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LITERATURA DE CORDEL: XILOGRAVURA-PARTE II



					    
XILOGRAVURA - enriquecedora arte figurativa popular, sem academia. Arte de origem chinesa milenar. Interessante visitar em Bezerros, região agreste de Pernambuco, a 120 (ou 107?) km de Recife, o ateliê de J. BORGES (José Francisco Borges), xilogravurista e cordelista famoso desde a década de 70, apresentado por ARIANO SUASSUNA como o melhor gravurista do Brasil, atividade ‘maiúscula’ exercida com amor além dos 80 anos de idade.. Ilustrou também “O lagarto”, livro do escritor português JOSÉ SARAMAGO, e uma loja de Austin, States, encomendou 600 obras, boa venda no comércio internacional. Ilustrou com 43 imagens os dois volumes dos *“Contos maravilhosos infantis e domésticos”, celebrando em 2012 os 200 anos da primeira publicação dos Irmãos Grimm - xilogravura não dissociada do cordel nem dos contos de fadas; no conto “A maldita fiação do linho”, toque nordestino-sertanejo, as fiadeiras do caroá, fibra muito explorada no agreste, aproximando os dois universos narrativos, fábulas européias e cordões brasileiros. Nascido em 1935, freqüentou escola apenas por 10 meses e aos 8 anos ajudou família no roçado do sítio onde nasceu. Muita luta na vida - criou cabras, foi carpinteiro, marceneiro, pedreiro, oleiro, balconista, artesão e até apontador de jogo do bicho. Por falta de escolas, muita garotada começou a ler e sonhar nos folhetos de cordel. J. BORGES aprendeu entalhe sem mestre e desde garoto fazia carrinhos, outros brinquedos de madeira e colher de pau para vender de feira em feira. Silêncio, escuridão, tempo sem rádio e televisão nem luz na caatinga, terra árida e esturricada... Apaixonou-se pelas estórias fantásticas dos folhetos de cordel, lidos pelo pai sob a luz do candeeiro; aos 20 anos, ainda um tanto encabulado, vendia e recitava nas feiras os cordéis alheios, assistência de 100 a 200 pessoas. Em 1965,um folheto inicial, “O encontro de dois vaqueiros no sertão de Petrolina”, sertão ainda mais castigada pelo sol causticante que Bezerros, com rima e mmétrica, primórdio de um grande sucesso. “A chegada da prostituta no céu”, primeiro trabalho mais caprichado em 1976 - desde o começo da carreira, não tendo como pagar ilustração, fizera ele próprio as matrizes; na época desta ‘chegada’ vendeu cerca de dois mil cópias, relançamento posterior com média de cinco mil na atualidade.. Depois, mais de 270 títulos. Cafezinho às seis da manhã, muleta para auxiliar a caminhada lenta, oficina do Memorial J. Borges num galpão sob a casa e, como dizia ele, “quem tem pressa fica no caminho”... Paredes cobertas com ilustrações fantásticas, de cavalos alados a peixes voadores ou com pernas, de sapos de chifre, a sereias do sertão, de cavaleiros encantados e fadas a príncipes sertanejos... Mesa comprida para o trabalho, formão, buril e goivinhas, radinho e caixas de som (paixão por Lupiscínio Rodrigues, tema eterno em cidades do interior nordestino e feiras de diversões...), pau de louro-canela nas escavações de tipos, cenas e estórias inteiras entalhadas. Antes do Ibama proibir a derrubada, era imburana, que não empena, figura entalhada para sempre - extinta em Pernambuco, ainda existente no sertão Paraíba. Madeira às vezes é dura, petrificada, quando vem de terreno cansado, desmatado; pau de terra fértil é madeira da mesma espécie, porém molinha. Depois, no cômodo ao lado, familiares (em especial o neto PABLO e o sobrinho SÍLVIO, seus possíveis continuadores na xilogravura) pintando em preto ou colorido as peças concluídas, matrizes clássicas e tradicionais do imaginário nordestino, mundo encantado: corajosa mistura de santos, diabo (principalmente: sozinho ou em pelejas eternas com figuras humanas) e prostitutas; também princesas, cavaleiros, vaqueiros, quadrilhas, paus-de-arara, cangaceiros, prostitutas, índios-arco-flecha, pavões misteriosos, cobras aladas, mulas sem cabeça, monstros do sertão, mãe d’água, sereias flutuantes e muitas outras figuras - sempre um tema a explorar. Com ele, jamais ‘crise’ no mercado de arte. Segredo? Estética artesanal, apenas isto - variedade dos temas, detalhezinhos bem feitos e preço acessível para o cliente poder comprar muitas peças, em publicidade maior, e cada amigo ou parente viria conhecer... e comprar outros dez ‘desenhos’. Exposições na Europa e nos States. Capas de livros e abertura de novelas, “Cordel encantado”, a mais recente, em 2011. Em Portugal e também na França, berços, o folheto virou peça de museu, porém tradição mantida no Brasil (até teses de mestrado e exposição na ABL de raros cordéis portugueses), especialmente no ano da novela, com quatro eventos em Recife tendo como mote o folheto e suas estórias mágicas, inspiração para arquitetos, estilistas, grafiteiros e artesãos - não mais folhetos pendurados em barbantes nos mercados populares, modernamente encontrados em livrarias e galerias de arte. Espaço em bolsas, camisetas, saias, sandálias, almofadas, objetos de uso diário e decoração, quadros em molduras nas paredes e azulejos em piscinas. NOTAS DO AUTOR: *CONTOS MARAVILHOSOS - Extraídos da cultura oral da Alemanha - nos Irmãos Grimm, não exatamente contos de fadas, alguns um tanto violentos, outros quase cômicos e leves, sendo uma das principais características as transformações, metamorfose pelas quais passam as personagens. IMBURANA - Segundo J. Borges, “parece que só serve para isso” (o entalhe), pois não dá sombra ao gado, tem folha no inverno, não dá fruto e não deixa outra planta crescer perto. PASSO A PASSO - 1-Esculpir a matriz; 2-tingir com tinta gráfica, em cores escolhidas para cada elemento; 3-pressionar o papel branco sobre a superfície; 4-secar a impressão por um mínimo de 6 dias. VÍDEO - “100 anos de cordel”, exposição no SESC Pompeia, Sampa, 2001 - raízes da cultura popular nordestina, cordelistas, repentistas e música do grupo “Cordel do Fogo Encantado”. FONTES: “Cordel pop” - “Uma vida de cordel” - “Mestre da xilogravura” - “Ateliê de bravura” - Rio, jornal O GLOBO, 7/8/11, 6/10/12, 18 e 20/11/16. F I M
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Comentários dos leitores

Sim, nosso artesanato - em todos os caminhos - é maravilhoso. Cordel internacional. Parabéns!

Postado por lucia maria em 29-07-2017

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