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A GALINHA-PARTE III



					    
Não sou teólogo - não vou defender teses de teísmo - mono X poli -, bem como analisar fé X agnosticismo ou ateísmo. UMBANDA e CANDOMBLÉ, religiões? Se EU ousar dizer “não”, estarei também repudiando o Egito Antigo, a Grécia, a Índia, a China, o Japão......... e mais recentemente conhecidos os índios brasileiros e nossos importados africanos. (Estudei um pouco de História!) - ---- Várias vezes é vista a frase colada em vidro de carro: “Sou ateu graças a Deus.” - novidade é “Deus prefere os ateus”. Escolha a sua. ----- Interessante discursou como certa vez um conhecidíssimo pai-de-santo (babalorixá, figura máxima na hierarquia do candomblé), ao pescoço guia branca de Oxalá /sincretismo com Nosso Senhor do Bonfim/, no enterro de uma tia-avó de origem católica: “Mesmo num país laico, nós todos nascemos católicos, fomos batizados, comungamos na infância, há quem case no catolicismo e siga nos filhos a parcial tradição; depois seguimos as escolhas. Vamos dar as mãos e rezar (ELE não aceita ‘orar’ e usa sempre fórmulas feitas, decoradas, sem linguagens modernizadas): ”Pai Nosso que estais no céu..............” // Também não darei receita de galinha assada (vitrine rotativa tentadora na padaria da esquina) ou comida de santo ou afro-baiana. Maravilhas o xinxim, comida secular da Bahia, com camarão, e o muamba à Angola, com quiabo... É só a narrativa de um fato real que não saiu da memória de muita gente. GALINHA PRETA DEGOLADA - Final dos anos 40. A tia gostava de umbanda, freqüentava centro de familiares do marido (há remanescentes em 2017) em bairro um pouco distante de casa, viagem de trem a partir do centro da cidade (rejeitado o bonde 46, viagem muito demorada). Nada às escondidas - clientela entre a vizinhança e também pessoas de outras localidades fazendo pedidos, tomando passes de limpeza, agradecendo. Tentava convencer a irmã, desesperançada, e iam as duas mulheres com a respectivas filhas. A sobrinha deveria ter 7 ou 8 anos; ora muito medo sem procurar entender os mistérios ora achava tudo muito teatral-divertido e pitoresco (aprendera a palavra, repetia: atitudes em ensaio de bipolaridade suavíssima?) - ah, e amava os docinhos distribuídos em saquinhos no dia de Cosme e Damião, o lado gostoso das crenças (salas de aula vaziíssimas no Rio). Umbanda, religião tipicamente brasileira. Terreno grande, salão enorme para os trabalhos religiosos, muitas estatuetas. Rotina. Lá pelas tantas, uma ‘médium’ recebeu uma entidade feminina, vestiram-na imediatamente de vermelho e preto, cetim brilhoso, e uma mulher da assistência foi consultar. Mandinga feita contra a consulente só se resolveria com despacho ainda bem mais forte. Acontece que faltava cerveja escura na despensa e a garotada saiu para comprar... na padaria da esquina (espero um dia conhecer uma padaria que não seja de esquina!). Uma auxiliar do centro abriu o cercado e soltou no quintal a galinha preta de pescoço pelado (que por acaso a mãe da menina sempre escolhia ao comprar no aviário para uma canja mais saborosa, prato oficial de domingo: partes mais magras e fartos miúdos, geralmente muitos ovinhos). Veio a cerveja não gelada - “da prateleira”, linguagem da época. Ora, a entidade manifestada pegou a garrafa e sacudiu, fechada. Espumante, sabor amargo (que por acaso o pai da menina sempre escolhia no botequim pé- sujo para saborear com a galinha assada, partes mais nobres, ou ensopa com batatas, prato mais substancioso de domingo). Acontecimento inédito nos cultos, não se soube a intenção real - se escapou da mão ou era para “quebrar” o feitiço anterior. Tragédia zoológica. Pois a tal galinha foi atingida com exatidão no pescoço (modernamente, “caco perdido”), ou seja, a garrafa caiu ao chão de terra e pedregulhos, quebrou somente em duas partes e o gargalo - pescoço da garrafa - caiu a alguma distância logo após degolar a galinha. Líquido preto se derramando, cheiro forte da cerveja. Imediatamente um ovo saiu......... Sangue ainda quente, circulando, cabeça isolada e corpo se sacudiam em enorme espalhafato vermelho. O bico mexeu mudo, ouviu-se um estranho som enrouquecido (ar dos pulmões possivelmente expelido) e a cena mórbida ainda durou alguns ‘longos’ segundos. A menina ficou muito assustada na hora, agarrou-se na prima três anos mais velha, indecisa entre chorar por medo ou rir pelo inesperado. Ganhou o ovo! Distração imediata. Bom misturar gema crua com açúcar e comer de colherinha; com a clara, mini suspiro delicioso no forno de gás. Melodramaticamente (era ainda uma segunda-feira!) jurou para si mesma nunca mais comer galinha daquela espécie. No sábado, tentou explicar-se no pensamento qual a relação entre a galinha viva do aviário e a galinha degolada: nenhuma! No domingo, passeou com o pai pela manhã e......... pois é... não sobrou nada no prato de almoço. Dias depois, a mulher agradeceu com rosas a solução imediata do que solicitara no centro de umbanda. NOTA DO AUTOR: LAICIDADE - Estado separado da Igreja Romana desde 1890. SONHAR COM GALINHA PRETA - Duas interpretações: mau agouro ou... fome na madrugada. GALINHA PRETA & OVO PRETO - Raça Ayam Cemani. Uma raridade exótica de preço altíssimo. Totalmente preta: carne, pele, pernas, bico, crista, penas e ovos. Origem há séculos na Indonésia - ilhas de Sumatra e Java. F I M
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Comentários dos leitores

Guilhotina carioca. Gostei e ri muito. Sem pena (duplo sentido), não resistir à galinha de domingo, no prato de almoço. Parabéns!

Postado por lucia maria em 07-10-2017

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