - da parte dele, nem críticas políticas nem discursos panfletários - preferia falar dos espaços urbanos, como na crônica “Tempo de crise” (sempre repetida, nunca renovada!), especulações sobre a formação de um novo ministério - recomenda a *rua do Ouvidor como “novidadeira”, onde se juntavam todas as possíveis informações , seguras ou inseguras, visitando casas e principalmente sentados nas livrarias, ambas como verdadeiras estações telegráficas. Na crônica “Bondes elétricos”, crítica bem humorada sobre o novo meio de locomoção, impressionado com o gesto altivo do ‘cocheiro’ do ‘bond’, olhando a todos com superioridade, convencido de ser o inventor da eletricidade. Machado contou estórias de políticos, sem reverenciar a política de que não esperava coisa alguma. Trabalhou no “Diário do Rio de Janeiro”, passava os dias no Senado observando os parlamentares ou trocando ideias (imagine-se!) com outros jornalistas. Crise séria quando D. Pedro II demitiu do gabinete um liberal e substituiu por um conservador, atitude soou como golpe do imperador, que tinha o poder absoluto - Machado não fez destaque em crônica, somente falou em vaias e aplausos, sem tom de intensidade. Consta que o ato antecipou o fim do regime monárquico. No romance “Esaú e Jacó”, ele, mesmo em tom sarcástico, não se posiciona sobre a República. A crônica “O velho Senado” é leve e sem comprometimento com os espinhos da política: tomou chá com o republicano Quintino Bocaiúva, conversaram primeiramente de letras e pouco depois Quintino introduziu a política, não usual na conversação - “clima sem tumulto nas sessões do Senado, galerias não muito freqüentadas, alguns espectadores dormindo”... Machado nasceu em época de escravidão, assunto que despertava paixões; descendente de escravos africanos, não se envolveu ativamente a favor ou contra a causa abolicionistas, seguindo a intelectualidade da euforia - era apenas ‘pano de fundo’ nas obras que retratavam a então sociedade. Crônica mais conhecida é “Abolição e liberdade”: negro de 18 anos é alforriadoàs vésperas do 13 de maio de 1888, há uma festa de comemoração, mas ele prefere ficar sob o ordenado de 6 mil réis. Ironicamente, Machado que os petelecos e pontapés no ex-escravo continuaram... Posicionamento visível na vida pessoal, então funcionário do Ministerio da Agricultura, fiscalizava e exigia a aplicação da Lei do Ventre Livre, de 1871, favorecendo a libertação de muitos escravos. Sobre a Guerra do Paraguai, conflito iniciado em 1864, ele publicou o poema “”A cólera do império”, maio de 1865, onde exalta o nosso exército (com o decorrer do tempo, mostrou despreparo). Em 1894, crônica retratando o desgaste do Império, determinante para a proclamação da República. NOTAS DO AUTOR 1--*Rua estreita que começa na praça Sérvulo Dourado e termina no Largo de São Francisco, era naquele tempo a mais elegante da cidade e teve muita importância histórica pela intensa atividade intelectual, social, política, boêmia e comercial que ali se desenvolvia. Teve vários nomes até a denominação definitiva, depois que passou a ser local de moradia do ouvidor-mor (magistrado) que recebia da Câmara a casa e o mobiliário indispensável para exercer suas funções. / Largo de São Francisco, igreja local homônima - Em 1810, D. João VI fundou no local a Academia Militar e a Biblioteca Pública. Também foi construída nesse largo a Escola de Engenharia (Escola Politécnica), hoje o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. O monumento no centro do largo é a estátua de José Bonifácio, o Patriarca da Independência. 2--Procurem conhecer a litografia do pintor e desenhista alemão Johann Moritz Rugendas intitulado “Jogo de capoeira” ou “Roda”, 1835; idem, a sangrenta “Batalha de Tuiuti”, episódio da Guerra do Paraguai, retratado pelo argentino Candido López, 1889. FONTES: Folheto “Lembranças de um passado...” - Rio, SENAC, recorte sem data --- “A imparcialidade como marca” - Rio, revista NÓS DA ESCOLA, n.58/2008. F I M
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Comentários dos leitores

Machado era o "bom moço discreto" na tentativa de neutralidade, mas metia o bedelho (palavra da época) e expunha tudo a público... nos jornais. Parabéns!

Postado por lucia maria em 20-05-2017

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