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BAHIA, TERRA DA MAGIA?-PARTE II



					    
1-”Acontece que eu sou baiano, acontece que ela não é...” - assim poetizou CAYMMI sobre JORGE e ZÉLIA. // 2-Filha de imigrantes italianos, paulistana de nascimento, baiana de coração, símbolo de força, doçura e guerreira, ‘madrinha’ adotiva de muitas personagens - homens, mulheres - das páginas “de” JORGE. Super companheira, a secretária que emendava, corrigia, opinava, datilografava mais com coração que usando os dedos. Eterno sorriso. Mistura de ambientes nem sempre coloridos: dele, exílio espontâneo em Buenos Aires, 1941 (antes de ZÉLIA); juntos, outro na Tchecoslováquia, 1950; a casa do Rio Vermelho, onde o casal morou de 1960 a 2001; o apartamento em Paris... Sempre fora uma influenciadora e contadora de estórias. De repente, olha ELA escritora também; usou remotas reminiscências, reuniu memória daqui e dali, novas inspirações e armazenou fãs-leitores. No futuro, ABL, por que não? // 3-Aos 63 anos, a coragem para o primeiro livro em estréia brilhante, “Anarquistas graças a Deus” (seriado televisivo anos depois), desde a chegada dos Gattai ao Brasil. Ciúme secretinho, talvez: ELA não era apenas sua sombra, era também uma pessoa. JORGE apenas sugeriu escrever com leveza, linguagem simples, sensível e natural, do coração, como quem rememora a conversa. Nada de pesquisa de intelectualidade. Superar o tempo e reviver a infância distante, narrativa de calor humano: ‘ressurreição’ da menina ZÉLIA e de toda a família anarquista. Não uma época muito remota. Mostra o cotidiano familiar e aparecem os automóveis, em crescente progresso a indústria automobilística (no texto, “abuso de alcançar mais de 20 quilômetros à hora” - o pai precursor e vítima das corridas de automóvel), o início da comunicação de massa, os pipoquentos rádios, os discos de vitrola, a música de Carlos Gomes, o cinema falado, propaganda nos bondes, também feitos de corajosos homens aéreos, a revolução paulista, os escandalizantes concursos de beleza... No casarão antigo, alugado por volta de 1910, ao som da língua italiana destes pioneiros, a menina nasceu, cresceu, em paralelo à descrição de palacetes rodeados de parques e jardins, construídos de acordo com o destino (ou a sorte?) do também imigrante. Anarquia? Regime como os pais a entendiam: ‘’um por todos e todos por um”... Memórias narradas desde o ‘nonno’ (avô) materno, que viera direto para a lendária Colônia Cecília, anarquistas em fuga do regime fascista de Mussolini. Fome e falta de recurso algumas vezes trágicos e mortais. Estradas precárias, praia do Guarujá ainda não saneada. (JORGE AMADO é citado na narrativa.) // 4-Emendou com “Um chapéu para viagem”, 1982, dando vez à família dele e o encontro romântico de JORGE e ZÉLIA. Também o cotidiano. Em 1981, comemorações pelo cinqüentenário da publicação de “O país do carnaval”, primeiro livro de JORGE, 70 anos de idade em 1982, o melhor presente da mulher foi homenageá-lo contando desde a infância, vínculo familiar até 1948, numa leitura que se faz viva, atraente, dinâmica e agradável. Sob o título sugestivo, ZÉLIA relata viagens fundamentais e marcantes, de São Paulo para o Rio e depois do Rio para a Europa. Mulher solidaríssima, forte, dinâmica, numa mistura de humildade e singeleza. // 5-Farta bibliografia sem esforço algum... Aí, chapéu pendurado no cabide da entrada da casa, modo de dizer, foram se seguindo, “Senhora dona do baile”, 1984, “Jardim de inverno”, 1988, “Chão de meninos”. 1992, “A casa do Rio Vermelho”, 1999, “Cittá di Roma”, 2001, “Códigos de família”, 2001, “Um baiano romântico”, 2002, “Memorial do amor”, 2004, e “Vacina de sapo”, 2005. Houve ainda um romance não memorialista, “Crônica de uma namorada”, 1995, e três livros infantis: “Pipistrelo das mil cores”, 1991, “Segredo da rua 18”, 1991, e “Jonas e a sereia”, 2001. ----- Sobre “Senhora dona do baile” - memória com espantosa riqueza de detalhes. Vai ver, o marido “escondeu” o talento da mulher... Agora linha memorialista centrada nos Gattai e nos Amado e de repente surgem SARTRE, PICASSO e NERUDA. Abril de 1948, ainda antes de Lisboa, mãe que alimenta o filho de quatro meses numa cabine de segunda classe, navio italiano, uma semana de viagem, duas escalas após o Rio, fim da linha em Gênova. ELA contemplou ao longe uma da dez ilhas do arquipélago de Cabo Verde, paisagem árida não colorida. Meninos nus rodeando o navio, exímios mergulhadores pescando moedas, trazendo-as entre os dentes - dali haviam partido muitos escravos africanos, mancha do passado. No presente, campo de Tarrafal, na ilha de São Tiago, sofriam homens de valor, intelectuais africanos e portugueses, opositores da ditadura salazarista, soldados do mundo, sem possibilidades de defesa e liberdade. ZÉLIA teve vontade de se misturar ao povo, conhecer hábitos, rodar pela cidade, fascínio mais pela geografia humana que pelas paisagens. A escritora achou ter feito um bom livro sobre acontecimentos políticos importantes, entre 1949 a 1951, casal no exílio, com participação em comícios, comitês e campanhas pró-anistia de presos políticos após o Estado Novo. Bom, ZÉLIA não era exatamente nem intelectual nem política, mAs uma jovem cujo pai tinha sido preso e torturado pela polícia do país e após 1945 passo a freqüentar reuniões, quando conheceu JORGE. O pintor SCLIAR a conheceu um ano antes, e depois os três viveram momentos marcantes e releu feliz o clima da época, a crença de todos nos valores defendidos, muitas vezes com saudável ingenuidade. ----- “Crônica” e “...rua 18” são parciais biografias - o primeiro mostra o início do namoro com o baiaano e o segundo repete os anarquistas do livro inicial. Consta que mais de meio milhão de livros vendido no Brasil. Verdade as traduções em francês, espanhol, italiano, alemão... e russo. // 6-Uma personagem aventureira dentro de sua própria vida. Em 1936, casou jovem com um líder comunista com quem teve um filho; circulava no meio de diversos intelectuais revolucionários, fossem democratas ou esquerdistas - LASAR, MÁRIO DE ANDRADE, OSWALD, RUBEM BRAGA e VINÍCIUS; pai preso no governo Vargas, aí ELA saboreou melhormente as alegrias e os contraditórios dissabores da política. Desquite em 1945, só então surgiu JORGE (casaram de fato em 1978), desquitado desde 1941 - com ZÉLIA linda união sem assinar papel algum... Em 1946, ELE deputado federal por São Paulo, logo o partido foi cassado, nasceu filho do casal dois anos depois, “era uma vez” o político, e durante quatro a cinco anos curtiram um gordo exílio. Ah, pelo mundo, calculados 16 países, o convívio íntimo com NERUDA, SARTRE, SIMONE... - em agosto de 1951, nasceu a filha no exterior (leiam de ZÉLIA “Senhora” e “Jardim”), cidade de Praga, num castelo que era a sede da União dos Escritores Checos. Mulher sozinha com duas crianças pequenas, marido sempre atarefado em congressos, comícios e manifestos. Dois filhos “batizados juntos, no mesmo dia, em Paris” (mentira de ZÉLIA sob o abraço saudoso da velha zeladora do prédio onde a família morava), ao voltarem para o Rio em 1952: na verdade, quarto de hotel, no Quartier Latin, cerimônia simbólica, grandes homens reunidos, padrinhos o cubano Nicolas GUILLEN, o pintor brasileiro SCLIAR e o escritor francês SARTRE - NERUDA fez “a madrinha”; depois, ZÉLIA fez uma macarronada. // 7-Em 1952, novamente Brasil; em mais oito anos, a famosa casa do Rio Vermelho, onde passaram a receber NIEMEYER, DI CAVALCANTI e até mesmo PICASSO andou por lá. Muta burocracia complicada e falta de apoio na idéia de criar na casa o Memorial Jorge Amado, após a morte do escritor em 2001. Neste ano, há muito já deixara de ser “a mulher de JORGE”, eleita por mérito para a ABL, 37 X 32 votos! Mas que venceu, venceu. Em 2006, JORGE homenageado na Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), ZÉLIA, revolucionária ‘aposentada’, não compareceu por problemas de saúde. Retrato grande no gabinete de trabalho, por certo era o Senhor do Bonfim quem (sugeria ou) permitia que às vezes ELE piscasse para ELA... Que ZÉLIA via, via! Mistérios da Bahia! Corpo cremado e cinzas de ZÉLIA espalhadas na casa, como foi com JORGE sete anos antes. FONTES: Folhetos didáticos sobre abordagem literária e exploração do texto // “O homem Amado” - Revista REALIDADE - SP, n.5, ag./66 // “Notícias da Record” - n.26/1984 // Zélia, um caso de mor com a literatura” - Rio, jornal O GLOBO, 15/5/2008. F I M
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Comentários dos leitores

Ao lado de todo homem, a grande mulher! Questão de ser sempre a escolha certa, seja homem literato... ou... ou... ou... Parabéns!

Postado por lucia maria em 07-10-2017

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