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AMOR POR UM FIO: DUPLO SIGNIFICADO



					    
ELA, mexendo em vasos onde uma plantinha sem nome (amor-perfeito?) secara por falta de água e fertilizante  /boa metáfora!/ e o cactus importado (romano, grego ou de deserto egípcio) apodrecera por excesso, falhas de afetividade trocada, um relacionamento travado, com a voz mais calma do mundo, mulher tranquilíssima como um lento caracol subindo o tronco do coqueiro paulista compridão ou da gigantesca palmeira carioca ainda do tempo do Brasil-Colônia, sentenciou: “Na vida , não se pode tentar recomeçar toda hora:  as raízes não mais aceitam terra nova, a planta seca ou se afoga...”  //  Haviam trocado de residência recentemente.  Quem sabe mudando de ares?  Mais sol, mais verde agora.  A cidade natal da moça era puro sol!  Pequeno jardim.  Casa alugada, fácil pular de galho em galho.  Estavam ainda tentando criar raízes.  Comunicativa, aberta ao novo, diplomática.  Bom dia para a vizinha do 16, a que vem esperar o sol às seis da manhã, regador ecologicamente verde na mão, e cuida de lindas rosas cor-de-chá, tímidas violetinhas e trevos especiais que nascem todos com quatro folhas;  boa tarde a quem ELA visse na hora do almoço, correndo entre uma escola e outra;  boa noite para........ a mesma tentativa de conhecer novas pessoas.  Mulheres costumam ser solidárias no abandono da incompreensão...  E mas velhas às vezes sabem aconselhar.  Ou no mínimo ouvir e ajuda a enxugar lágrimas.  //  ELE indiferente ao redor.  Senhor de seu próprio mundo.  Fechado, silencioso, muitíssimo perto de insociável.  Conversou uma única vez sobre futebol no bar-padaria porque alguém viu-lhe o chaveiro e torcia pelo mesmo time tricolor paulista.  Embora gostasse, agradeceu e dispensou educado o convite para torneio semanal de bilhar às sextas-feiras à noite no clube do bairro.  //  Ou ELE ignorava qualquer assunto dela ou achava que muitos presentinhos (ELA, paixão por coisas miúdas) a compensariam de dias e noites de desatenção e desamor.  ELA brincava que um deles falava grego (ELA) e o outro aramaico (ELE).  Está nos livros - “grego, sub-grupo da família indo-europeia X aramaico, língua de origem semita.  Diferenças no tempo, no espaço geográfico, em tudo.  Sim, porque a comunicação entre o casal era dificílima, embora bastante cultos, os dois.  Ou mente muito cheia faz esvaziar os corações?  Como conciliar deuses antigos, livres e alegrinhos, e povos bíblicos, cheios de dogmas severos e tábuas de leis e decretos?  Alegria se opondo a severidade.  Felizmente, ELA não era Atena e nem ELE Moisés.  //  Falta de diálogo.  ELA contava tudo, entusiasmada - aulas, provas, ida a museu com a garotada, fornecedor de lanche que a paquera, um ex que pediu por telefone à distância vaga para sobrinho...  Não tinha ou então contornava facilmente quaisquer dificuldades repentinas que nunca permitia aos dois prolongarem.  ELE silenciava sobre tudo, inabalável - escritório, segunda faculdade, livros e agora pesquisas em biblioteca longe de casa;  pior era dizer na cara (e quantas vezes dizia!) que não creditava nas fantasias dela, falsas tentativas de causar ciúme tolo com rival imaginário, baixinho e magrela, talvez.  ELE, Gigante, se garantia no machismo total e absoluto.  Dificuldades  dele e nele?  Difícil adivinhar.  No amor, tem que haver permuta, nada unilateral, não mentiras ou segredos, mas isso o homem não entende, ou melhor, finge não entender.  //  A casa não era tão grande assim, mas às vezes literalmente ELA se trancava no quarto, alegava a necessidade de incomunicabilidade para filosofar a vida... e preparar suas aulas;  e ELE gostava mais de um corredor com estante de livros que chamava de biblioteca... horas estudando leis, decretos, parágrafos, alíneas...  //  Aí,  ELA comprou na banca de jornais duas frases em plástico transparente.  //  Fez um quadro artesanal com moldura bicolor - sereno azul celeste, cor predileta dela, ardente pecadora vermelha, cor predileta dele, pendurou na sala:  uma florzinha seca ao final de cada terça parte - “A vida é feita # / das escolhas # / que a gente faz #. ”  //  Por vezes, ELE parecia um “sir” misteriosamente  oculto pelo fog (neblina) londrino, embora não nobre de fato nem todo dominador colonialista sobre “a boneca possuída”.  ELE escolheu  lugar no vidro traseiro do carro para outro plástico - “A vida é um jogo:  ou você perde ou você ganha.” - WILLIAM SHAKESPEARE.  //  Haviam pedido transferência de telefone, como sempre AMBOS não se comunicando, e na empresa um casual Cupido (ou Eros?), intuitivo adivinhador humano (neo druida irlandês Merlin?), registrou uma transferência e um ‘pedido’ novo de telefone.  Logo, dois aparelhos de fio.  Lilás para ELA, cor enigma, da espiritualidade e da intuição;  clássico e austero preto para ELE, nunca outra cor menos severa.  Quase mudos longo tempo.  Quase porque a mãe dela ligava no número dele e pedia para chamar a filha.  O dele parecia ressentido com o mundo, calado por osmose.  As pessoas íntimas não anotavam, não memorizavam o número dele, era o que diziam.  //  Ambos, na rotina de não se comunicarem, examinaram-testaram os respectivos aparelhos.   Ligações aleatórias e descompromissadas, puro teste...  ELA perguntou o preço de um tranqüilizante, mas não comprou;  amiga balconista riu muito e sugeriu para o casal “sorvete de maracujá com musse de chocolate”, trocando colheradas na boca.  ELE perguntou, fleugmaticamente em tom britânico, até quando iria determinada peça teatral em paródia, O MEGERO DOMADO (perdão, William!), porém não reservou.  Aparelhos funcionando, tudo normal.  (Ah, se fosse preciso chamar um técnico bonitão ou uma técnica de macacão justo e curtinho... pensaram simultaneamente.)  //  Um novo teste foi, na mesma hora, um ligar para o número do outro, sem avisar.  Os aparelhos imediatamente cruzaram o contato, ruído nenhum de chamada, cada qual percebendo que do outro lado havia alguém atendendo, uma pessoa, dois corações batendo uníssonos.  ELA tentou um trote, “uma-mulher-secreta-que-muito-o-admira” e ELE revidou com “meio- esquisitão-porém-apaixonado”.  Fingiram não conhecerem as vozes, e riam muito, riam, riam, planejando como dois amantes casados e clandestinos uma viagem rápida, “às ocultas do mundo”, hotelzinho discreto, quartos separados e logo discordaram entre praia agitada (ELE, surpreendentemente) ou montanha de maior calmaria (ELA, na sedução de agradar).  Ah, um dia em cada lugar, melhor assim.  //  Viajaram.  ELA de ônibus, ELE de carro.  Acertaram finalmente num acordo a senha do encontro:  uma rosa (sem espinhos, claro) e um cravo.  (Quais as cores, na novela?)  //  Agora, toda noite é namoro longo, por telefone...  ora ligação dela ora dele... e como no amor tem que haver permuta, combinaram - recente e renovada harmonia - que um paga a conta do outro, valores parecidos, quase gêmeos.  O que acontece após cada telefonema só o lençol sabe (mas não deve!) descrever.  Valores físicos gêmeos!!!  Gêmeos?  Quem falou (ou escreveu?) esta palavra de também duplo significado nessa estória?  //  Telefone como filtro de amor.  Na vida real, nunca vi nem ouvi nada semelhante.........  Viva Graham Bell!  //  Lembrei “TRISTÃO E ISOLDA” e ao mesmo tempo VINÍCIUS:  “...mas que seja infinito enquanto dure.”  Leiam meus trabalhos “Dois telefonemas... por engano”, “Trote quase perfeito” e “Filtro de amor - I-II-III”. NOTAS DO AUTOR: TREVO - Planta cultivada a 25 graus C, local de muita chuva ou rega mínima três vezes por semana, planta dorminhoca no mínimo 8 horas diárias na escuridão. ----- TREVO DE 4 FOLHAS - Para os druidas (povo antigo que cultuava a Deusa Mãe), esse trevo nada comum era capaz de absorver os poderes da floresta e a boa sorte dos deuses, cada folha representando parte do ciclo natural da vida:  as 4 estações do ano, as 4 fases da Lua, os 4 elementos da natureza, e ainda Esperança, Fé, Amor e Sorte.  Anualmente na Irlanda é comemorado o Dia do Trevo (o de 3 folhas é um dos símbolos do país, representando a Santíssima Trindade) ou Dia de São Patrício, cristão conversor da ilha, 17 de março, feriado nacional em que o traje “oficial” do dia para todas as pessoas - crianças ou adultos - é na cor verde... ou serão castigados com beliscões nada amistosos.  TRISTÃO E ISOLDA - Estória lendária medieval que começa com estranha beberagem mágica:  filtro do amor. F  I  M
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Comentários dos leitores

E exatamente assim - EU falo grego X o outro, aramaico. Mas telefonemas e uma lua de mel inesperada consertam a vida. Parabéns!

Postado por lucia maria em 04-11-2017

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